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domingo, 11 de setembro de 2011

" A IGNORÂNCIA...O MAL DOS SÉCULOS "

 “ A  IGNORÂNCIA..... O MAL  DOS  SÉCULOS “




Diversos sábios da Ciência, em todos os tempos, têm se manifestado sobre a “Ignorância” dos Seres Humanos. Dentre eles, destaca-se o nosso maior jurisconsulto, Rui Barbosa, que a respeito dela afirmou: “ A chave misteriosa das desgraças que nos afligem é esta; e somente esta: a Ignorância! Ela é a mãe da servilidade e da miséria”. Alguns outros conceitos a respeito da Ignorância, dito pelos homens mais influentes do Conhecimento Humano vale a pena relembrá-los aqui.

-“Não há nada mais terrível que a Ignorância”(Goethe,1749-1832);
-“Se me perguntar o que é a morte! Respondo-te: a verdadeira morte é a   Ignorância.Quantos mortos entre os vivos!” (Pitágoras, 582-497, AC);
-“A ignorância é a noite (escuridão) da Mente!” (Confúcio,551-478,AC);
-“A diferença entre um homem sábio e um homem ignorante é a mesma entre um homem vivo e um cadáver.” (Aristóteles, 384-322, AC);
-“Dar conselhos a um homem culto é supérfluo; aconselhar um ignorante é inútil.” (Sêneca, 65-2,  DC);
-“A sabedoria e a razão, falam; a ignorância ladra.” (Arturo Graf, 1848-1913);
-“Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância.”(Luther King,1968);
-“Todo aquele que não sabe,seja quem for,pode e deve entrar no rol do vulgar.” (Miguel Cervantes, 1547-1616);
-“O tolo, quando erra,queixa-se dos outros; o sábio queixa-se de si mesmo.” (Sócrates, 469-399, AC).

Estes, e centenas de outros conceitos de Ignorância, foram emitidos pelos maiores gênios do mundo e, como já dissemos, em diferentes épocas da História. E o que dizem os dicionários a respeito da Ignorância? Segundo alguns autores, “Ignorante, é o indivíduo que não sabe”; “aquele que não tem conhecimento de algo”; é “quem desconhece”; etc. De acordo com outros pensadores, o ignorante estabelece critérios que desqualifica o conhecimento alheio em favor de sua falta de conhecimento. Ele faz idéias falsas sobre si, e o mundo que o cerca, de forma errônea e deturpada. Ainda sobre a Ignorância, dizem outros sábios (quase inexistem sábios  nos dias atuais) que: “ Ignorância é não saber, não querer saber ou ignorar o conhecimento científico provado e comprovado por métodos científicos e pela lógica. Embora, na linguagem popular e como termo de uso agressivo pelos próprios ignorantes; Ignorante é o “estúpido”,“burro”,”asno”,”idiota”,”imbecil”,”retardado”,”grosso”,”grosseiro”,etc.

Este Trabalho não tem essa finalidade de agredir, criticar, denegrir, denominar ou julgar quem quer que seja! Mesmo, porque se baseia em dados empíricos, observações clínicas e neuropsicológicas. O nosso propósito é expor e analisar esse terrível fator de atraso, retrocesso e estagnação do progresso; bem como, apontar a Ignorância (falta do conhecer) como fonte dos maiores conflitos entre os seres humanos e destes, com o seu meio ambiente. Como diria Rui, a Ignorância  é a pior dentre todas as doenças da humanidade. Como já falamos acima, muitos homens de gênio, ao longo da História, têm se pronunciado contra a Ignorância, de  modo a condená-la e a depreciá-la; muito embora tiveram eles a intenção de incentivar a aquisição do conhecimento, como fator indispensável e fundamental ao progresso e à  boa convivência social.

Visto por eles e, pelo que pretendemos demonstrar aqui de forma psicobiológica, a Ignorância é, e sempre foi, o maior flagelo da Humanidade. Podemos afirmar que a falta de conhecimento foi e continua sendo a grande e maior ameaça, desde  Eras mais remotas, aos dias atuais. A Ignorância tem sido causa de guerras, revoluções, levantes, atentados, terrorismo, fome, miséria, doenças, crimes; enfim;  causadora de todos os infortúnio que nos fazem padecer e...morrer! Porque Rui e tantos Homens  inteligentes previram e “acertaram” em suas afirmações sobre esse  mal-estar das sociedades, tão explícito para quem tem um mínimo da capacidade neuronal normal. Tiveram eles capacidades de clarividência, premonição ou  adivinhação? Não! Aqueles homens de gênio previram com acerto porque possuíam os dados e as evidências para preverem o futuro, graças ao vasto manancial  de conhecimento, adquirido em incontáveis horas de reflexão, estudos e muita leitura inteligente, positiva e construtiva, acumulados em seus cérebros privilegiados pela Cultura. Daí, a capacidade previdente  de suas mentes ricas, capazes de reflexões e de produzirem idéias brilhantes.

Qualquer cérebro que seja física, anatômica e fisiologicamente normal, que acumule conhecimento, cultura e experiências; adquirirá a capacidade de “adivinhar” e prever acontecimentos futuros. Não há mistério algum nisso; a Mente depende e funciona com os dados que o seu cérebro estocou. Quando falamos em cérebro dotado, que cria uma mente culta, não estamos nos referindo àquele que acumulou apenas conhecimentos específicos de uma determinada disciplina ou profissão, como por exemplo, um médico que só aprendeu o conhecimento médico-biológico; o engenheiro que somente estuda a  prática da matemática, química e da física ; o psicólogo que se esqueceu,ou não quis se aprofundar na biologia,química,neurologia,filosofia,antropologia,sociologia e outros conhecimentos necessários à prática da terapia mental, etc. Será que prever  acontecimentos futuros e conhecer as pessoas além de seus aspectos físicos e exteriores é paranormalidade ou algum atributo espiritual superior? Não! Trata-se de condição natural de um cérebro rico de conhecimentos gerais. Não, de conhecimento específicos de matemática, química, física, etc., como já vimos acima. Pode ser o melhor matemático do mundo; mas, se o seu conhecimento se restringe à  matemática ou outros conhecimentos afins; não é,necessariamente uma pessoa culta.

Isso confunde muito as pessoas que avaliam a sabedoria e a inteligência com base no comportamento de profissionais de cursos notórios como, medicina, engenharia, psicologia, odontologia, advocacia, etc., que, por terem esses títulos, nós os julgamos cultos e inteligentes. É um engano! Culto é o homem que conhece, pelo menos um pouco, todas as áreas do conhecimento humano. É claro que nenhuma pessoa (nenhum cérebro) é capaz de tomar conhecimento, captando e acumulando todo o conhecimento do Universo. Todavia, quanto mais ele conhecer e adquirir  conhecimentos; mais culto e sábio será; e, assim, se torna mais útil a si e a toda sociedade. Imaginemos se Pasteur, Fleming, Édson, Ford, Santos Dumont, Salk, Sabin e muitos outros sábios, não tivessem acumulado tantos conhecimentos em seus cérebros; como estaríamos agora! Sem luz, sem remédios, andando a pé, sem “voar” e , possivelmente, já extintos, devorados pelas bactérias,vírus,fungos e outros microorganismos descobertos por Pasteur e  combatidos por Fleming. São muitos os cérebros repletos de conhecimentos que nos deram quase tudo que usufruímos hoje. Nunca tantos se beneficiaram tanto de tão poucos do passado; sem falarmos nas artes, literatura e na música, quase completamente deturpadas, vilipendiadas e destruídas em nossos dias (salvo algumas exceções de alguns homens maduros e cultos), substituídos que estão sendo pelos simulacros de arte e literatura, bem como, pelo barulho infernal chamado de música, pelos destituídos do conhecimento e saber superiores. A Mente, que é a principal atividade do cérebro, só é capaz  de criar,fazer descobertas e orientar com acerto o comportamento das pessoas, se tiver gravados em seus neurônio conhecimentos positivos e sadios que irão dar suporte capaz de se comportarem positivamente. Não é acumulando e se condicionando com os péssimos e nefastos exemplos de muitos meios de comunicação, principalmente da Televisão, que vamos esperar melhores comportamentos das pessoas e condições humanas e dignas de vida. Pelo contrário, os exemplos diários desses veículos de comunicação estão nos levando à falência total da Moral, da Decência, do Respeito, da Honestidade, da Cultura, da Normalidade das coisas e da própria sobrevivência dos Humanos; vide os exemplos de Sodoma, Gomorra, Nínive, Roma, e demais modelos de decadência punidos pelo desregramento dos seus costumes.  Até nisso, o nosso Rui previu, quando vaticinou: “ De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra; de tanto ver crescer a injustiça;de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus; o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto!” Como pode ter acertado tanto o Grande Baiano? Como já falamos, Rui previu os nossos dias, baseado nos dados gravados em seu cérebro, à custa de incontáveis horas de estudos diversificados. Como prometemos no início, não vamos nos ater nos aspectos visíveis e exteriores do comportamento ignorante, facilmente observável por muitos. Ver e analisar o comportamento exterior das pessoas é fácil e pouco científico. O importante é pesquisar e ver as motivações internas que levam os indivíduos a destruírem ou  construírem um mundo melhor (hoje, mais destruído que construído).

Vamos, agora, estudar esse aspecto interno, neuropsicológico do comportamento. Iremos analisar o que acontece dentro do cérebro de alguém que procura conhecer os fatos da natureza, os dados ambientais que o cercam e por quais razões isso importa tanto na vida pessoal, familiar e social dos indivíduos cultos (que acumularam conhecimentos). Em comparação, vamos conhecer os aspectos neuropsicológicos daqueles que não enriqueceram os seus cérebros, não  adquiriram  e ignoraram ou ignoram o Saber e o Conhecimento. Poderíamos fazer, agora, uma regressão a todo o desenvolvimento do cérebro e da mente dos humanos, desde a pré-história aos nossos dias, para melhor explicarmos as razões pelas quais nos tornamos o “lobo do homem”(Homo hominis lúpus), como disse Plauto, em uma de suas comédias. De fato, o ignorante reage com os músculos e o sábio, com o cérebro! Daí se deduz que aquele que é mentalmente pobre (cérebro com poucas gravações) é potencialmente mais agressivo que alguém culturalmente enriquecido. Isto, é muito fácil de se observar, quando se verifica a qualidade intelectual dos habitantes das localidades onde acontece o maior número de agressões físicas,homicídios e outros delitos.

Infelizmente não se pode entender melhor  as conseqüências do Saber e do Ignorar  sem termos uma noção razoável sobre as funções Psicobiológicas que viabilizam a aquisição,acumulação e preservação do Conhecimento adquirido pelo Cérebro, bem como a utilização e aplicação desse Conhecimento pela Mente de cada um de nós. Em outras palavras, de que modo a Mente utiliza,para si e para os outros, o conhecimento que o seu cérebro acumulou?  É aqui que se encontra o grande problema que encerra todos os acontecimentos passados, presentes e futuros de todos os Povos.  Vamos descrever, em breves palavras, os caminhos internos (ou neuropsicológicos) da motivação do comportamento humano. Muitos outros seres da escala evolutiva biológica têm, e tiveram mecanismos psicobiológicos parecidos com os dos humanos.  Porém, não vamos regredir demais na Biologia Evolutiva e Comparada; para facilitarmos o entendimento do leitor deste Trabalho, cuja finalidade é a de popularizar o conhecimento comportamental, sob a ótica da Psicobiologia e da Neuropsicologia. Não trataremos deste tema sob o prisma usual  de se isolar,separar e basear-se o comportamento humano apenas em seu aspecto exterior psicológico,biológico,sociológico ou político. Seguiremos os caminhos neuro e psicobiológicos da motivação interna, para tentarmos explicar as razões que levaram (e levam) os humanos à sua própria deterioração e falência física, espiritual, moral e ambiental.

