sábado, 21 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
" A IDOLATRIA DA BELEZA FÍSICA "
"A IDOLATRIA DA BELEZA FÍSICA"
Não raro essas exibicionistas se mostram com tamanho despudor que pensamos não mais ser possível criarem novas posições eróticas. A necessidade em se mostrar tornou-se uma obsessão em nossos dias, em todo o mundo. Antes, as pessoas se envaideciam por seu conhecimento, cultura e saber; o que era muito bom e útil para elas e para todos nós. A competição vaidosa entre sábios, leva à descoberta de remédios,inovações tecnológicas,vacinas,utilidades,conforto,felicidade e tantas outras benfeitorias geradas da "vaidade" cultural entre os grandes vultos da humanidade, como: Oswaldo Cruz,Carlos Chagas,Édson,Ford,Bell e tantos outros. Ao contrário, a vaidade moderna se liga aos bens e riquezas materiais, à beleza física e qualquer outro tipo de futilidade. A maioria das mulheres ( e, muitos homens também) , principalmente adolescentes, está obcecada na exibição pública de seus corpos. Estamos na Era do Umbigo; no tempo (e Templo) da vaidade,do exibicionismo material,do narcisismo patológico, do voyeurismo e, logicamente, na Era da tolice, da nulidade, do vazio existencial,do niilismo global ,da depressão e...do suicídio físico,espiritual,mental e moral ! A regra do nudismo-pervertido está generalizada. Desde as mais humildes até às mais sofisticadas, a preocupação maior é a de exibir a anatomia externa, principalmente quando tem alguma "saliência" ou algum atributo físico exagerado (mesmo que por uma aberração genética), que seja "atraente" para o sexo oposto (ou até mesmo para o mesmo sexo).
As ruas se tornaram passarela de um constante desfile estético, cuja submissão à moda, atesta a nulidade interior dos seus seguidores, cuja racionalidade deixa muito a desejar. Deixar-se levar pelos outros, pelo modismo desenfreado e furta-cor do momento, demonstra a imensa decadência mental e cultural da maioria das pessoas deste nosso pobre tempo. Às vezes a roupa está em flagrante desacordo com o clima ambiente e com o estado fisiológico e financeiro do exibicionista. Entretanto, permanece usando-a, até que outro vendedor de moda resolva ditar e impor novas regras no jogo exibicionista. A exploração do corpo, principalmente do feminino tornou-se o filão comercial explorado por todos. Em nossos dias, o contorno epidérmico da mulher considerada "bonita", está vendendo tudo, nas múltiplas facetas da publicidade mercantil, influenciando as mentes frágeis das numerosas pessoas imaturas. É claro que todo homem normal aprecia a nudez feminina! O que nos impressiona, como clínico, é o condicionamento do valor humano à epiderme, às formas físicas das pessoas; logo hoje, que se fala tanto em valores humanos e dignidade das pessoas! Essas discrepâncias e incoerências estão de acordo com a imaturidade e desequilíbrio da maioria das pessoas que escolheram como ídolo o exterior, o invólucro e a casca do seu semelhante. Preocupa-nos muito a origem e as conseqüências desse desenfreado exibicionismo corpóreo. A justificativa comumente que se ouve, para tal comportamento, é a de esses exibicionistas estão se mostrando para eles mesmos; se "embelezam" para si; por pura satisfação pessoal, suprindo dessa forma um gosto e prazer individuais. Parecem-nos remota as possibilidades de alguém mentalmente são; se enfeite e se exiba para ela mesma. Isto é, uma pessoa que sai à rua vestida de forma a exibir o seu corpo, estaria, unicamente, satisfazendo o seu "Ego"! Seria muita ingenuidade aceitar-se tal premissa; pois estaríamos negando as necessidades inconscientes, peculiares à mente humana, principalmente às das pessoas imaturas; que é a da maioria desfilante. Na busca da aceitação, por se sentirem vazias, dependentes dos aplausos e da aceitação dos outros. Cada vez mais as pessoas necessitam mostrar aos demais, aquilo que elas acham ser o mais importante, nelas mesmos. Alguns (poucos), mostram conhecimento e saber; outros, ostentam riqueza material e, a maioria, exibe seus corpos como seu único valor demonstrável. O carnaval; os concursos de beleza; as revistas, os jornais, a televisão e a internet, comprovam muito bem essa carência mental e espiritual.