Veremos porque, apesar da gravidade progressiva desse processo de autodestruição; poucos o percebem, apesar de sermos quase 7.000.000.000 de “navegantes” de uma “nau” sem rumo e, o que é pior... ”fazendo água”. Alguns afirmam que os avanços tecnológicos modernos propiciaram mais conforto e longevidade. Na verdade, prolongaram a duração de vida, mas deterioraram o viver, tornando o homem um triste Ser longevo.

Na aprendizagem, para se obter o conhecimento, o cérebro capta para o seu interior os fatos e acontecimentos do meio ambiente que, estimulando os nossos cinco sentidos, são encaminhados aos seus neurônios, a fim de serem gravados e armazenados para a sua utilização pela Mente, no comportamento do dia-a-dia. Como essa gravação se origina da visão, da audição, do cheiro, do gosto e do tato; fica claro que tudo que vemos,escutamos,cheiramos, tateamos e sentimos o gosto, é levado ao cérebro pelos respectivos receptores nervosos desses sentidos. As vias de acesso ao cérebro são os nervos que levam as “coisas” do mundo (imagens, odores, sons, etc.) codificadas sob a forma de corrente eletroquímica (mais química que elétrica nos humanos) que no interior cerebral esses estímulos são descodificados e seletivamente gravados e armazenados em grupos de neurônios específicos para cada tipo de “coisa” que foi captada pelos órgãos dos sentidos. Por exemplo, as células nervosas da retina, no caso da visão, que levam através do nervo óptico, as imagens que enxergamos para uma determinada área do cérebro chamada de “lobo occipital”. O que ouvimos, do mesmo modo vai para outro centro cortical primário, denominado “lobo temporal”; assim acontecendo com os outros órgãos dos sentidos que foram criados para dotar o nosso cérebro com o máximo de informações do meio que o cerca, a fim de enriquecermos a nossa Mente para nos comportarmos e agirmos no mundo como seres superiores e evitar que vivamos como bestas-feras; como estamos fazendo, na atualidade. Como o cérebro é todo interligado e suas áreas são interativas entre si, com o seu meio interno (fisiológico) e com o ambiente externo (mente-comportamento), podemos imaginar o que seja uma vida mental de uma pessoa, onde bilhões de neurônios se relacionam e se interagem, trocando milhões de informações a cada minuto!

Para melhor assimilarmos, vamos repetir: todas as sensações que passam pelos nossos olhos, ouvidos, narinas, boca e pele “viajam” pelos nervos até aqueles grupos de neurônios, onde ficarão guardados para que a Mente as utilize no comportamento da pessoa; tanto para o seu bem-estar, como para o bem social, considerando que não vivemos isolados e que somos seres sociais. É assim que deveria ser e para este fim  fomos criados e recebemos um extraordinário e miraculoso órgão: o Cérebro. Cada cérebro atuando por meio da sua mente, comportando-se e agindo positivamente para a sobrevivência do homem-animal (cérebro-mente-Inconsciente) e do homem-intelectual (cérebro-mente-Consciente); bem como, responsável, também, pela manutenção e sobrevivência da vida animal e inteligente da espécie dos humanos. Entretanto, lamentavelmente, a Mente da maioria das pessoas está voltada, apenas, para a própria sobrevivência animal, visto que os cérebros que formam essa maioria, encontram-se sem “estoque” de gravações positivas, importantes e úteis ao indivíduo e aos demais seres que compõem a vida na Terra; como iremos verificar no decorrer deste Trabalho.

Todas as atividades do homem são regidas pela Mente do seu Cérebro. Não existe comportamento animal que não se origine da Mente, que por sua vez, se origina das “coisas” que o seu cérebro gravou e guardou. Nos animais não-humanos o comportamento segue as mesmas regras; porém, na maior parte, dirigido e controlado pela programação genética, natural e específica para cada espécie. Eles agem sob a orientação do que já se encontra gravado por sua herança genética; é o que chamamos “instinto animal”. Os animais inferiores são muito instintivos e se comportam pelos impulsos mais primários, como, o da fome, da sede e do sexo; sendo este, exclusivamente para a procriação ( o erotismo é uma invenção dos humanos). Estes impulsos primários garantem a sobrevivência física do animal, pouco dependendo da aprendizagem intelectual; seus instintos genéticos já são suficientes para se comportarem de forma a preservarem e perpetuarem as suas espécies. Suas mentes são pobres, por isso são irracionais, faltando-lhes o conhecimento intelectual da forma que nós humanos possuímos. A mente dos animais inferiores é incapaz de dotá-los de um comportamento inteligente, amplo e rico comparado ao dos humanos, porque o seu cérebro tem poucos conhecimentos sofisticados gravados do mundo exterior, na proporção de suas capacidades cerebrais, na evolução desse órgão na escala zoológica. Primatas de cérebros mais desenvolvidos, como os chimpanzés, têm mente mais evoluída para se comportarem de modo mais sociável e cooperativo que os répteis,como as cobras e lagartos. Que fique bem claro: não há comportamento sem a existência de uma programação criada pelas gravações das “coisas” do mundo que foram estocadas no cérebro;isto é, arquivadas na memória do tecido cerebral. A mente,de posse dessa programação, motiva e impulsiona o indivíduo a se comportar bem ou mal; agir positiva ou negativamente; conforme gravou “coisas” boas ou más, positivas e úteis ou negativas e inúteis.

Desta maneira, cérebros com poucas gravações (memória) criarão mentes “pobres”,”estreitas”,”curtas” e pouco produtivas para si e para os outros. Ao contrário,cérebro com riqueza de dados armazenados em seus neurônios,proporcionarão à sua mente riqueza comportamental,tornando mais sábio o portador desse cérebro,dotando-o com uma maior inteligência e capacidade de ser útil a si mesmo e à Humanidade. Pensemos nos homens de Ciência ! Aqueles estudiosos e cultos que nos deram as vitaminas,os remédios,as vacinas e tantos outros meios de salvação do nosso corpo. Pensemos nos gênios que nos proporcionaram os meios rápidos de transporte e nos fazem sonhar acordados vendo e ouvindo as verdadeiras obras de arte, frutos de autênticos representantes da Espécie Humana. Temos os  veículos, a televisão,os computadores,a eletricidade, a luz,os aparelhos musicais e tantos outros frutos de cérebros que armazenaram informações positivas,agradáveis e saudáveis que proporcionaram a nós e à Humanidade a continuidade da Vida. Todas essas dádivas que recebemos desses benfeitores cultos foram, exclusivamente, devidas a sua dedicação e incontáveis horas de estudo, leitura e à pesquisa.

É importante sabermos que quase todos esses grandes Homens de Ciência eram bem adultos e até avançados em idade; os poucos mais novos, como Carlos Chagas, apesar de pouco mais de 20 anos, viviam debruçados nos estudos e pesquisas; ao contrário da maioria dos chamados “jovens” de hoje que vivem debruçados e mergulhados no fumo, na bebida (e, haja bebidas para atender a tantos cérebros doentes e carentes de Conhecimento e do Saber), no sexismo-compulsivo, no exibicionismo material, no consumismo idiota, no vazio existencial e na nulidade social. Se aqueles cientistas ( cientista é todo aquele que é amigo e se dedica à Ciência) geniais  não tivessem tanto estudo, esforço, dedicação e altruísmo; não teriam criado nada e hoje estaríamos às escuras e seríamos todos meros moykanos emplumados, medíocres, vazios e inúteis que usam de forma maldosa,nociva e estúpida os inventos e criações dos nossos antepassados inteligentes que tanto estudaram,pesquisaram e até se mortificaram, como o casal Pierre e Marie Curie que morreram precocemente para nos dar os Raios X. Em outras palavras, esses ignorantes utilizam para o mal e na destruição exibicionista, as descobertas e criações dos nossos Homens sábios do passado; exemplo? O carro, que foi inventado por Ford, para nos proporcionar comodidade e rapidez na locomoção. E o que fazem com ele os estúpidos e imaturos motoristas? Se exibem para os outros imaturos em correrias idiotas e irracionais, com, ou sem, os seus neurônios mergulhados no álcool e na ignorância, morrendo e matando mais de 50.000 pessoas e  ferindo outras 350.000, nos mais de 300.000 acidentes por ano,somente em nosso País.

Muitas descobertas e inventos de homens que se negaram a ficar ignorantes ( o contrário da grande maioria dos atuais) são hoje utilizados pelas mentes ignorantes e vazias, a fim de darem vazão às frustrações e ansiedade geradas por suas vidas inúteis. Utilizando o carro, a moto, a internet e até medicamentos para a prática do mal, esses ignorantes desconhecem as conseqüências pessoais, morais, econômicas e sociais do seu comportamento irresponsável. Quanto mais você conhecer e nutrir o seu cérebro com dados (“coisas”= estímulos) positivos; mais a sua mente fará o melhor uso desses dados positivos que se acumularam nos neurônios. Quanto mais você conhecer e alimentar o seu cérebro com informações, dados e outras “coisas” negativas, nocivas e inúteis; mais você agirá de forma negativa, nociva e prejudicial a você e a todos os demais Seres que o rodeiam. Você será mais um, dos bilhões de outras pessoas inconseqüentes, irresponsáveis e causadores da ampla  e irreversível destruição deste pobre Planeta Terra que teve a triste e infeliz incumbência de abrigar tantos ignorantes que nem percebem a sua agonia devida aos maus tratos deles. Mas, o que são as “coisas” ou fatos positivos e negativos do mundo que o seu cérebro assimila,grava, acumula (estoca) e faz a sua mente por em prática aquilo que guardou? Você se orientará e se comportará, ao longo da sua existência, de acordo com o “mapa” e a programação gravada no seu tecido cerebral. Explicando mais; “coisas” positivas e negativas são os milhões de estímulos que entram a cada minuto para o interior do cérebro, através dos cinco sentidos, que são as “antenas” desse mais importante órgão da vida. Repetindo; é tudo que enxergamos,ouvimos,sentimos o gosto, cheiramos e o que toca a nossa epiderme. Todos eles são dirigidos para o cérebro por receptores especiais que os encaminham para núcleos, centros ou áreas específicas. Porém, devemos lembrar que todos esses sistemas neuronais do encéfalo (cérebro e anexos) são integrados e interativos, propiciando à Mente uma atividade infinitamente complexa, multiforme e, ainda, misteriosa.

Qualquer comportamento requer a interação desses diversos núcleos, centros ou áreas cerebrais. Os agrupamentos de neurônios que mais estão relacionados ao nosso comportamento e mais conhecidos pelos neurocientistas são: o córtex cerebral, com dezenas de áreas específicas, detém quase a metade de todos os neurônios do cérebro; o hipocampo estrutura muito importante para a memória; o corpo caloso, que é responsável pela ligação e transferência de informações entre os dois hemisférios cerebrais (“cérebro direito” e “cérebro esquerdo”); o sistema límbico, com os seus componentes fundamentais para o nosso  agir, como o hipotálamo e a hipófise. Relembramos que não haveria aprendizagem e nem cultura sem a interveniência dos “mensageiros químicos” do cérebro, que são os  neurotransmissores, compostos químicos que atuam entre os neurônios e os demais componentes cerebrais levando e trazendo informações indispensáveis à vida interna (orgânica) e externa (comportamento) da pessoa. Sem esses “mensageiros”,como a dopamina,serotonina,acetilcolina e a tão badalada adrenalina(muito falada pelos aventureiros que pouco  ou nada dela eles conhecem) e alguns outros neuroquímicos, não teríamos vida mental e, muito menos, o conhecimento e a cultura que são os focos deste Trabalho. Voltando à aquisição do conhecimento pelo cérebro, vimos algumas áreas específicas, mais  importantes, relacionadas ao Saber , à Cultura e à aquisição do conhecimento. Deus por meio da Natureza nos deu tudo isso para que não ficássemos perdidos na escuridão da ignorância. Como já citamos muitas vezes, todos os fatos e acontecimentos da vida são percebidos pelos nossos sentidos e levados, em forma de código pelos nervos, para as áreas cerebrais relacionadas  com o Saber, onde são traduzidos (descodificados), analisados, elaborados e reservados. Assim, estocados (guardados) no interior celular, esses dados irão constituir a atividade mental ou  vida mental que conduzirá mal ou bem a nossa existência terrena (e, extraterrena, como queiram acreditar), concorrendo para uma interação positiva e útil; ou , negativa e nociva para o indivíduo, para todos nós e para o planeta; dependendo do que essa pessoa gravou e armazenou em sua memória. 

Para se falar da aquisição do conhecimento, não se deve esquecer-se daquelas áreas do cérebro (repetimos para melhor entendermos) tão importantes para gravação e estocagem dos dados que são captados do mundo pelos cinco sentidos  (fora algum outro que ainda não conhecemos) e levados  para o interior do cérebro formando a atividade mental, compreendendo a vida mental, espiritual e psicológica de todos nós. Para tão importante e vital atividade, a função do neocórtex (camada de neurônios mais recentemente incorporada ao cérebro) é fundamental no processo de aquisição intelectual. Considerando que o cérebro humano tem cerca de 80 a 100 bilhões de neurônios (células que gravam, além de outras funções) e, que cada um deles se liga a milhares de outros neurônios, dá para se avaliar que, quanto mais a pessoa adquire conhecimentos do mundo, mais áreas corticais são ocupadas pelo Saber. Então, mais culta será, mais inteligente se tornará, mais conscientizada, útil e positiva será para si e para todos. Imaginemos o mundo, se a maioria dos mais de 6,5 bilhões de pessoas tivesse essa conscientização! O mundo e a vida seriam um ”mar de rosas”. Infelizmente, temos o contrário, a grande maioria dos seres humanos está agindo e se comportando  de modo alienado, animalesco e bestial. É de vital importância para todos a aquisição do conhecimento e,que a falta do Saber,  leva à ignorância que, por sua vez, é a causa de toda ruína da humanidade. Porque esta falta de conhecimento é tão grave a ponto de deteriorar e aniquilar a espécie humana? O cérebro é muito plástico (maleável); isto é, sofre modificações estruturais e fisiológicas. Tudo que aprendemos quando assimilamos as informações que os nossos olhos viram, os nossos ouvidos ouviram, as nossas narinas cheiraram a nossa boca provou e a nossa pela sentiu; tudo é levado para o interior do cérebro, na porção de milhares de dados (estímulos) a cada minuto, é armazenado para ser utilizado  no uso da mente.

Como a mente humana é quem governa o mundo e conduz as pessoas; vê-se que, quem tiver mais dados (informações) armazenados, terá uma mente mais rica, capaz, inteligente e sábia; com mais chances de dominar a matéria e as pessoas menos esclarecidas. Como o enriquecimento mental e a sabedoria são adquiridos por meio do estudo, da leitura, da vivência e da experiência; verifica-se o quanto é difícil, penoso e  até onerosa a aquisição do Saber. Após a invenção da escrita, do papel e da imprensa; o meio mais fácil, prático e accessível  para se obter o conhecimento, é a leitura. Não resta dúvida que o homem que lê, vale por dois (ou mais). Entretanto, não é qualquer leitura que torna uma pessoa culta, sábia, inteligente e consciente. Somente a assimilação  de “coisas” positivas é que nos dará condições de sermos verdadeiramente humanos, dignos, honestos, construtivos, úteis e pacíficos. Quando se aprende e se apreende alguma coisa (positiva ou negativa), acontecem modificações e alterações no tecido cerebral e em sua fisiologia. Isto é, o cérebro se modifica em sua estrutura, morfologia e no seu funcionamento. A plasticidade do cérebro é hoje bastante reconhecida. A aquisição de novos conhecimentos leva à alterações  estruturais e fisiológicas dos meios de comunicação intracerebrais. Estas alterações são notadas no espessamento dos axônios, dendrites, sinapses e outras ramificações dos meios de comunicação neurais. Quanto mais informações são levadas do mundo para o cérebro; mais alterações neuronais se evidenciam, tornando o cérebro mais capaz de produzir uma mente rica e útil para o seu “dono” e para a Sociedade. A perda ou a diminuição do número de neurônios (exceto nas patologias ou má-formação genética), tem implicação na falta do uso neuronal; assim  como o sistema muscular necessita exercitar-se para se manter forte e saudável; o sistema nervoso central precisa do exercício intelectual para o fortalecimento das suas estruturas e o enriquecimento mental. E, nada melhor para o cérebro e para mente do que a prática do exercício cultural, através da aquisição de estímulos positivos e sadios oriundos da boa leitura, da boa música e do bom gosto. Antes, pensava-se que as células do cérebro não se regeneravam e o seu número era estanque. Hoje, sabemos que não é assim; novos neurônios são formados em qualquer idade, dependendo das necessidades neurofisiológicas, mentais e comportamentais da pessoa. Esse acréscimo e geração de neurônios dependem também do grau de conhecimento da pessoa de sua alimentação, do seu meio ambiente, do uso que ela faz da sua mente, etc. É bem verdadeiro o ditado popular: “ A falta de uso atrofia o órgão”. De fato, quem tem o cérebro pobre de conhecimento alem de tê-lo atrofiado, não pode ter uma mente sadia, fértil e rica. A atrofia cerebral e a pobreza mental acarretam incontáveis conseqüências nocivas e negativas individuais e sociais. Pessoas que não exercitam os seus cérebros e não enriquecem as suas mentes, principalmente através da boa leitura e boa música, são entraves na progressão da espécie ,contribuindo para a regressão ao estágios da força muscular animal e da barbárie; como acontece na atualidade e em todos os quadrantes da terra.   Desde 1983, no livro “A Implosão do Homem” (Ed.Interlivros de Minas Gerais) vimos alertando sobre a decadência humana, em decorrência de sua regressão mental. Na época, afirmamos que a maioria das pessoas estava regredindo na escala zoológica, substituindo o uso da razão, que é a maior e a mais importante capacidade mental dos humanos (seu consciente cerebral); pelo uso dos músculos, atividade típica dos animais inferiores, das feras que, por não terem o consciente cerebral, agem de forma bruta e inconseqüente, dirigidas pelo inconsciente  de seus cérebros. É exatamente o que vem acontecendo conosco, que há décadas (mais ou menos a partir dos anos 60) estamos regressivamente perdendo a capacidade humana de viver sob a direção e comando da mente consciente, que representa a inteligência, a sabedoria, o bom senso, o diálogo, a paz e outros atributos superiores; para agirmos e nos comportarmos com os músculos; tal como se comportam os bichos que por não terem a capacidade do raciocínio lógico e da inteligência superior; usam os seus músculos para sobreviverem em defesa dos predadores mais musculosos que atacam os menos dotados fisicamente.

Bilhões de pessoas estão assim, comportando-se como animais irracionais por terem abandonado o uso da razão e do bom-senso; pelo domínio  da ignorância, da estupidez e da irracionalidade animal. Essa ignorância, como já repetidamente explicamos, não se trata de rótulo pejorativo, maldoso ou depreciativo. Ignorante é aquele que não pode ou não se interessou em obter conhecimentos através da leitura útil e positiva; da falta da audição da harmonia sonora; da ausência da visão de cenas bonitas, salutares e agradáveis; da privação do gosto sadio do que é bom e natural; da falta do contato epidérmico com o frescor da brisa nas manhas primaveris e do nosso isolamento dos odores e perfumes das flores silvestres. Ao contrário, empobrecemos a nossa mente com os piores e mais nocivos estímulos artificiais que criamos pelo egoísmo, pela vaidade e pela animalidade do irracionalismo, frutos da ignorância. Esta, é a causadora de todos os males e mazelas da humanidade; desde um ato isolado de um indivíduo agressivo numa tenda no Ártico, às piores e mais mortíferas das doenças como o câncer. Tudo tem alguma ligação com a falta de conhecimentos que é a Ignorância. Uma comparação entre o comportamento de uma pessoa com conhecimentos gerais (sábia e culta) e outra com pouco conhecimento adquirido (ignorante e inculto) ,nos dará uma compreensão maior dos efeitos e conseqüências negativas para todos.

Pessoa sábia é aquela que gravou em seu  cérebro os estímulos positivos e úteis  da leitura, do estudo, da visão , da audição, do gosto, do cheiro e do tato. Estímulos positivos são aqueles que vem da boa leitura, da visão de coisas agradáveis e construtivas, da audição de som inteligente, harmonioso, belo e suave ; do cheiro agradável; do paladar, do bom e nutritivo alimento e do tato e contato com a suavidade dos elementos e coisas naturais da vida. Agora, vejamos uma pessoa ignorante; isto é aquela que ignora e não conhece os valores reais do mundo e da natureza. Uma pessoa se encontra nessa pobreza mental porque assimilou fatos e acontecimentos inúteis, negativos e nocivos. Na maioria das vezes ela não tem a mínima noção das “coisas” negativas que assimilou e gravou. O seu cérebro está repleto de gravações de cenas violentas, agressivas, repugnantes, abjetas  e prostituídas que viu na televisão, no cinema, nos jornais, nas revistas, no teatro, em livros, na internet e nos diversos outros meios de comunicação, notadamente nas cenas imorais e amorais ao alcance de todos.   O cérebro do ignorante está, também, cheio de gravações negativas provenientes do som distorcido do lixo “musical” que quase todos escutam, no mais alto grau da degradação sonora, dia e noite. Em qualquer lugar do mundo encontraremos uma dessas pessoas ouvindo e promovendo a barulheira infernal de alguma coisa pouco ou nada inteligível!      Ainda, o ignorante por estar abrutalhado, não se interessa por sentir o aroma de rosas silvestres. Ele não vai ter o conhecimento necessário para saber escolher os alimentos nutritivos e salutares para a preservação de sua própria saúde e da vida; daí a obesidade generalizada no mundo. O obeso o é por ignorância (por não ter o conhecimento bioquímico do metabolismo dos carboidratos);por ter uma disposição genética; por sofrer alguma disfunção endócrina ou padece de conflitos psicobiológicos, como a ansiedade, depressão e alguns complexos. Além  disso, por não ter o conhecimento biológico, não se preocupa ou não dá importância aos micróbios, pois não os vendo, não vai crer na sua existência e,daí, por quais motivos ele vai ter higiene? Quando limpa muito os utensílios da cozinha, por exemplo, ele o faz apenas pela estética e pela beleza de ver e mostrar reluzentes esses objetos; e, não, por preocupação sanitária e de saúde. Uma pessoa ignorante pega em dinheiro (chega a passar o dedo na língua para separar as cédulas) e em qualquer outro veículo transmissor de microrganismos patogênicos  e depois vai pegar nos alimentos que come,vende e manuseia em seu uso e das demais pessoas ignorantes que lidam com ele, inclusive você que está lendo este Trabalho.

O simples lavar as mãos antes de pegar o alimento é pouco seguido por quem ignora a assepsia. Veja de onde mais vêm as doenças e epidemias mais agressivas! Dos países mais pobres mental e materialmente mais ignorantes. Note a facilidade maior em contrair infecções gastrointestinais das pessoas nesse mesmo estado mental que comem qualquer coisa vendida em calçadas e nas vias públicas. Observe nos supermercados ou em outros locais de vendas alimentícias que quase todos compram embutidos, refrigerantes, enlatados e qualquer outro alimento sem ao menos lerem o que está escrito nas caixas e latas; e, muito menos querem saber os ingredientes do alimento que estão levando para casa. Até as datas de seus vencimentos são ignoradas e quando lidos, nunca vão saber o significado das substâncias químicas que contém; assim, vão se envenenando e envenenando os outros, sem ter a mínima noção do que estão comendo ou vendendo. Não é por coincidência que a incidência do câncer está se elevando tanto na população mundial; todo dia temos conhecimento de algum parente, amigo, colega, vizinhos e conhecidos ou não, que estão acometidos por essa doença  ou que morreram dela.