A valorização excessiva do corpo não é mais que o corolário do sentimento interior de nulidade e vazio existencial, sentido e pressentido pelo exibicionista. Quem se sente realizado como Ser Humano, sente-se rico interiormente; pouco ou nada necessitando dos aplausos e aceitação dos demais. Porque o formato do corpo e a pele que o cobre valorizou-se de modo tão intenso e evidente em nossos dias? Por quais razões o conteúdo mental, a alma, o espírito, a sabedoria e o interior pessoal se desvalorizaram tanto? É, que o enriquecimento interno é um processo lento e penoso que exige introspecção,quietude,esforço,dedicação,renúncia, e isolamento, para lapidar o cérebro e a mente ,através do conhecimento e prática cultural . A herança genética constitui-se, tão somente, nos instintos indispensáveis às necessidades iniciais da vida biológica da espécie, como o choro,o sono, a sucção,a fome,etc. O seu aprimoramento decorre do acúmulo de dados captados pelos órgãos dos sentidos:visão,audição,gustação,tato e olfação que são as entradas naturais do cérebro para a percepção do mundo que nos cerca. Sem essa percepção, o indivíduo ficará imaturo, incapaz de sobreviver sem a dependência de outrem; dependência física e ou psíquica. Poucas pessoas dedicam tempo a esse penoso, porém indispensável processo de desenvolvimento interno ou mental. Por esta razão é que vemos tantos, se preocuparem tanto com o invólucro externo, cujos defeitos podem e são mascarados pelos arranjos alegóricos disponíveis na crescente e lucrativa indústria de cosmético e da moda. A maior parte das pessoas desconhece a finalidade do cérebro. Por tal heresia biológica tornam-se mais vítimas que sujeito, de suas próprias e empobrecidas vidas. A exortação apoteótica da beleza física, ao contrário do que muitos pensam, é uma deficiência interna, uma desestruturação mental inconsciente que contribui, severamente para originar diversos transtornos à pessoa e aos demais. Conheço casos de pessoas que eram bonitas antes; e, hoje, ao passar dos anos ,ou devido à doenças ou um acidente desfigurante, sofrem graves conflitos mentais depressivos,motivados pela rejeição daqueles que, antes, as cobriam de ofertas,admiração e bajulação. Sem a força interior da sabedoria elas sucumbem quando desaparecem os seus adornos físicos; ou seja, quando deixam de ser bonitinhas. Muitos terapeutas se ocupam em casos como esses, cujo tratamento é difícil e oneroso. Passemos a analisar, agora, um tipo de discriminação, cuja origem está no excessivo culto da beleza externa.
A Discriminação Estética
É bastante notória, mais na atualidade, a preferência por pessoas dotadas de beleza exterior ou física. Esse tipo de preferência é injusto e fere os direitos humanos; que são muito falados em verso e em prosa, porém, pouco respeitados na prática. A distinção estética discrimina aqueles que não foram contemplados por esses atributos genéticos, sofreram alguma doença degenerativa ou sofreram algum acidente deformador. Essa descriminação é fruto da imaturidade mental que afeta a maioria das pessoas, principalmente as de menos idade, porque se prende a valores e predicados efêmeros e ilusórios. Ninguém, a não serem alguns tipos de psicóticos, duvida da fragilidade do corpo. Um acidente, uma enfermidade e, principalmente, a passagem (cada vez mais rápida) dos anos, encarregam-se de desmoronar a formosura física; é só uma questão de anos; ou melhor...., de dias. Com a ruína externa, muitas vezes desaba também, a estrutura interna, que já se encontrava fragilizada pelo narcisismo. A valorização exagerada do envoltório anatômico prende-se ao próprio sentimento (às vezes inconsciente) de posse e usufruto do corpo alheio, como simples objeto de sexo. A inversão dos valores naturais para os artificiais induzida pelos meios de comunicação, notadamente pela televisão, num condicionamento repetitivo e desestruturante, levou as pessoas carentes de afirmação ao endeusamento e idolatria da Aparência, em prejuízo do seu Interior e dos seus valores humanos mais autênticos. Em tudo, e em quase todos, se nota a idolatria da aparência externa. Nas embalagens das mercadorias, nas aberrações de cores, na enxurrada de cosméticos, na moda que uniformiza e tiraniza, nos apelos comerciais que reduzem os valores da pessoa à sua epiderme, na exposição e oferta do corpo feminino (paradoxalmente criticada, consentida e desejada por muitos) ao consumo dos que se dizem não-manipuladores e igualitários. O mundo não é constituído somente por coisas e pessoas "bonitas" ou "bonitinhas". Grande parte da população é formada por indivíduos com defeitos físicos; por pessoas de peles diferentes e ásperas; muitos são destituídos de contornos esculturais e outros com um imenso tipo de mazelas e, que nem por isso, são menos humanos que os "bem dotados" fisicamente. Muitos destes até superam, em valores humanos , os "bonitos" e "bem dotados". As mulheres, ao mesmo tempo em que induzem e alimentam a discriminação estética, são as suas maiores vítimas. Inicialmente, no frescor da juventude o sexo feminino se beneficia desse seu atributo físico. Mas, com o passar dos anos (cada vez mais rápido),por um acidente ou enfermidade; tornam-se vítimas da falta da beleza que perderam. A beleza exterior sem a solidez estrutural interior; resulta, quase sempre em deterioração mental, quando os seus traços fisionômicos forem afetados pelos diversos fatores externos e internos a que todos nós estamos expostos. Como isto acontece? Novamente nos reportamos à Psicobiologia para nos responder com acerto científico. Repetindo: sendo a beleza física apenas uma dádiva genética, independe da nossa vontade e esforço próprios. Está além do querer consciente o querer, ou, o ser fisicamente bonito e perfeito. Por se tratar de uma dádiva aleatória, a beleza física é efêmera, inconsistente e inconsistente.
Quando alguém valoriza algo que não tem o respaldo da realidade; está se iludindo; deixando de ver a transitoriedade do atributo, sendo, portanto, uma pessoa guiada por seu Inconsciente e, dessa maneira, é uma pessoa imatura. Nela o consciente ( a Razão) perdeu,ou não teve a condição fundamental de sobrevivência , que é a Predição. A capacidade preditiva se verifica graças ao conhecimento do passado e do presente, com todos os estímulos acessórios ambientais, registrados e acumulados no cérebro, que capacita a mente humana na planificação e planejamento da vida futura da pessoa, tornando-o previdente e precavido. A ausência dessa capacidade torna a pessoa insegura quanto ao seu futuro, ainda no presente. Inseguro, portanto, de forma dupla. Todo aquele que escolhe unicamente pelos atributos estéticos, não passa de uma pessoa insegura e vazia, espiritual e mentalmente. Não é de se espantar, pois, que atravessamos uma era de incertezas e, ao mesmo tempo, um período de excessivas sofisticações materiais que não trouxeram, não trazem e nunca trarão a felicidade e paz tão falados e desejados por todos. Inúmeras pessoas capacitadas e ricamente dotadas dos verdadeiros valores morais, espirituais e humanitários são rejeitadas e preteridas do social pelos muitos nulos e apavonados da estética facial.
A Realidade da Vida
_ R.A., 26 anos, filho de fazendeiro, nasceu com um dos braços atrofiado, causando-lhe fortes sentimentos de auto depreciação. Foi crescendo e notando o afastamento dos colegas, principalmente das meninas da sua idade, apesar destas, afirmarem que não tinham preconceitos contra ninguém. Na verdade, todos tinham namorados, menos R.A. Não lhe faltava companhia para os estudos,para as brincadeiras, passeios e conversas; mas, para namorar, não conseguia uma parceira. O pior é que R.A., além do defeito físico que se acentuava com a idade, não era o tipo considerado "gato" pelas meninas, como alguns do seu grupo. Cedo veio morar na Capital e com o apoio do pai, montou um apartamento luxuoso e tornou-se muito festivo. Logo suas festinhas passaram a ser conhecidas e muito freqüentadas por pessoas de sua idade. Fazia festa todo fim-de-semana; com todos os gastos por sua conta(do pai) e os convidados davam-lhe "alegria"e companhia, semanalmente. Falavam de tudo nas suas festinhas, desde "reforma agrária, até de "sexo livre". O esquisito,notava ele,era que, apesar de falarem tanto em "sexo livre"; as meninas não queriam nada de sexo com ele; apesar dos seus desejos,tentativas e...gastos. R.A. conseguiu um vasto círculo de amizade, principalmente do sexo oposto( o que mais queria). O som, no mais alto volume, incomodava com freqüência os seus vizinhos. Seus "amigos" festivos chegavam e saíam pela madrugada, acelerando as suas máquinas" e "rocando" seus estridentes motores; o que lhe valeu algumas denúncias e ocorrências policiais. O tempo foi passando e ele se sentia cada vez mais só; apesar dos seus esforços, despesas, sorrisos e de ser considerado pela turma como um "cara legal". Na verdade, R.A. sempre ficava sozinho, após as sua noitadas festivas, quando todos os seus convidados se retiravam bêbados e/ou drogados, cada um deles "ficando" com uma coleguinha, para a sua tristeza,ciúme,inveja e frustração. Para o desespero de R.A., nenhuma garota lhe dava nada, além dos dois beijinhos em sua face corada. As mais desejadas por ele, se "amarravam" mesmo era nos garotões mais "bonitinhos" e nos esteticamente normais. Pobre R.A.; sempre se sentia rejeitado e sozinho, com o seu defeito estético, cheio de fantasias eróticas com as suas coleguinhas, a duvidar da solidariedade dos jovens, tão falada e propagada por suas convidadas. Ele também notou que raramente era visitado ou tinha companhia feminina, quando não fazia as suas festinhas. Quando lamentava o seu defeito físico e a falta de beleza estética, os outros sempre corriam a consolar-lhe com palavras bonitas de solidariedade, consolo e incentivo, apontando a sua "simpatia" e "solidariedade" com os colegas que ele tanto ajudava nos trabalhos em grupos, etc., (R.A., era muito estudioso). Mas, apesar de tanta oratória de consolo que as coleguinhas lhe ofertavam, o que ele realmente queria, era sexo; muito sexo mesmo (estava muito carente). Mas elas só queriam satisfazer-se com os seus amiguinhos mais "bonitos" e "gatões" da turma. Hoje, com 26 anos, solitário, impedido de atrair as garotas com as suas festinhas ( o pai cortou-lhe metade da mesada), ele se encontra sob forte depressão, sob risco de atentar contra a própria vida. Seus festivos e barulhentos "amigos" deixaram de visitá-lo, salvo uns poucos, menos estéticos, solidários na rejeição estética.
-N.S.:, de 24 anos, foi salva do suicídio(após uma tentativa), graças a presteza do atendimento psicoterápico. Está muito abatida e magra. Nem de longe lembra a beleza física que tanto atraía a moçada, há alguns anos. Aproveitou-se (contou ela) de seu contorno epidérmico por apenas 10 anos. Nunca imaginou que o tempo iria lhe passar tão depressa. Julgava-se bonita para sempre. Aos 14 anos era considerada a garota mais bonita de sua cidade. Era desejada por todos (ou quase todos) homens dali. Era muita "convencida", diziam muitos. Começou a sair, ora com um e ora com outro; procurando na variedade erótica precoce, o prazer efêmero das ilusões coloridas da sua imaturidade mental. Na escola, desfilava lascivamente, pelos corredores e pátio, vendo e sentindo os olhares "gulosos" dos seus colegas, de toda a idade. Isto era o máximo que desejava, "inflando" o seu Inconsciente narcisista dominante. Estava sempre cercada pelos "caras" mais ricos e mais "bonitos" e com eles estava sempre envolvidas nos encontros furtivos,em barzinhos(onde aprendeu os "bons costumes" de fumar,bebericar e outros menos saudáveis), festinhas ,etc. Seus pais se mudaram para um grande centro e N.S., mudou de palco e de...platéia. Continuou a receber elogios e favores duvidosos de admiradores que espreitavam e cobiçavam as deliciosas curvas e arremates cuidadosos do seu, sempre, exposto corpo. Ela se deliciava em saber-se desejada por tantos e tantas. Um séquito de homens a acompanhava para onde fosse; obviamente, interessado apenas em sexo (iguais aos machos dos animais inferiores, que acompanham e brigam pela fêmea, quando no cio). Noites sem dormir, barzinhos, botecos, bebidas, churrascos semanais, sexo variado e promíscuo, etc.; foram marcando o corpo e a sua mente. Um dia, por insistência dos seus colegas e "amigos", para não desapontá-lo e não ser chamada de "quadrada", N.S. fumou o seu primeiro "baseado". Daí foi um "pulo" para a dependência de drogas variadas. Então, rapidamente, foi perdendo a sua atração, a sua saúde e a sua única força atrativa e seu único valor: a beleza física! Fora a Estética, o que mais tinha ela a oferecer? Esgotou-se o seu manancial erótico e se viu solitária, engravidada, rejeitada e destruturada no físico e na mente. Quase todos os seus admiradores, fãs e "comensais" se afastaram por ela não ter mais belos traseiros, dianteiros, pernas, coxas e miúdos; tal como são exibidas aos fregueses, as diversas partes bovinas nos balcões dos açougues. Segundo nos confessou: "os homens acabaram com a sua beleza e saúde"! Quando procurou a terapia, N.S. estava muito deprimida e sem ânimo para viver; assim como muitas outras, sem conteúdo interior, vítimas da imaturidade mental e da discriminação estética; algozes de si mesmas.