Estes são apenas alguns poucos exemplos dos efeitos nocivos da Ignorância. O que falar da devastação das florestas, da poluição do ar, da terra e das águas? As queimadas, as drogas (em que os imaturos ignorantes buscam preencher com as fantasias químicas, os seus vazios existenciais),a bebida (onde em cada esquina os imaturos ignorantes tentam “afogar” as suas nulidades no álcool), no fumo (onde os ignorantes queimam os seus pulmões para aquecerem e esquecerem suas carências existenciais) e tantos outros males individuais e sociais decorrentes da falta do Conhecer. A Ignorância é a pior doença e a causa de todos os males da humanidade, em todos os tempos. Por ignorar e por desconhecer as conseqüências futuras dos seus atos; o ignorante é antes de tudo um irresponsável (sem culpa) pessoal e social. Não há Mal que não tenha a participação da ignorância. Já se perguntou por que os piores e mais corruptos políticos e governantes do planeta estão nos países mais atrasados material e mentalmente? Veja, países que apesar de possuírem imensas riquezas minerais, vivem eternamente deitados no berço, não muito esplêndido, da miséria material,mental,moral e espiritual ! Convivem eles na pobreza geral porque a maioria de suas populações  ignoram o valor e a importância do voto eleitoral, desconhecendo as terríveis conseqüências sociais advindas por não saberem escolher os seus representantes. Elegem políticos e governantes que serão seus futuros algozes, porque não possuem cultura geral armazenada em seus cérebros para criarem mentes competentes e ricas capazes de fazerem escolhas acertadas. Isto se verifica não apenas na política; mas, em todas as atividades humanas, pois o conhecimento é a chave do desenvolvimento pessoal e social das populações. É cultivando a Ignorância que os  maus políticos e governantes se mantém eternamente no poder, às custas do voto fácil e inconseqüente das pessoas de pouco saber, cujo número aumenta geometricamente. É uma gigantesca “bola de neve” em que a ignorância (pobreza mental) leva o país à pobreza geral, não propiciando condições para o desenvolvimento da mente, que por sua vez, gera mais miséria e, assim, sucessivamente. Vale dizer que ninguém pode ser totalmente ignorante ou sabiamente completo; porque é impossível uma pessoa não conter nada gravado em suas células nervosas e nem tampouco alguém acumular todo o conhecimento humano em seu cérebro. Dessa forma, a contribuição de cada ser humano é proporcional à sua capacidade mental. Todas as pessoas são iguais perante o Criador e à Natureza; o que nos diferencia um do outro é a qualidade e a quantidade do que coletamos do mundo que nos cerca, durante a nossa existência terrena. Todavia, não é  bastante que gravemos somente os eventos do meio ambiente que está perto de nós; mas sim, procuremos saber(lendo,ouvindo e vendo) de todas as informações sobre os acontecimentos do Planeta e do Cosmos. Se gravarmos estímulos positivos, a memória neuronal criará uma Mente rica, útil, bela, inteligente e criativa. Porém, se gravarmos  estímulos negativos como a visão de cenas grosseiras,grotescas, de horror, de ódio, violência, armas; caso não tenhamos lido boas leituras, adquirido uma cultura vasta,variada e ouvindo aquela ensurdecedora barulheira sonora dos “bate-estacas” que quase todos ouvem, pregados nas orelhas...então estamos perdidos ; pois a grande maioria das mentes do mundo será incapaz  de contribuir e ser útil a si e aos demais Seres Viventes.

Quando iniciamos este Trabalho, falamos das previsões dos grandes homens, como o nosso Rui, que vaticinaram com acerto o que hoje acontece e as conseqüências nocivas e prejudiciais que nos afligem e nos fazem sofrer, como por exemplo, a desonestidade, a falta de caráter, a amoralidade e imoralidade reinantes em todos os setores da sociedade, que pela nossa ignorância e  omissão (dela recorrente), deixamos que  se tornassem crônicas e contumazes. Com o cérebro deficiente em informações do mundo, a mente empobrece e pouco ou nada pode prever como fizeram aqueles homens de Ciência, que nos deram tantos inventos e criações maravilhosas e salutares. Prever acontecimentos futuros requer cérebro culto e mente rica; cérebros que tenham em seu interior boas e positivas gravações. Quem gastou ou gasta o precioso tempo vendo o lixo da maioria dos programas de televisão, ouvindo a barulheira infernal do som desestruturado dos ruídos de “bate-estacas”, afogando os seus pobres e escassos neurônios nos incontáveis botecos de calçadas, rebolando e pulando nas noitadas fanks, fenks, finks, fonks e funks; embriagando-se e consumindo drogas e alucinógenos para ludibriarem as suas pobres e nulas existências; estão perdidos nas névoas da Ignorância e da pouca valia existencial própria e dos outros. Raríssimas são as pessoas de hoje, principalmente as de menos idade, que sejam capazes de enxergar e prever qualquer coisa além do próprio umbigo. Michel de Nostredames (1503-1566), o mais célebre dos videntes, tornou-se conhecido por suas acertadas previsões em muitos séculos de antecedência. Nostradamus, além do cérebro privilegiado, anatômico e fisiologicamente normal, possuía um vasto “estoque” de gravações positivas e úteis que os seus olhos  viram, seus ouvidos ouviram, suas experiências notaram e a sua sensibilidade sentira. Ele era um grande estudioso da medicina, astrologia, astronomia, química, física, teologia e literatura. Não era um mágico, mago ou feiticeiro; era um homem normal com muita cultura geral obtida de sua enorme curiosidade, de seus estudos, leitura,observação,pesquisas e análise das “coisas” que via,ouvia,cheirava e sentia. Se esse sábio francês vivesse hoje, lendo tolices nas muitas literaturas vulgares; assistindo filmes e programas de televisão; vendo pornografia (accessível a qualquer gosto doentio) em tudo e na Internet; ouvindo com fones de orelhas a imensa, estridente e distorcida aberração sonora dos “bate-estacas”;sentindo e cheirando o odor nauseabundo do nosso lixo diário; provando o gosto da comida transgênica,transgordurada,agrotoxicada e intoxicada! Ainda, se Nostradamus vivesse entre nós, sentido na pele a nossa decadência material, moral e espiritual; por certo o cérebro desse sábio , percebendo, assimilando e arquivando todos esses estímulos e informações negativas e nocivas destes nossos dias...; estaria ele com a sua mente tão negativamente “carregada” que seria incapaz de contribuir para o nosso  bem social e muito menos seria capaz de enxergar “um palmo diante do nariz”. Para finalizar, o leitor pode aproveitar esta oportunidade para verificar, analisar e avaliar a sua in(competência) mental (grau de Ignorância), da sua família, dos seus amigos,colegas,vizinhos e conhecidos. Para verificar a sua ignorância, basta que saiba distinguir e escolher  o que é bom, importante, agradável e útil para si e para todos. É só ver o que você acumulou e está acumulando em seu cérebro, para saber o que foi, é, e o que será(e o que está sendo) para você mesmo e para toda a Sociedade, no sentido amplo, universal.

Não é difícil notar-se os vários sintomas da Ignorância, ou seja,os múltiplos sinais de uma pessoa alienada dos valores humanos autênticos. O ignorante (aquele que ignora), dentre outros, demonstra os seguintes sinais:
-Não estuda, não gosta de estudar e detesta quem estuda;
-Não vê e nem se interessa por ver as “coisas” belas da Natureza; como por exemplo, não aprecia o por do sol, o orvalho da manhã, as flores da Primavera, não admira o céu estrelado, etc.;
-Não gosta e detesta a música harmoniosa e clássica;
-Fala alto, ouve tudo alto e faz um barulho danado em qualquer lugar em que esteja;
-Não tem limites para nada;
-Muitos ignorantes são desonestos e não se incomodam em dar prejuízos aos demais, principalmente quanto aos bens públicos; ignorando que o governo manipula e compra esses bens com o dinheiro do Povo;
-A maioria é agressiva e age com violência quando encontra oposição aos seus atos e comportamentos instintivo-bestiais;
-Tendem a formar grupos com pessoas de mesma capacidade mental, a fim de se sentirem fortes, poderosos e seguros; além de outros inúmeros sinais que uma pessoa ignorante apresenta que deve servir de alerta para ajudá-la a se precaver e a se preservar.
É importante que todos saibam principalmente políticos, governantes e autoridades, que a FRUSTRAÇÃO é a manifestação mais evidente e prejudicial da Ignorância. A pessoa com poucos conhecimentos; tem reduzida a sua capacidade mental e, assim, encontra poucas oportunidades de “vencer na vida” e sentir-se realizada em empregos e trabalhos melhores remunerados, numa Sociedade Capitalista como as do mundo atual. O ignorante, por ter poucas ou escassas informações intelectuais, se sujeita a subempregos ou a empregos aviltantes da personalidade, a fim de sobreviver; pois as funções melhores e mais remuneradas são para aqueles que assimilaram mais conhecimentos científicos e literários em seus cérebros. Daí, serem rejeitados para a ocupação de trabalhos, funções e empregos mais remunerados, valorizados, desejados e mais respeitados socialmente. Por mais que se queira contemporizar, todos ou quase todos valorizam mais um mau médico que um excelente gari ou um ótimo servente de pedreiro; dá mais reconhecimento social a um político corrupto que a um honesto catador de papéis ! Quem dizer ou achar o contrário é  um ignorante imaturo  ou é um demagogo que quer se eleger às custas da Ignorância dos outros ignorantes ou das pessoas menos favorecidas. Falando da Frustração, a maioria das pessoas ignorantes (que desconhece as Ciências) quando se dá conta da sua situação econômica, financeira, cultural e social e, antevê seu futuro não muito promissor, em um mundo cada vez mais sofisticado, tecnologizado, mais exigente, mais seletivo e mais concorrido por  quase 7.000.000.000 de pessoas em busca da própria sobrevivência física e animal!  É de se ver que essa sobrevivência fica mais difícil para todos que não puderam ou não quiseram acumular a riqueza e a grandeza do Saber, em seus Cérebros e Mentes. Não devemos estranhar e nem nos surpreendermos com a possibilidade, não muito remota, de voltarmos ao canibalismo. Parece que a antropofagia já está acontecendo em alguns locais mais pobres e populosos do Planeta!

Podemos listar e considerar a Ignorância como a mais grave e mais epidêmica das doenças que ameaçam a humanidade. Como ela tem crescimento geométrico na escala numérica populacional; como a população mundial aumenta diariamente e todos precisam sobreviver; e, para sobreviver cada terráqueo necessita ter mais conhecimento que o outro; e, para se acumular conhecimentos é necessário dinheiro, tempo, abnegação, muito estudo, pesquisas, etc. vê-se que para a maioria das pessoas, principalmente moykanos e outros tribais; é muito mais agradável estourar os tímpanos e arriscar a pele nas noitadas dos bailes funkerosos e nos finais de semestres, copiarem suas provas da Internet e colarem do vizinho da carteira mais próximo, ou outros meios possíveis e imaginados de burlarem professores,Escolas, eles mesmos e à Sociedade. “Curtir” e “viajar” é bem “mais melhor” que “queimar as pestanas” nas insones madrugadas solitárias, debruçado em pilhas de livros em casa ou nas bancadas de um laboratório científico em incontável busca por remédios contra a ignorância e os muitos outros males que afligem a Humanidade. Como a Ignorância é a mãe de todos os vícios e doenças; ela é a origem e a fonte maior da Frustração. E, o que é a Frustração? Frustração é o sentimento de revolta por não termos o que desejaríamos TER; e, de não sermos o que gostaríamos de SER.