Conversando com famílias do Interior, ouviam-se, com freqüência, relatos sobre "moças bonitas" que deixaram seus lares e cidadezinhas para se prostituírem nos grandes Centros; condicionadas e ludibriadas pelos exemplos negativos das novelas e comerciais da televisão que enaltecem e idolatram os atributos físicos e externos das pessoas. Quantas pessoas capacitadas, principalmente femininas, são rejeitadas para determinadas funções e empregos, unicamente por serem consideradas "feias"? Quantos outros são bem aceitos, bajulados, cortejados e indicados para empregos, apenas por seus dotes físicos exteriores! Muitos até incompetentes e incapacitados para esses empregos; mas, como são fisicamente "bonitos" e atraentes são colocados no lugar de quem tem competência,honestidade e capacidade para exercerem as mesmas funções; mas, não é"bonita" por fora!
As Raízes do Mal
A formação vem do berço, diz o ditado popular. Com efeito; a criança é condicionada pelos adultos que a rodeam. E esses primeiros adultos e modelos; são os pais. Estes são os seus mais importantes exemplos, principalmente a mãe, com relação à filha e o pai, com respeito ao filho. Aí residem as principais causas de todo comportamento futuro da criança, do adulto e do futuro cidadão maduro ou imaturo; consciente ou inconsciente; negativo ou positivo; animal ou Ser Humano; útil ou nocivo à Humanidade. No que toca ao exibicionismo estético e a sua idolatria; temos que, quando uma mãe veste a sua filha pequena, de forma a expor o seu corpo, esta mãe está projetando na criança os seus desejos exibicionistas, narcisistas e eróticos. Ela está usando a filha para aquilo que gostaria de fazer; mas, que se o fizesse, encontraria resistência e crítica de outras pessoas. Essa mesma mãe andando nas ruas com a sua filha de saia curta ou justa, por exemplo, canaliza para si (de forma inconsciente ou mesmo sabendo) os olhares lascivos e desejosos dos homens , que a filha possa atrair. Vejam o quanto um distúrbio mental se liga a outro! Imaginem, quantos doentes, desajustados e maníacos sexuais estão soltos no meio da multidão e daqueles que estão expiando o corpo da filha desta mãe! Multiplique este fato pelas vezes que as mulheres fazem isso com as suas crianças com o número de indivíduos inconscientizados e desestruturados no mundo inteiro! Aí, vemos um dos fatores comportamentais que levam à prostituição, à idolatria do corpo, à miséria material e mental que tanto assola a humanidade. Na maioria das vezes as mães que procedem assim com as suas filhas; são mães imaturas, sem o conhecimento das bases do comportamento negativo e pouco ou nada sabem das motivações que as levam a agir dessa forma doentia. Uma criança assim formada ( e são milhões e milhões) será um adulto imaturo e, conseqüentemente, inseguro,tanto quanto os seus pais. Dá para se avaliar a quantidade de pais e filhos imaturos e mentalmente desestruturados na nossa sociedade e no mundo.
O que se deve esperar deles? Se o indivíduo, principalmente a mulher, possui os atributos físicos desejados; se o seu corpo for atraente para os homens e vice-versa, condicionados que estão para verem somente o lado externo do outro,; tornar-se-á um exibicionista até que entrem em decadência esses mesmos atributos físicos que lhes dava boniteza e servia de "isca" para atrair indivíduos imaturos e volúveis. Quando a degradação física vier, seja pela idade, por doença, pelo uso de drogas e vícios ou por algum acidente ( que pode nos acontecer a qualquer momento da vida), a pessoa "bonita" sofrerá a rejeição daqueles que antes a desejavam e, que agora, irão em busca (à "caça") de novos corpos, mais novos e bonitos, a fim de satisfazerem as suas lascívias e fantasias sexistas . Quando aquela criança, exemplificada acima, tornar-se adulta não apresentar seu exterior físico de acordo com o padrão de beleza tipificado, exigido e condicionado pela sociedade; ela será rejeitada e corre o risco de ser depreciada de maneira material, social e moral; além dos transtornos psíquicos que poderão atormentá-la por toda a vida; como nos dois exemplos clínicos citados acima. Ela, mesmo destituída dessas "belezas" físicas, poderá suplantar a "deficiência" com o enriquecimento interior,fortalecendo a sua mente Consciente(o Consciente Cérebro-Mental), através do Conhecimento,da cultura ,dos Estudos e do Saber.
Uma pessoa internamente Bela é mais interessante, útil, Formosa e promissora; que, uma centena de beldades unicamente estéticas e cheias de curvas, retas e triângulos eqüiláteros ou obtusos! As pessoas "pouco dotadas" fisicamente são comparadas e confrontadas com aquelas esteticamente "bem-dotadas". São os valores internos,mentais,humanísticos e espirituais que advogamos, cuja constituição dará a segurança necessária para se sentir útil e desejado, não pela efêmera e ilusória embalagem epidérmica; mas, sim, pelo conteúdo rico e duradouro da solidez mental e espiritual; um autêntico Ser Humano. Lembremo-nos que, não raro a beleza física e a permissividade sexual (que difere da liberdade sexual) estão ligadas ao crime, às drogas, às doenças físicas e mentais e à prostituição do corpo,da mente e do espírito. Comumente vemos nos noticiários criminosos famosos com "carrões", iates e mansões luxuosas, cercados por mulheres bonitas, distribuindo largos sorrisos de uma pseuda felicidade que de um momento para o outro poderão ser substituídos por lágrimas e choro, quando forem desprezadas (quando não sofrem o pior) e substituídas por outras mais novas e bonitas. É notório que a beleza externa é seduzida,facilmente, pelo dinheiro e pela fama. Agora, analisemos outros prejuízos e perigos que causados pela beleza física. Pensemos na frustração que sente uma pessoa que vê na rua, no cinema,na televisão,nas revistas,internet e vídeos pornô-eróticos. Essa pessoa sendo pobre, que tenha alguma deficiência física ou mental, que seja "feio"; ou, que seja um excluído social, como mendigos, marginais, tarados, foragidos, etc. Como reagirão tão carentes pessoas ao verem centenas de mulheres desfilando e se exibindo, com seus corpos desnudos,exuberantes,lascivos e provocadores ? Seguramente, em sua mente consciente e/ou inconsciente formar-se-á uma imensa frustração por saber que uma mulher bonita e atraente não vai querer,normalmente, se envolver com uma pessoa que ela percebe não poder lhe proporcionar riqueza,poder e fama. Assim, na cabeça daquele pobre e desesperançado admirador da "beldade", um turbilhão de impulsos nervosos o levarão a tomar duas atitudes: resignação ou agressão. Para se resignar diante de tanta descarga eletroquímica, impulsionadoras de comportamento animalesco-sexual; é necessário que aquele cérebro-mente esteja bastante forte, com um consciente vigoroso para conter e dispersar tanta energia do seu Inconsciente. O que é pouco provável em uma pessoa sem conhecimento, depauperado, revoltado, frustrado e faminto. O que mais deve ocorrer é o ataque à vítima bonita e desnudada, principalmente quando as encontram sozinhas e à noite; como faz qualquer fera faminta. Daí, tantos ataques sexuais. Décadas atrás, o psicólogo americano Eckhard Hess comprovou que as pupilas de um homem se dilatam muito ao verem mulheres nuas e que as pupilas femininas pouco se dilatam ao verem homens nus. Tal fato já havia sido notado, há vários séculos, pelos comerciantes chineses que observavam as pupilas dos seus fregueses para saberem do seu interesse pelas suas "mercadorias".
É provável que muitos homens, com suas pupilas muito dilatadas, estejam "vendo" e tratando as mulheres "bonitas" e sedutoras como "mercadoria" e "objetos" que após o seu uso e desgaste, rejeitam-nas em troca de outras mais "bonitinhas", deixando muitas delas deprimidas e "desgastadas" pelo "mau uso" que delas fazem eles. Devem, pois, as mulheres, aprimorarem as suas mentes para saber distinguir os homens imaturos dos conscientes e responsáveis. Outro problema que merece a nossa análise é quando se expõe o corpo em mostruário público; ele passa a ser visto e avaliado como uma mercadoria que se pode comprar trocar e vender. Exibindo-se desta maneira, as mulheres terão grandes dificuldades em se impor, além de objetos de uso e descarte. . Quando alguém valoriza em demasia a sua casca, não pode exigir que os outros reconheçam e dêem valor ao cerne, ao seu conteúdo; como querem muitos e muitas. Ao terminar este Trabalho, não poderíamos deixar de enfatizar que o nosso propósito foi o de esclarecer a opinião pública (voltado mais para a segurança,saúde e bem-estar feminino), sobre eventos inconscientes,capazes de provocar transtornos mentais e fisiológicos. Focalizamos mais a beleza física porque esta, sem o devido respaldo da maturidade mental, torna-se responsável por grande número de conflitos, notadamente entre as mulheres, alvo preferido pelo condicionamento dos interessados na obtenção de lucros e no prazer sexual dos neuróticos sexistas. Certa vez, atendemos a uma jovem mulher que aos 15 anos tinha perdido a beleza exterior e se encontrava em deplorável estado psicossomático, em decorrência do doentio erotismo precoce, vítima da própria idolatria estética ( dela e dos outros). Focalizamos mais o sexo feminino, neste Trabalho, por causa dos séculos de submissão a que foi submetido, causando-lhe dificuldades ao acesso à cultura científica; razão pela qual, somente agora é que elas estão tendo mais destaque (com muita competência) no mundo científico. Dessa forma, o conhecimento sobre o seu universo mental lhe foi subestimado, restando-lhes, apenas, o cultivo de suas formas externas; do seu lado material subserviente aos homens imaturos de todos os tempos. É lamentável que até hoje, muitas, ainda, se encontram neste deplorável estágio mental. Assim, ficaram vulneráveis frente às vicissitudes da idade, dos defeitos físicos, da genética não-embelezadora e das desfigurações estéticas. Não tivemos a intenção de criticar ou julgar quem quer que seja; pois não somos juízes,puritanos ou salvadores. Focalizamos como terapeuta as causas e efeitos do tema aqui abordado. È claro que nem todas as mulheres encontram-se voltadas, unicamente, para as suas peles. Cremos que muitas "Tereza de Calcutá" passam despercebidas por nós. Seus valores estão além..., muito além da epiderme, onde os olhos vesgos do nosso tempo não alcançam.