Aí, temos as razões que explicam a agressividade e a violência das pessoas, em grupos ou individualmente, que picham e danificam paredes, muros, portas, edifícios, casas, monumentos, igrejas e tudo que encontram pela frente. Agridem,roubam,esfolam e matam qualquer Ser vivo animal, vegetal ou mineral que tem a infelicidade de cruzarem os caminhos dessas bestas-humanas. Como o não-saber (ignorância) é,hoje, a maior causa da frustração,principalmente dos menores de 40 anos; pode-se avaliar o perigo presente e futuro que todos nós estamos expostos. Para se entender, exemplificar e melhor visualizar a veracidade e seriedade disso, é suficiente pensarmos o quanto é difícil e raro (pelo menos por enquanto), encontrarmos ou ouvirmos falar em “bandos”,”gangues”,”tribos”, ”quadrilhas”, ou “galeras”, compostas de médicos,engenheiros,dentistas,psicólogos e de outros profissionais;que andem por aí, pichando,destruindo,depredando os bens públicos e particulares e, muito menos, atacando,agredindo,roubando e matando pobres e desamparados transeuntes nas ruas de quaisquer cidades do mundo.  Lembre-se que a falta de cultura, o não-saber, o desconhecimento dos fatos da Natureza, que  são os fundamentos da Ignorância; e, esta é a geradora da Frustração; que, por sua vez, impulsiona o indivíduo inculto à agressividade, a violência e todas as conseqüências funestas que resultam dessa falta de Consciência da realidade. Não estamos querendo afirmar que as pessoas de Cultura e Saber, não possam ser agressivas e violentas! Não se trata de generalizar! Entretanto, as pessoas que acumularam conhecimentos no cérebro e têm mentes ricas, quando se tornam agressivas ou violentas, são em razão de patologias psicobiológicas; enquanto o ignorante o é, mesmo que seja são, e não sofra de distúrbios internos. A agressividade e a violência dos ignorantes são frutos da Frustração quando, inconsciente ou conscientemente, percebem a sua incompetência mental-cultural que o inviabiliza ou dificulta o seu bem-estar e o seu futuro.   Cuide para que os seus filhos adquiram Conhecimento e nos permitam um Viver Melhor. Para finalizar, vamos dar um último exemplo, dentre os milhares de casos que presenciamos,tratamos e estudamos: um “estudante”, mais ou menos 24 anos, de um curso superior de uma conhecida Faculdade, ao ser perguntado, no dia do Trabalho, sobre Getúlio Vargas, alegou para justificar a sua abissal ignorância, que não sabia quem era ele porque “ainda não tinha nascido”, na  época daquele ex-presidente da República. Esta tão grande demonstração de alienação, não é uma exceção; mas, sim, a regra geral entre moykanos ou não moykanos, naquela faixa etária, em todo o Planeta. Já pensaram nos milhões de “universitários” ignorantes como este que estão se formando nos milhares de Faculdades, Escolas Práticas e em  outros cursos ligados à Saúde, como o de Enfermagem, por exemplo!  Muitos deles irão, com pouco conhecimento e ignorantes, ministrar medicamentos, aplicar injeções, fazer assepsia, transfusões e outros atos equivocados nas caladas da noite em você, em seus familiares e em todos nós, nas enfermarias e UTIs de hospitais desaparelhados e empobrecidos, que não podem pagar profissionais mais capacitados. Se formos nos aprofundar em um só tipo desses problemas, ficaremos enlouquecidos de preocupações. Se deixarmos como está... já sabemos como vai ficar ; e, nem precisamos de Magos e nem de novos Nostradamus.

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Obs.  O autor pede, encarecidamente, a quem ler este Trabalho e se sentir ofendido que, antes de odiá-lo ou desprezá-lo, tente analisar as razões da rejeição e, conforme os resultados da verificação,   
procure, ou não, mudar os rumos da sua vida,estudando e obtendo conhecimentos para afastar a Ignorância e......a Frustração.

Nota: o Autor agradece a colaboração da Srta. REJANE PIMENTA FURTADO, de São Sebastião do Paraíso - MG, que com zelo e dedicação digitou o presente Trabalho; e , da Srta. MARILENE da SILVA, de Caruaru-PE, que nos prestigiou com informações valiosas, de grande valia para este Escrito.
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CARLEIAL. Bernardino Mendonça.

Psicólogo-Clínico pela Universidade Católica de Minas Gerais;
Estudante de Direito da Universidade Estácio de Sá;
Escritor e Pesquisador nas áreas da Psicobiologia e do Direito.




quinta-feira, 18 de agosto de 2011

" O MEDO DA SOLIDÃO "

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 "O MEDO DA SOLIDÃO "


Umas das muitas características negativas do nosso tempo é o temor exagerado da solidão. O medo de ficar-se só e o pavor da rejeição. Nunca as pessoas gastaram e se desgastaram tanto, na ânsia de buscarem companhia física. Mesmo com todo esse empenho e gastos materiais e afetivos, nunca os seres humanos se sentiram tão só, vazios e desamparados. Festas, reuniões, associações, excursões, passeios e diversas outras formas de lazer e acontecimentos sociais são programados e praticados com freqüência, a fim de se afugentar dos corações e das mentes, o espectro da solidão.

Milhares de pessoas se acotovelam em ambientes festivos, cinemas, teatros, ruas, calçadas, praças, barzinhos, botecos, restaurantes, jogos, televisão, novelas, carnaval, além de outros locais recomendáveis ou não; onde buscam escapar de seus vazios existenciais, na ilusão da bebida, drogas e no falso amparo e aplausos dos outros. Outras tantas se sujeitam e se submetem às uniões e acasalamentos negativos e sofridos, somente para não ficar sozinhas, darem satisfação aos demais e demonstrarem que são capazes de atrair alguém. O temor da reprovação alheia é uma constante na atualidade. Essas uniões por interesse ou necessidade são muito negativas, pois logo sobrevêm os atritos e o reconhecimento da superficialidade conjugal, com enormes prejuízos psicobiosocial para os envolvidos e seus descendentes, cujo futuro estará comprometido, com a desestruturação do lar. Muitas pessoas são atendidas por psicólogos e médicos, cujos casamentos ou acasalamentos se efetuaram porque essas pessoas se sentiram “velhas”, “rejeitadas”, “incompetentes”, por estarem sendo criticadas por não terem ainda se casadas, sentindo-se solitárias e incompetentes para a conquista de um real relacionamento amoroso, etc.

Geralmente, nesses casais, as mulheres são a parte mais prejudicada, pois se submetem a vexames e, não raro, à ameaças e à agressões físicas de seus companheiros. O curioso é que apesar dos maus tratos a que são submetidas nesses relacionamentos doentios, muitas delas não se animam a tentarem uma nova forma de acasalamento; as exceções ficam por conta das que tem bom nível cultural e financeiro. Muitas alegam já terem perdido muito tempo na vida e agora não se disporiam a procurar novo parceiro. Vale ressaltar que em muitos casos sofrem carência e dependência financeira, justamente porque não se prepararam, intelectualmente para alcançarem melhores condições econômicas e sociais. Não desenvolveram os seus intelectos e não lapidaram suas inteligências, ou por ignorância dos seus pais, que não lhes valorizaram o “saber” ou por não terem tido condições financeiras para adquirirem o conhecimento ou, geralmente, terem dado mais atenção e cuidados ao exterior de seus corpos que às suas mentes.

Desta forma, sem conhecimento e sem cultura, ficam dependentes de subempregos e com poucas chances de se tornarem independentes. E, assim, serão escravas de seus companheiros, de seus patrões e de suas paixões, com pouca coragem de deixá-los, mesmo subjugadas e sofrendo, por se sentirem incapazes de sobreviverem com as suas escassas condições financeiras. É claro que estamos nos referindo a pessoas de poucas posses e baixa escolaridade; embora haja exceções para ambas as classes sociais; pessoas ricas e cultas, sujeitas e submetidas a relacionamentos negativos e doentios, por diversos motivos como idade, dependência sexual, dependência à beleza física, medo da solidão, estados psicopatológicos, defeitos físicos, etc. Poderíamos citar muitos exemplos de pessoas em situação de penúria física, moral e mental, com graves conseqüências para si, para a família e para o social. O número de solitários e de suicidas aumenta consideravelmente e a depressão tornou-se um fenômeno freqüente e universal. A angústia se apodera dos seres humanos, na proporção da multiplicidade e diversidade de suas tentativas de serem felizes, principalmente com as outras pessoas. Diversas formas artificiais de felicidade foram criadas a fim de afugentar o fantasma da solidão e do abandono (ou da rejeição). O álcool, o sexo, cães, gatos, o consumismo desenfreado e o uso de incontáveis fórmulas químicas de drogas para colorirem artificialmente as mentes imaturas e vazias, notadamente os de menos idade.

O consumismo exagerado de bens materiais é uma falsa e doentia tentativa de preenchimento desse vazio existencial que hoje atinge a maior parte da população mundial. Os homens (todos os humanos) investem nos outros a esperança de eles os fazerem felizes. Acontece que devido a grande ansiedade pelos resultados desse investimento, leva-os a uma forte expectativa de recebê-la do próximo, gerando exigências desmedidas que geralmente o outro não consegue atender. Dependendo de muitos fatores, inclusive da idade, cada experiência negativa (e frustrante), esgotam-se os seus mananciais de “doações”, desejando e esperando somente o retorno desse investimento; quer a níveis consciente e/ou inconsciente. É claro que a felicidade tão almejada tem muita relação com a pessoa do sexo oposto. Esta é a programação natural, ditada e traçada pelas forças instintivas biológicas; não fosse assim, não teríamos sequer prosperado como Humanos. O “crescer e multiplicar-se” não é só um ditame divino; é o destino genético de todos os animais e vegetais. Entretanto, a fonte maior da felicidade encontra-se dentro de cada pessoa, na riqueza e diversidade da sua vida mental; na criatividade e utilidade de seus atos positivos a si, e aos demais seres. A dificuldade está na razão de, quase todos buscarem fora essa felicidade, como se ela fosse alguma coisa extra; algo como uma dádiva do destino; ou, ainda, uma oferenda dos deuses.

A felicidade, que não é mais que o viver adequado do indivíduo no seu meio, é fruto de seu mundo interior, de sua formação, educação, bom senso, maturidade e alguns poucos “rasgos” de sorte. Há homens que, sublimando os poderosos instintos naturais, conseguem a felicidade através da espiritualidade, das artes, da ciência e da religião. O que é raro e difícil de acontecer em nossos dias, devido aos sedutores e atraentes apelos do consumismo, da futilidade e do “pornossexismo” ensinado, divulgado e condicionado pela televisão, internet, filmes e diversos outros veículos que condicionam todos, desde criancinhas até aos mais velhos, à promiscuidade libertina, descarada, escancarada e desenfreada que não encontram limites ou resistência em qualquer autoridade ou em quem quer que seja. As pessoas mental e espiritualmente evoluídas parecem não se importarem ou sofrerem com o isolamento e, ao contrário, muitas vezes até o procuram. O está só é um fato inevitável e inerente à condição humana. A experiência existencial é um fenômeno inexplicável, individual, única, intestemunhável e, sobre tudo, não-solidário. Ninguém é capaz de sentir, concretamente, a dor do próximo, por mais próximo que ele nos seja ou esteja. O máximo que podemos fazer é avaliar a angústia e o sofrimento alheios. Hipotecar solidariedade é o máximo que podemos e devemos fazer. Cada Ser Humano é um mundo à parte; que não se compartilha com ninguém. Nascemos só e, só, morreremos. Não tem nenhuma alternativa ou desculpa. Esta é a maior de todas as provações e frustrações. Nenhum Ser humano vem ao mundo, mentalmente acompanhado; nem mesmo os gêmeos univitelinos. Não existe comunhão mental, a não ser como expressão romântica e literária.