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Nota: todos os dados pessoais, citados nos exemplos clínicos acima, foram trocados e modificados em respeito às suas dignidades.
Obs.: Este Trabalho, com algumas atualizações pelo autor, foi publicado no Jornal "O Estado de Minas",em 12 de janeiro de 1986, sob o patrocínio da Jornalista e Editora Anna Marina Siqueira.
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Autor: CARLEIAL. Bernardino Mendonça;
Muitas pessoas famosas aceitam propostas para se exibirem nuas em revistas, jornais filmes, vídeos, etc. Esse tipo de notícia vem se repetindo, há décadas, e com muita freqüência, em nossos noticiários. Mais e mais mulheres conhecidas ou não; ricas ou pobres estão a oferecerem seus corpos desnudados à curiosidade da maioria dos homens e de muitas outras mulheres. Muitas dessas exibicionistas-narcisistas, algumas, até em franca decadência física, concorrem com suas plásticas, "Botox" e outros remendos, nessa imensa vitrine de açougue, onde estão expostos peitos, traseiros, pernas, pés, coxas e miúdos. Deixam-se fotografar e filmar em poses acrobáticas, quase radioscópicas, como se isso fosse a coisa mais importante de suas vidas. Muitas delas possuem fama e dinheiro; todavia, sentem prazer e ganância na exposição dos seus corpos, numa oferenda pública à voracidade fantasiosa e doentia dos imaturos erotomaníacos. Boa parcela dessas mulheres exibicionistas se diz realizada,quando expostas publicamente, são desejadas por todos os leitores e expectadores; nestes, incluindo-se todo tipo de marginal, maníacos sexuais, decréptos, foragidos e degenerados de todo naipe.
Não raro essas exibicionistas se mostram com tamanho despudor que pensamos não mais ser possível criarem novas posições eróticas. A necessidade em se mostrar tornou-se uma obsessão em nossos dias, em todo o mundo. Antes, as pessoas se envaideciam por seu conhecimento, cultura e saber; o que era muito bom e útil para elas e para todos nós. A competição vaidosa entre sábios, leva à descoberta de remédios,inovações tecnológicas,vacinas,utilidades,conforto,felicidade e tantas outras benfeitorias geradas da "vaidade" cultural entre os grandes vultos da humanidade, como: Oswaldo Cruz,Carlos Chagas,Édson,Ford,Bell e tantos outros. Ao contrário, a vaidade moderna se liga aos bens e riquezas materiais, à beleza física e qualquer outro tipo de futilidade. A maioria das mulheres ( e, muitos homens também) , principalmente adolescentes, está obcecada na exibição pública de seus corpos. Estamos na Era do Umbigo; no tempo (e Templo) da vaidade,do exibicionismo material,do narcisismo patológico, do voyeurismo e, logicamente, na Era da tolice, da nulidade, do vazio existencial,do niilismo global ,da depressão e...do suicídio físico,espiritual,mental e moral ! A regra do nudismo-pervertido está generalizada. Desde as mais humildes até às mais sofisticadas, a preocupação maior é a de exibir a anatomia externa, principalmente quando tem alguma "saliência" ou algum atributo físico exagerado (mesmo que por uma aberração genética), que seja "atraente" para o sexo oposto (ou até mesmo para o mesmo sexo).
As ruas se tornaram passarela de um constante desfile estético, cuja submissão à moda, atesta a nulidade interior dos seus seguidores, cuja racionalidade deixa muito a desejar. Deixar-se levar pelos outros, pelo modismo desenfreado e furta-cor do momento, demonstra a imensa decadência mental e cultural da maioria das pessoas deste nosso pobre tempo. Às vezes a roupa está em flagrante desacordo com o clima ambiente e com o estado fisiológico e financeiro do exibicionista. Entretanto, permanece usando-a, até que outro vendedor de moda resolva ditar e impor novas regras no jogo exibicionista. A exploração do corpo, principalmente do feminino tornou-se o filão comercial explorado por todos. Em nossos dias, o contorno epidérmico da mulher considerada "bonita", está vendendo tudo, nas múltiplas facetas da publicidade mercantil, influenciando as mentes frágeis das numerosas pessoas imaturas. É claro que todo homem normal aprecia a nudez feminina! O que nos impressiona, como clínico, é o condicionamento do valor humano à epiderme, às formas físicas das pessoas; logo hoje, que se fala tanto em valores humanos e dignidade das pessoas! Essas discrepâncias e incoerências estão de acordo com a imaturidade e desequilíbrio da maioria das pessoas que escolheram como ídolo o exterior, o invólucro e a casca do seu semelhante. Preocupa-nos muito a origem e as conseqüências desse desenfreado exibicionismo corpóreo. A justificativa comumente que se ouve, para tal comportamento, é a de esses exibicionistas estão se mostrando para eles mesmos; se "embelezam" para si; por pura satisfação pessoal, suprindo dessa forma um gosto e prazer individuais. Parecem-nos remota as possibilidades de alguém mentalmente são; se enfeite e se exiba para ela mesma. Isto é, uma pessoa que sai à rua vestida de forma a exibir o seu corpo, estaria, unicamente, satisfazendo o seu "Ego"! Seria muita ingenuidade aceitar-se tal premissa; pois estaríamos negando as necessidades inconscientes, peculiares à mente humana, principalmente às das pessoas imaturas; que é a da maioria desfilante. Na busca da aceitação, por se sentirem vazias, dependentes dos aplausos e da aceitação dos outros. Cada vez mais as pessoas necessitam mostrar aos demais, aquilo que elas acham ser o mais importante, nelas mesmos. Alguns (poucos), mostram conhecimento e saber; outros, ostentam riqueza material e, a maioria, exibe seus corpos como seu único valor demonstrável. O carnaval; os concursos de beleza; as revistas, os jornais, a televisão e a internet, comprovam muito bem essa carência mental e espiritual.
A valorização excessiva do corpo não é mais que o corolário do sentimento interior de nulidade e vazio existencial, sentido e pressentido pelo exibicionista. Quem se sente realizado como Ser Humano, sente-se rico interiormente; pouco ou nada necessitando dos aplausos e aceitação dos demais. Porque o formato do corpo e a pele que o cobre valorizou-se de modo tão intenso e evidente em nossos dias? Por quais razões o conteúdo mental, a alma, o espírito, a sabedoria e o interior pessoal se desvalorizaram tanto? É, que o enriquecimento interno é um processo lento e penoso que exige introspecção,quietude,esforço,dedicação,renúncia, e isolamento, para lapidar o cérebro e a mente ,através do conhecimento e prática cultural . A herança genética constitui-se, tão somente, nos instintos indispensáveis às necessidades iniciais da vida biológica da espécie, como o choro,o sono, a sucção,a fome,etc. O seu aprimoramento decorre do acúmulo de dados captados pelos órgãos dos sentidos:visão,audição,gustação,tato e olfação que são as entradas naturais do cérebro para a percepção do mundo que nos cerca. Sem essa percepção, o indivíduo ficará imaturo, incapaz de sobreviver sem a dependência de outrem; dependência física e ou psíquica. Poucas pessoas dedicam tempo a esse penoso, porém indispensável processo de desenvolvimento interno ou mental. Por esta razão é que vemos tantos, se preocuparem tanto com o invólucro externo, cujos defeitos podem e são mascarados pelos arranjos alegóricos disponíveis na crescente e lucrativa indústria de cosmético e da moda. A maior parte das pessoas desconhece a finalidade do cérebro. Por tal heresia biológica tornam-se mais vítimas que sujeito, de suas próprias e empobrecidas vidas. A exortação apoteótica da beleza física, ao contrário do que muitos pensam, é uma deficiência interna, uma desestruturação mental inconsciente que contribui, severamente para originar diversos transtornos à pessoa e aos demais. Conheço casos de pessoas que eram bonitas antes; e, hoje, ao passar dos anos ,ou devido à doenças ou um acidente desfigurante, sofrem graves conflitos mentais depressivos,motivados pela rejeição daqueles que, antes, as cobriam de ofertas,admiração e bajulação. Sem a força interior da sabedoria elas sucumbem quando desaparecem os seus adornos físicos; ou seja, quando deixam de ser bonitinhas. Muitos terapeutas se ocupam em casos como esses, cujo tratamento é difícil e oneroso. Passemos a analisar, agora, um tipo de discriminação, cuja origem está no excessivo culto da beleza externa.
A Discriminação Estética
É bastante notória, mais na atualidade, a preferência por pessoas dotadas de beleza exterior ou física. Esse tipo de preferência é injusto e fere os direitos humanos; que são muito falados em verso e em prosa, porém, pouco respeitados na prática. A distinção estética discrimina aqueles que não foram contemplados por esses atributos genéticos, sofreram alguma doença degenerativa ou sofreram algum acidente deformador. Essa descriminação é fruto da imaturidade mental que afeta a maioria das pessoas, principalmente as de menos idade, porque se prende a valores e predicados efêmeros e ilusórios. Ninguém, a não serem alguns tipos de psicóticos, duvida da fragilidade do corpo. Um acidente, uma enfermidade e, principalmente, a passagem (cada vez mais rápida) dos anos, encarregam-se de desmoronar a formosura física; é só uma questão de anos; ou melhor...., de dias. Com a ruína externa, muitas vezes desaba também, a estrutura interna, que já se encontrava fragilizada pelo narcisismo. A valorização exagerada do envoltório anatômico prende-se ao próprio sentimento (às vezes inconsciente) de posse e usufruto do corpo alheio, como simples objeto de sexo. A inversão dos valores naturais para os artificiais induzida pelos meios de comunicação, notadamente pela televisão, num condicionamento repetitivo e desestruturante, levou as pessoas carentes de afirmação ao endeusamento e idolatria da Aparência, em prejuízo do seu Interior e dos seus valores humanos mais autênticos. Em tudo, e em quase todos, se nota a idolatria da aparência externa. Nas embalagens das mercadorias, nas aberrações de cores, na enxurrada de cosméticos, na moda que uniformiza e tiraniza, nos apelos comerciais que reduzem os valores da pessoa à sua epiderme, na exposição e oferta do corpo feminino (paradoxalmente criticada, consentida e desejada por muitos) ao consumo dos que se dizem não-manipuladores e igualitários. O mundo não é constituído somente por coisas e pessoas "bonitas" ou "bonitinhas". Grande parte da população é formada por indivíduos com defeitos físicos; por pessoas de peles diferentes e ásperas; muitos são destituídos de contornos esculturais e outros com um imenso tipo de mazelas e, que nem por isso, são menos humanos que os "bem dotados" fisicamente. Muitos destes até superam, em valores humanos , os "bonitos" e "bem dotados". As mulheres, ao mesmo tempo em que induzem e alimentam a discriminação estética, são as suas maiores vítimas. Inicialmente, no frescor da juventude o sexo feminino se beneficia desse seu atributo físico. Mas, com o passar dos anos (cada vez mais rápido),por um acidente ou enfermidade; tornam-se vítimas da falta da beleza que perderam. A beleza exterior sem a solidez estrutural interior; resulta, quase sempre em deterioração mental, quando os seus traços fisionômicos forem afetados pelos diversos fatores externos e internos a que todos nós estamos expostos. Como isto acontece? Novamente nos reportamos à Psicobiologia para nos responder com acerto científico. Repetindo: sendo a beleza física apenas uma dádiva genética, independe da nossa vontade e esforço próprios. Está além do querer consciente o querer, ou, o ser fisicamente bonito e perfeito. Por se tratar de uma dádiva aleatória, a beleza física é efêmera, inconsistente e inconsistente.