O universo da Mente é infinitamente vasto, complexo e, até agora, pouco explicado e entendido. A vivência de cada Ser é única, indivisível, intransferível e impartilhável. A ontogênese nos ensina que, desde a sua origem até o final de sua existência o ser humano é mentalmente só e sozinho caminhará. Este é o destino do homem. Mesmo quando gera muitos descendentes, um casal sente que não os criou para si; mas, para o Mundo. E, este fato está cada vez mais desumano, com os filhos abandonando os pais, seduzidos pela miríade de atrações do mundo fantasioso do sexo, das drogas, da riqueza fácil e da beleza exterior fugaz, propagadas pelos filmes, pela televisão, cinema, revistas e outros condicionadores das mentes infantis e dos imaturos de qualquer idade, raça, classe social, cor, seita e religião. Os filhos seguirão os seus próprios caminhos e os pais estarão novamente sozinhos, como no princípio. É perfeitamente genético e biológico que os pais queiram, inconscientemente, manter os seus filhos em torno de si, a fim de tê-los em sua companhia até o final de suas vidas. Isto é aceitável e faz muito sentido, considerando os aspectos psicológicos, genéticos e biológicos. Mas, este é outro assunto que no momento foge da pretensão deste Trabalho. Porém, apesar da solidão psicológica e desamparo biológico que nos esperam no inevitável final da existência; temos meios para minimizar esse estigma e dilema existencial. O segredo está no enriquecimento interior, com o cultivo da sabedoria criadora que é o único espantalho das vicissitudes da progressão etária. Albert Einstein, em uma de suas últimas entrevistas, afirmou que era feliz porque não precisava de ninguém. O grande cientista buscava o isolamento que lhe proporcionava paz, genialidade e criação. Einstein, por si próprio se completava; dependia pouco dos demais, devido ao seu vasto enriquecimento interno que lhe proporcionou um vigoroso consciente mental, capaz de controlar e neutralizar os impulsos primários e animalescos do seu Inconsciente. Este controle é raro em nossos dias quando a maioria dos humanos é condicionada e levada a se comportar imitando os atos perniciosos e negativos de bilhões de imaturos, doentes e degenerados do mundo inteiro, cujos exemplos nocivos nos são mostrados e condicionados pelos meios de comunicação, principalmente pela televisão e seus “descendentes” e “ascendentes”, como os vídeos, os filmes, revistas, alguns tablóides, internet e certas peças teatrais.

Ao se sentir sábio e criativo, o indivíduo torna-se seguro e não teme o “encontro consigo mesmo” nos inúmeros e inevitáveis momentos de solidão e desamparo que a vida nos reserva. Quando a pessoa é vazia, carente de conhecimento e de cultura, não dispõe do poder criativo que uma mente repleta de conhecimento pode proporcionar-lhe. Ela sente necessidade freqüente do amparo alheio, é uma pessoa dependente. Esta dependência provoca diversos comportamentos que buscam assegurar a sua estrutura e a sua estabilidade psicofísica. Isto, é muito difícil de se obter, considerando que a segurança interna é fruto de um processo mental que se relaciona com o conteúdo da mente, num dinamismo intenso desde a vida intra-uterina até a morte do indivíduo. Quando esta dinâmica mental está empobrecida, principalmente por carência de conhecimento (este, é o alimento da mente), a pessoa assim carente não terá um comportamento adequado à sua própria sobrevivência; não será feliz e prejudicará, também, os semelhantes, o meio ambiente e toda sociedade. Neste estágio mental, o vazio existencial se estabelece, forçando a pessoa a valorizar mais as coisas externas como o corpo, os adornos, o sexismo, o exibicionismo corpóreo e material, o insaciável consumismo, as fugas alucinógenas e toda espécie de subterfúgios neuróticos e, até psicóticos. Neste ponto, como é costume nosso, citaremos exemplos clínicos de casos que demonstram, na prática, a realidade do que afirmamos, com o fim de esclarecer àqueles que costumam culpar o “destino”, a “má-sorte” , o “sistema”, o “Governo” e os “outros”; por suas mazelas existenciais.

-Há tempos, uma jovem mulher de 29 anos, procurou o tratamento psicoterápico com o seguinte histórico de vida:
Filha de uma família de classe média, desde mocinha utilizou a sua beleza exterior para conquistar e variar de parceiros, com os quais teve muitos prazeres e …decepções. Foram vãos os apelos, súplicas e esforços de seus pais para que estudasse e se dedicasse ao cultivo de sua inteligência, espiritualidade e riqueza interior. Seu interesse limitou-se ao sexo, às futilidades físicas exteriores, consumismo de cosméticos, acompanhamento de novelas e outros lixos mostrados na maioria dos programas televisivos. Variava de namorados a fim de exibir o seu poder de sedução. Carros e motos barulhentos e exibicionistas era a sua rotina, em passeios, churrascos, festinhas, barzinhos, botecos, balados e outros “programas” com os seus amigos e admiradores antropófagos. Aos 18 anos já tinha “passado pelas mãos” de vários desses “divertidos”, “despreocupados” e “festivos” “caras legais”, como costumava chamá-los. O último desses “gatos”, após abandoná-la, saciado, deixou-lhe muitos “arranhões” e um filho indesejado. A família, temendo as conseqüências de um provável aborto, aceitou o fato, com muitas brigas e críticas constantes por seu comportamento. Continuou com a mesma forma de vida, se divertindo como antes, deixando o filho entregue aos cuidados e despesas dos pais. Tempos depois, começou a ser rejeitada pelos homens, porque o seu corpo já dava sinais de decadência na epiderme, nas suas “curvas”, no seu exterior e no organismo. A família continuava a reclamar-lhe os encargos da criação do filho. Ela, improdutiva e incompetente para prover a sua própria subsistência; sentindo-se não mais atraente e desejada pelos “homens” do seu meio e percebendo a perspectiva da solidão que se avizinhava, aceitou a companhia e a coabitação de um homem de nível mental e social inferior ao seu, para dar satisfação à família e aos outros, bem como lhe proporcionar companhia, apoio afetivo e estabilidade emocional.

Pouco tempo durou o seu sonho de ter uma companhia e não se sentir solitária. O companheiro passou a ter ciúme exagerado e a rejeitar o filho que não era seu, lembrando-lhe, constantemente, que ela já tinha sido “muito usada” por outros; que ela já havia “andado” com homens ricos e que não quiseram “nada” com ela, etc. Agredia-lhe com freqüência e não admitia qualquer interferência ou ajuda da família dela, apesar das dificuldades financeiras e emocionais que atravessavam. Ele se sentia inferiorizado diante da boa situação financeira da sua família, principalmente com relação a um irmão dela que era engenheiro. Este casal permanece com intensos sofrimentos físicos e mentais que desestruturam as suas pobres existências. Mesmo assim, ela continua com o companheiro, acreditando que não encontrará outro homem que a queira, no estado de decadência estética, física e mental em que se encontra.

Neste exemplo, que se equipara a milhares de outros semelhantes que sabemos e outros tantos que desconhecemos. Nele, podemos tirar duas importantes lições de vida. Uma delas é a pobreza cultural que levou à decadência mental e física dessa mulher, impossibilitando-a de fazer escolhas positivas e úteis para alcançar a verdadeira Homeostase; ou seja, o equilíbrio básico,natural e necessário a uma vida digna e edificante para si e para os demais. Assim, desequilibrada, sente-se incapaz de atitudes positivas e de novas procuras, com receio de novos fracassos. Desta forma se submete ao sofrimento, à desestruturação física e mental (e de seus familiares), permanecendo condicionada a uma parceria negativa e perigosa. Outro ensinamento que este caso nos mostra é que seu parceiro, apesar das diferenças sociais e financeiras entre eles, suas mentes têm algo em comum: a falta de conhecimento, cultura e saber. Se ele tivesse cultivado a sua mente, embelezando o seu interior com o conhecimento, instrução e cultura; estaria em melhores condições para conseguir outra profissão que fosse mais segura, gratificante e lucrativa; possibilitando uma vida mais agradável e segura para si, para ela e para os filhos. Segundo informações prestadas pela família do seu companheiro, ele havia recebido incentivo e razoável condição financeira para estudar e progredir intelectualmente. Mas, ele nunca demonstrou interesse em aprimorar o seu intelecto, preferindo (assim como ela) os programas onde a rotina e tema eram sexo, bebida, farra e outras ilusões frustrantes e passageiras. A necessidade de aprimoramento mental, através do estudo, do saber e do conhecimento é de importância vital para a sobrevivência em uma sociedade onde a hipocrisia é generalizada, embora todos neguem isso.

Perguntem aos que exercem profissões ou trabalhos que exigem mais os músculos e a destreza física, como pedreiros e ajudantes, garis, motoristas, lixeiros e limpadores de esgotos e muitos outros que mal recebem cumprimentos daqueles que eles servem em serviços essenciais à saúde, à segurança e ao nosso bem-estar. Quanta solidão não deve sentir esses importantes agentes do bem-estar social, cumprindo as suas missões sem o devido reconhecimento e acolhimento popular. Agora os comparem com o respeito, subserviência e admiração que a maioria tem para com médicos, juízes, engenheiros, deputados, etc. É fácil avaliar-se o grau de hipocrisia, injustiça e desumanidade de muitos que se dizem humanistas, democratas, bondosos e defensores dos direitos humanos. Vê-se, pois, o grande valor do conhecimento, da cultura, do saber e do enriquecimento mental. Exemplo notório disso é o que se passa com os policiais que, apesar de a eles recorrermos nos nossos momentos de insegurança e perigo; nem sequer são cumprimentados quando os encontramos nas ruas, expondo as suas próprias vidas por nós e recebendo ínfimos salários. Esta é a nossa invertida e hipócrita sociedade que admira,bajula e idolatra o inútil e negativo e rejeita,desconhece e desvaloriza o positivo e útil. Vamos dar outro exemplo que demonstra os transtornos causados por uniões motivadas pelo medo da solidão.

-Um homem de 50 anos, que apesar de gozar de uma boa situação financeira, era pobre de informações culturais. Tal pessoa “comprou” uma esposa a fim de não mais ficar sozinho e “cansado” de aventuras sexuais passageiras. O casamento foi efêmero porque as personalidades do casal eram diversas, principalmente porque a mulher, sendo bem mais nova, ainda queria “aproveitar” a vida; conforme afirmara. Enquanto ele estava “cansado” de aventuras; ela queria mais “aventuras”. Da mesma forma que o primeiro exemplo acima, este homem sofre ( e faz sofrer) no seu relacionamento conjugal, mas teme “partir para outra”, receando não dispor mais de tempo para uma nova busca e, assim, acomoda-se a uma situação negativa e maléfica, com medo de vir a ficar só. Por certo as suas condições mentais não lhe asseguram a tranqüilidade para enfrentar o seu vazio existencial, caso venha a ficar sem uma companhia física. É preciso lembrar que nunca se está sozinho quando se tem um “EU” estruturado, rico de conhecimento e criativo. Não é necessário que se “seja um Einstein”; todos têm essa capacidade lactente, basta que cultivemos mais o nosso “interior” (Consciente + Inconsciente), valorizando-o tanto quanto o fazemos com o nosso “exterior”. As pessoas que são esteticamente “bonitas” (fachada exterior) têm muita dificuldade para cuidarem de seus conteúdos mentais (interior); pois, elogiadas e bajuladas pelos outros, não tem tempo para o aprimoramento intelectual, já que este demanda cuidados e despesas com a manutenção dessa “beleza” externa, antes que ela se acabe com a idade, acidentes,doenças etc. Destituídas dessa “beleza” exterior, a tendência é de que essas “beldades” se deprimam e se perturbem de forma psicobiológica, na ausência de admiradores, bajuladores e outros oportunistas sexuais.

São muitos os exemplos de desestruturação mental e física frente à solidão ou da expectativa de se vir a ficar só. Escreveríamos muitas páginas se fôssemos citar os casos clínicos que ouvimos e lidamos relativos ao medo de encarar o afastamento das pessoas; ou seja, o receio de se sentir rejeitado, em qualquer idade. Ironicamente, esse temor é muito encontrado naqueles que têm “muito tempo pela frente”, como as pessoas novas em idade. Há pouco tempo, dizia-me uma dessas de 18 anos, que estava cansada desta vida e que vivia solitária, apesar dos muitos encontros com os amigos e colegas de turma. Mesmo entre os mais idosos, ainda que não tenham tido tempo; não foram motivados ou não tiveram interesse para enriquecerem o interior psicológico, encontram condições mentais para lidarem com a solidão natural dessa fase. A não ser que suas vidas tenham sido bastante inúteis ou negativas. Como já citamos antes, os caminhos reais e seguros para proporcionarem uma estrutura mental capaz de saber enfrentar co naturalidade e vigor a solidão presente ou futura (esta, é inevitável a todos humanos); são os caminhos do Saber, da Cultura e do Conhecimento. As vias do conhecimento, da aprendizagem e da sabedoria são as que nos levam à maturidade mental e à inteligência, que todas as pessoas normais têm, mas poucas a aprimoram e a cultivam. Esses caminhos que nos dão a estabilidade emocional, a paz e a felicidade, são os mais negligenciados em nossos dias.

Atualmente, cada vez mais se mostra e se valoriza a aparência física e a superficialidade das coisas; ao mesmo tempo em que se demonstra, negligencia-se e se desvaloriza os atributos essenciais da existência, que são a inteligência, a riqueza espiritual, mental e psicológica. Se observarmos analiticamente os milhares de rostos que cruzam, por nós, diariamente, nas ruas, praças, avenidas, nas salas de aula, nos locais de trabalho, etc., percebe-se o vazio existencial; a preferência e a atração pelas coisas tolas,efêmeras,volúveis,materiais e superficiais. A essência da vida, que são a Mente e o Espírito foi há muito, rejeitada, escorraçada e até odiada por quase todos. A riqueza e beleza do conteúdo mental e da maturidade espiritual foram e são alcançadas por uma minoria de Homens como o já citado Einstein, Ghandi, Madre Tereza, Irmã Dulce, Freud, Sabin, Fleming e outros poucos da atualidade, que, embora humildes e esquecidos souberam e sabem dignificar a nossa Espécie, com o gênio,trabalho,dedicação e modéstia. Todos eles tiveram ou têm um cérebro anatomicamente igual ao de todos nós. Possuíram ou possuem uma mente rica de conhecimentos, humanismo e saber, que tanto bem nos fizeram e fazem. Mesmo sem o gigantismo intelectual, algumas desses citados acima, se tornaram ricos, interiormente, graças ao dever cumprido como pais, cidadãos e como Pessoa.

Quando o indivíduo não aprimora o seu intelecto por meio do conhecimento, do estudo, da observação da natureza e da pesquisa; permanece bruto, incompetente, imaturo e inseguro; o que é um risco para ele e para todos que com ele convive. A dependência, a alienação e a insegurança, tão comuns nos dias atuais; são os sintomas principais que atormentam a existência de bilhões de pessoas no mundo. Nelas se estabelece o vazio existencial, por pressentirem a própria nulidade de suas vidas, causando frustração que é a causa da agressividade e violência constantes e crescentes em todas as sociedades atuais. Vale relembrar que a frustração é causada pelo desejo de ter o que não tenho e, pelo o que eu gostaria de ser e não sou. Quando pobre, interiormente, o indivíduo não tem criatividade, necessitando ou dependente da ajuda dos outros para se conduzirem pela vida. Nessas circunstâncias a pessoa foge do encontro consigo mesmo, evitando ao máximo os momentos de solidão. São estes momentos que induzem a pessoa à meditação, que é o voltar-se para dentro de si. Alguns, por sua nulidade, temem tanto o futuro que chegam a negar ou diminuir a sua idade, tentando enganar a si mesmos. Ora, se a pessoa se encontra vazia, sem conteúdo e alienada ( o que acontece com a grande maioria hoje), cedo ou tarde perceberá a inutilidade e banalidade de sua existência, o que é uma verdadeira “traição” à essência da vida, cuja criação lhe dotou de um órgão maravilhoso,supremo,ímpar,único e transcendente que é o cérebro. Com uma capacidade quase infinita de gravar acontecimentos, de estocar e manipular dados suficientes para capacitar qualquer pessoa a ter uma vida plena, feliz em comunhão com os outros e com o planeta. A capacidade do cérebro é tão grande que já se postulou ser ele capaz de reter mais informações que todas as bibliotecas do mundo. Como o órgão gerador da mente, ele controla todas as atividades vitais, dentro e fora do organismo.

De fato, todos os acontecimentos do mundo estão sob o controle do cérebro, com exceção dos eventos da natureza. Quando ele está carente de informações a sua produção mental se torna pobre e deficiente, tornando o seu portador vazio, existencialmente, independente de ele ter riqueza material, poder ou beleza física. Daí, o grande receio da solidão, do isolamento e da rejeição, sentidos pela maioria das pessoas, principalmente entre os mais novos e mais velhos em idade, quando se encontram mental e espiritualmente vazias. Qualquer perda de amizade ou de rejeição amorosa, logo é sentida como uma catástrofe que os leva ao sofrimento, ansiedade e à depressão. A pessoa sente angústia, ansiedade, somatização e grande desejo de logo procurar outra amizade, companhia e parceiro, a fim de não pensar no próprio “Eu”; isto é, foge de si mesmo com receio de “encarar” a própria nulidade existencial. Essa pressa de sair da solidão é devida, também, à necessidade de dar satisfação aos outros, de mostrar ao mundo que é capaz de atrair outro; mesmo que esse outro não possua nenhum atributo positivo interior; pode ser até uma “mula quadrada”; desde que tenha dinheiro ou boniteza externa. Há algum tempo, nos foi mostrado um caso clínico que relaciona o temor da solidão com o sofrimento e a desestruturação.

Uma moça nova em idade e considerada bonita, vinda do Interior, não via problema em ficar sozinha, sem namorado ou isolado dos demais. Ela não se preocupava em buscar, ansiosamente, amizades masculinas a fim de se exibir perante os outros. Como disse, gostava de ficar sozinha em sua casa, lendo,estudando e cuidando da casa. Com pouco tempo de permanência na Capital, passou a ser criticada e pressionada por seus colegas de trabalho, de estudo e por alguns parentes; para arranjar um namorado, companhia, principalmente masculina. A pressão foi aumentando e as críticas se avolumando ao ponto de insinuarem que ela “não gostava de homem”. Passou a mentir e fingir que tinha um namorado somente para dar satisfação aos outros. Com o tempo e para fugir da grande pressão e das críticas dos conhecidos, parentes e “amigos”, não resistiu e se entregou às barulhentas, ensurdecedoras e esfumaçadas “baladas” das noites moykanas. Hoje, aquela moça “bonita” que veio do interior para estudar e melhorar de vida, está casada com um dependente de drogas, que de vez em quando e de quando em vez lhe agride, vivendo, basicamente do parco salário dela. Deprimida, psicossomatizada e bastante debilitada, sem a mesma boniteza física de antes, não sente ânimo para empreender nova caminhada em busca da felicidade. O estranho é que todos aqueles que a pressionaram para as “boas” companhias nas “baladas” noturnas; sumiram, deixando-a na pior: a solidão conjugal. Seria oportuno lembrar outro problema que comumente surge com as pessoas que se deprimem vivenciando a solidão; ou, na perspectiva de virem a ficar desacompanhadas. Pessoas que ficam na “fossa” com facilidade, que precisam sempre estar em companhia de outrem, enfrentam um grave problema que é o da psicossomatização.

A atuação da mente, principalmente através do Inconsciente cerebral, se efetua pelo sistema nervoso “autônomo”, proporcionando o aparecimento de inúmeras enfermidades mentais e físicas. O sistema endócrino atua com muita rapidez por todo o organismo sob os impulsos da mente. Raramente encontramos uma pessoa com um histórico de depressão ou qualquer outro distúrbio mental severo ou crônico, que não apresente também um “leque” de queixas somáticas e hipocondríacas. Uma existência saudável, tranqüila e feliz, tem como pré-requisito uma vida interior rica e sábia. Uma mente madura, capaz de adequar-se às vicissitudes que inexoravelmente nos virão, no decorrer da existência de cada um. É bom lembrarmos que nos dias atuais os fatores negativos e nocivos tendem a se acentuarem; enquanto que os acontecimentos positivos ficam mais escassos. A tendência é cada vez mais nos defrontarmos com obstáculos que… com facilidades. Ninguém pode garantir que o nosso viver seja mais feliz no futuro; aliás, nem sabemos que teremos algum futuro. A extrema competição que os homens conhecem e pior verão em futuro próximo, gerará feroz e animalesca agressividade que não conhecerá limite. Não estamos afirmando, neste Trabalho, que somente as pessoas cultas, sábias ou “doutas”, têm chances de melhor se adequarem à vida; embora, de fato, estas tenham mais facilidades para tal. São sábias e cultas, também, aquelas pessoas que embora não tenham ou tiveram vida acadêmica e literária, possuem a sabedoria da observação, simplicidade, humanismo, criatividade e trabalho profícuo e honesto. São algumas daquelas que habitam os lugarejos distantes do Interior; os da “roça”, que na singeleza de suas aparências, representam uma força autêntica, viva e produtiva da Nação.

Elas são exemplos do “encontro” salutar e corajoso com a “velhice” e a solidão. Essas pessoas não temem o isolamento, mesmo na idade avançada e nem tampouco necessitam de drogas alucinógenas para fugir dos “fantasmas” que assombram as mentes dos vazios, nulos e imaturos de qualquer idade. Eles criam e produzem, por isso não se atormentam diante do inevitável encontro consigo mesmo. De fato, conhecemos muitos homens (quando falo “homem”, me refiro aos dois sexos) da “roça”, trabalhadores rurais que se encontram sozinhos devido a separação,viuvez ou pela saída dos filhos de casa. Observando e conversando com eles, verificamos que não temem o encontro com a solidão, mesmo em idade avançada. Não se vê entre pessoas simples a negação ou simulação da idade; eles têm até orgulho de suas existências. Esta tentativa de enganar o tempo é muito comum entre pessoas frívolas e imaturas que estremecem de pavor ao perceberem a própria decadência física e mental. O motivo de as pessoas maduras e sábias não temerem a passagem do tempo e a solidão é o de ter consciência de terem cumprido o seu dever para com Deus e com os homens; sabem que fizeram o melhor para si, para os seus e para os seus semelhantes. Essas pessoas simples possuem a sabedoria da vivência, da natureza e a retidão de caráter. Mas, infelizmente, a maior parte dos seus descendentes não terá a mesma sorte de seus pais, que souberam “amadurecer” com sabedoria e tranqüilidade. A televisão, também, já entrou em todos os lares da “roça”, desestruturando a família rural, com os inúmeros exemplos negativos de sexo irresponsável e promiscuo, consumismo, adultério, corrupção, exibicionismo desenfreado, desvios sexuais, drogas e muitos outros modelos da deterioração humana. É, principalmente, através das novelas, onde os heróis são corruptos e degenerados, quando o Mal prevalece sobre o Bem; levando-os a crerem que o crime compensa e o trabalho e honestidade são desonra e atributos do passado.

Para finalizar, não poderíamos deixar de citar e homenagear um grande exemplo de vida que condiz com a essência deste Trabalho: Helen Keller. Esta mulher, de personalidade ímpar, nos mostrou com o seu modelo vivencial, como está nula e vazia a maioria das pessoas de hoje. Esta grande figura humana, cega, surda e muda desde os seus primeiros anos de vida, veio a se tornar uma das maiores personalidades do mundo. Ficou célebre por seus livros e conferências por quase todos os países. Viveu sozinha com a sua fiel amiga Anne Sullivan (outra grande mulher), até aos 88 anos de idade. Quando esta sua amiga morreu, em 1953, Helen Keller ainda viveu por muitos anos, inteiramente sozinha! Aliás, sozinha não! Teve a melhor das companhias: ela mesma. Já em idade muito avançada, costumava dizer: “espero feliz a chegada do outro mundo, onde todas as minhas limitações cairão”.

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Este Trabalho foi escrito e publicado em Belo Horizonte, em fevereiro de 1986. Posteriormente veio a ser atualizado, em parte, para melhor condizer com a presente realidade.
Belo Horizonte, 14 de fevereiro de 1986;

Carleial. Bernardino Mendonça.

Psicólogo-Clínico pela Universidade Católica de Minas Gerais;
Estudante de Direito da Universidade Estácio de Sá;
Escritor e Pesquisador nas áreas da Psicobiologia e do Direito.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

"PERCEPÇÃO EXTRA-SENSORIAL" E "SEXTO SENTIDO"



                 “PERCEPÇÃO  EXTRA-SENSORIAL”  E  “SEXTO SENTIDO”

            

Muitos de nós conhecemos a forma de o nosso cérebro captar as informações do meio ambiente para o seu interior, a fim de criar e manter a nossa extraordinária vida mental. É por meio dos cinco sentidos: visão, audição, gustação, olfação e tato, que logramos conhecer o nosso mundo exterior e as condições internas do nosso organismo. Deste modo, o sentido da vida animal, principalmente dos humanos, depende das informações que colhemos,armazenamos e conservamos dentro do cérebro; ainda que, no começo da nossa vida, alguns desses conhecimentos e comportamentos são geneticamente adquiridos; como: o automatismo de certos reflexos infantis.

Esta é a forma convencional de o cérebro receber os dados do mundo externo e usá-los da melhor forma possível para adequar à vida o seu portador. Essas informações do meio externo, captadas pelos órgãos dos sentidos, são canalizadas para o sistema nervoso central, em forma de impulsos eletroquímicos, codificados de acordo com as características peculiares de cada estímulo. Chegando ao cérebro, esses impulsos são decodificados e armazenados em locais geneticamente programados, ainda não inteiramente conhecidos; embora já se tenha evidências capazes de logo conhecermos melhor, as formas de gravarmos e retermos os traços de memória, de criarmos os pensamentos, elaborarmos as idéias, etc.  Quando isto acontecer,creio que ficará mais esclarecido o mistério que cerca a mente e, por certo, a fronteira entre o físico e o mental tornar-se-á mais tênua. Desta maneira, é fácil de se ver que o viver inadequado, individual ou social, é conseqüência de um cérebro com pouco conhecimento, escassa cultura e reduzido saber, gravados em seus neurônios e, conseqüentemente, sem condições de criar uma Mente rica, sadia, positiva e útil a si e aos demais.

As exceções dessa pobreza mental que leva a uma vida inadequada e infeliz ficam por conta das deficiências cerebrais genéticas, congênitas, adquiridas ou traumáticas. Mas, é provável que o cérebro possua outras formas de captar os estímulos ambientais, além dos cinco sentidos já conhecidos e citados. Há muito se especula sobre a possível  existência de outros modos de recebermos informações do meio ambiente. Um “Sexto Sentido” vem sendo imaginado por alguns, principalmente por escritores de ficção. Muitas pesquisas foram realizadas a fim de se comprovar a veracidade dessa hipótese, especialmente por estudiosos da Parapsicologia, ramo do conhecimento que se dedica aos fenômenos considerados, ainda, extraordinários. Mas, não é somente a Parapsicologia que estuda tão intrigante assunto. A “Ciência Oficial”, principalmente a Psicologia, vem envidando esforços nesse sentido e os relatos Psicobiológicos sobre as percepções “paranormais” têm se acumulado nos últimos anos.

Em pesquisas mais recentes, as evidências de novas fronteiras perceptivas estão sendo consideradas sob o rigor físico experimental. Nos EUA, há poucos anos, os fenômenos relacionados com o “Estado de Morte Aparente” (EMA), têm sido estudados com muito interesse por pesquisadores da Psicologia e da Medicina, encontrando-se alguns indícios sólidos de que possuímos a capacidade de captarmos e pressentirmos acontecimentos do meio físico, além dos cinco modos naturais que conhecemos. Ouvindo históricos de uma dezena de pessoas, verificamos que o fenômeno da “percepção extra-sensorial” encontra-se mais presente em Mães, nos acontecimentos relacionados com filhos ausentes, doentes, atravessando dificuldades ou passando por perigos iminentes. Este sentimento, condição e pressentimentos maternos, devem-se à grande ligação física, emocional e mental existente, por ter sido ele, o fruto do seu ventre. Embora essa capacidade perceptiva seja mais natural e evidente na mente materna; ela, também está presente, em menor intensidade, nos pais, amigos, parentes e nos verdadeiros amantes, naqueles onde o Amor autêntico reside, de fato. A percepção extra-sensorial ou o sexto sentido é quase exclusivo nas mulheres, pelo motivo óbvio de que somente elas são capazes de gerar filhos (embora, não irá nos assustar se brevemente, alguns homens se engravidarem). Se, de fato, temos mais essa capacidade perceptiva, pouco ou nada explorada nas condições normais da nossa vida; então, descortina-se um rico potencial de novos conhecimentos ...e poderes.  

Exercitar e poder usar novas percepções sensoriais, fazem-nos acenar com uma imensa possibilidade de melhorarmos os relacionamentos sociais e inúmeros outros benefícios práticos. A “extra-sensibilidade” tem sido verificada com maior intensidade nos estados alterados da consciência, como por exemplo, no “estado de coma”. Alguns históricos de fatos desta natureza foram relatados por profissionais que atuam no campo cirúrgico,quando os pacientes estiveram em coma, ou foram declarados, clinicamente mortos. Esses pacientes, ao “ressuscitarem”, fizeram declarações posteriores sobre o que lhes tinham acontecido durante o tempo em que estavam inconscientes, naqueles momentos mais dramáticos de suas existências. Suas estórias guardam evidentes semelhanças entre si; e são impressionantes no que tange a fatos ainda pouco conhecidos pela Ciência; bem como, pelo mistério que sempre envolveu esses estados de “ausência” e de obnubilação da consciência. As obras escritas sobre o EMA (Estado de Morte Aparente) provocaram grande polêmica nos meios científicos e leigos. De modo geral, há muita descrença entre os primeiros, porque as conclusões dos autores daquelas obras apoiaram-se em relatos obtidos dos próprios pacientes. Estes poderiam ter feito suas narrações de acordo com as suas crenças, religião e expectativas de vida e de morte. As estórias desses pacientes que relatavam, dentre outras coisas, o encontro com os seus entes queridos já falecidos; poderiam ser apenas, a manifestação alucinatória do grande desejo deles de reverem aqueles que tanto amaram (e amam).

Quem não gostaria de ter, novamente, em sua companhia, as pessoas que nos foram tão caras e amadas, como os nossos pais, irmãos, esposos e os amigos verdadeiros?  O cérebro, nos momentos extremos da vida e em situações fisiológicas graves, pode tornar accessível à mente, o seu vasto estoque de memória, proporcionando a ela a criação instantânea de imagens, sons, odores e outras percepções anteriormente assimiladas. Além disto, as secreções de substâncias químicas especiais pelos neurônios em agonia podem parecer factíveis as manifestações vívidas de seus anseios afetivos mais acalentados. Mas isso, o cérebro e a mente já fazem! Existe comprovação científica desses fatores neuropsicológicos. Entretanto, um caso relatado por um desses doentes críticos, acompanhado por pesquisadores meticulosos, deu margem a outros debates sobre uma provável “percepção extra-sensorial”. Nesse relato, o paciente ao retornar de sua “morte”, contou que havia estado com os seus parentes falecidos e, entre eles, estava um irmão seu, até então vivo e com saúde, antes daquele paciente ser internado no hospital. Acontece que, enquanto ele estava inconsciente,em estado de coma, o irmão falecia em um acidente de trânsito. O paciente não soubera de maneira alguma que o irmão havia morrido naqueles dias. Se ele não foi informado da morte do irmão, não poderia ter qualquer gravação em seu cérebro, relacionada ao acidente que o vitimou, enquanto ele estava hospitalizado e em coma. Como não tinha qualquer informação e gravação do fato, como poderia a sua mente criar uma fantasia, como argumentaram alguns, sobre um acontecimento que nem de leve passara por seu “estoque” de memória?

Isso deu muito que falar; pois é evidente que ninguém pode pensar, raciocinar, fantasiar ou mesmo sonhar com acontecimentos cujos traços não passaram pelo SNC (Sistema Nervoso Central), principalmente fatos dessa natureza! O paciente em foco comunicara-se com o irmão (ou este com ele; ou ambos) por vias sensoriais ainda desconhecidas por nós, evidenciadas em situações especiais da nossa existência. Por tais razões, é importante termos o máximo de cuidado quando estivermos na presença    de alguém em circunstâncias semelhantes. Todos aqueles profissionais que cuidam de doentes terminais ou que estejam inconscientes, devem observar, criteriosamente, o que dizem e fazem diante deles, pois, podem estar captando o comportamento dos que lhe estão ao redor. Mesmo quando uma pessoa encontra-se desmaiada ou simplesmente dormindo; provavelmente terá alguma via sensorial de “plantão”, aberta para o mundo que a cerca; inclusive para a sua proteção; veja o resultado ao  picar  ou queimar,  de leve, alguém que dorme!

Pessoalmente, acompanhei três casos que corroboram o enunciado deste Trabalho e reforçam os milhares de experimentos de outros pesquisadores mais afamados, na área da Neuropsicologia. Nos três casos observados, ouvimos os relatos dos seus protagonistas que passaram pela situação crítica de terem sido, clinicamente, considerados mortos. Eles recobraram a consciência, depois de demorado estado de inconsciência, em coma profundo. O que nos contaram coincidiu não só entre si; mas também, com os relatos de milhares de outros pacientes que passaram por situação idêntica. Os três nos narraram que ouviam e viam o que médicos, enfermeiros e outros que estavam na sala, discutiam sobre os seus estados de saúde e tinham uma razoável apercepção dos acontecimentos que se desenrolavam ao seu redor. Contaram, ainda, que se entristeceram quando os atendentes não lhes davam atenção e, principalmente, quando aqueles falavam de assuntos frívolos,piadas e outros impropérios, alheios aos seus sofrimentos e angústias, diante de seus corpos inertes. Como exemplos reclamaram (sem poder ser ouvidos) quando os seus atendentes os tratavam com descuido, apressadamente, a fim de se “livrarem” deles para cuidarem de seus interesses particulares; discutiam sobre futebol, novelas e banalidades diversas. Um desses pacientes que analisamos, contou-nos que ficara extremamente angustiado ao ouvir os médicos darem-no como desenganado e se apavorou com a idéia de ser enterrado vivo. Ouviram comentários negativos de familiares e visitantes que diante de seus corpos, falaram da gravidade dos seus estados de saúde e alguns outros comentários que jamais deviam ser falados ao leito de um moribundo.

Este Trabalho foi realizado com a intenção que vai além da individualidade. Aos pais, principalmente às mães e seus filhos, seria aconselhável que dessem ouvidos aos seus pressentimentos, evitando determinadas atitudes, viagens, divertimentos, esportes radicais, etc., quando mal pressagiados!  O mais importante, entretanto, é alertar aqueles que assistem ou estejam diante de pessoas nessas circunstâncias extremas da vida. Médicos, Enfermeiros, psicólogos, atendentes, parentes, amigos e visitas devem se abstiver de fazerem quaisquer comentários que não sejam otimistas para o enfermo, mantendo-se numa conduta respeitosa e de esperança na sua recuperação; mesmo que ele tenha sido desenganado, e mesmo, tido como morto.  Comportar-se assim, é, antes de tudo, uma obrigação ética, um dever cristão e de humanidade.

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Belo Horizonte, verão de 1989;
Ouro Preto, verão de 2011.



CARLEIAL. Bernardino Mendonça.

Psicólogo-Clínico pela Universidade Católica de Minas Gerais;
Estudante de Direito da Universidade Estácio de Sá;
Escritor e Pesquisador nas áreas da Psicobiologia e do Direito.