Quando alguém valoriza algo que não tem o respaldo da realidade; está se iludindo; deixando de ver a transitoriedade do atributo, sendo, portanto, uma pessoa guiada por seu Inconsciente e, dessa maneira, é uma pessoa imatura. Nela o consciente ( a Razão) perdeu,ou não teve a condição fundamental de sobrevivência , que é a Predição. A capacidade preditiva se verifica graças ao conhecimento do passado e do presente, com todos os estímulos acessórios ambientais, registrados e acumulados no cérebro, que capacita a mente humana na planificação e planejamento da vida futura da pessoa, tornando-o previdente e precavido. A ausência dessa capacidade torna a pessoa insegura quanto ao seu futuro, ainda no presente. Inseguro, portanto, de forma dupla. Todo aquele que escolhe unicamente pelos atributos estéticos, não passa de uma pessoa insegura e vazia, espiritual e mentalmente. Não é de se espantar, pois, que atravessamos uma era de incertezas e, ao mesmo tempo, um período de excessivas sofisticações materiais que não trouxeram, não trazem e nunca trarão a felicidade e paz tão falados e desejados por todos. Inúmeras pessoas capacitadas e ricamente dotadas dos verdadeiros valores morais, espirituais e humanitários são rejeitadas e preteridas do social pelos muitos nulos e apavonados da estética facial.
A Realidade da Vida
_ R.A., 26 anos, filho de fazendeiro, nasceu com um dos braços atrofiado, causando-lhe fortes sentimentos de auto depreciação. Foi crescendo e notando o afastamento dos colegas, principalmente das meninas da sua idade, apesar destas, afirmarem que não tinham preconceitos contra ninguém. Na verdade, todos tinham namorados, menos R.A. Não lhe faltava companhia para os estudos,para as brincadeiras, passeios e conversas; mas, para namorar, não conseguia uma parceira. O pior é que R.A., além do defeito físico que se acentuava com a idade, não era o tipo considerado "gato" pelas meninas, como alguns do seu grupo. Cedo veio morar na Capital e com o apoio do pai, montou um apartamento luxuoso e tornou-se muito festivo. Logo suas festinhas passaram a ser conhecidas e muito freqüentadas por pessoas de sua idade. Fazia festa todo fim-de-semana; com todos os gastos por sua conta(do pai) e os convidados davam-lhe "alegria"e companhia, semanalmente. Falavam de tudo nas suas festinhas, desde "reforma agrária, até de "sexo livre". O esquisito,notava ele,era que, apesar de falarem tanto em "sexo livre"; as meninas não queriam nada de sexo com ele; apesar dos seus desejos,tentativas e...gastos. R.A. conseguiu um vasto círculo de amizade, principalmente do sexo oposto( o que mais queria). O som, no mais alto volume, incomodava com freqüência os seus vizinhos. Seus "amigos" festivos chegavam e saíam pela madrugada, acelerando as suas máquinas" e "rocando" seus estridentes motores; o que lhe valeu algumas denúncias e ocorrências policiais. O tempo foi passando e ele se sentia cada vez mais só; apesar dos seus esforços, despesas, sorrisos e de ser considerado pela turma como um "cara legal". Na verdade, R.A. sempre ficava sozinho, após as sua noitadas festivas, quando todos os seus convidados se retiravam bêbados e/ou drogados, cada um deles "ficando" com uma coleguinha, para a sua tristeza,ciúme,inveja e frustração. Para o desespero de R.A., nenhuma garota lhe dava nada, além dos dois beijinhos em sua face corada. As mais desejadas por ele, se "amarravam" mesmo era nos garotões mais "bonitinhos" e nos esteticamente normais. Pobre R.A.; sempre se sentia rejeitado e sozinho, com o seu defeito estético, cheio de fantasias eróticas com as suas coleguinhas, a duvidar da solidariedade dos jovens, tão falada e propagada por suas convidadas. Ele também notou que raramente era visitado ou tinha companhia feminina, quando não fazia as suas festinhas. Quando lamentava o seu defeito físico e a falta de beleza estética, os outros sempre corriam a consolar-lhe com palavras bonitas de solidariedade, consolo e incentivo, apontando a sua "simpatia" e "solidariedade" com os colegas que ele tanto ajudava nos trabalhos em grupos, etc., (R.A., era muito estudioso). Mas, apesar de tanta oratória de consolo que as coleguinhas lhe ofertavam, o que ele realmente queria, era sexo; muito sexo mesmo (estava muito carente). Mas elas só queriam satisfazer-se com os seus amiguinhos mais "bonitos" e "gatões" da turma. Hoje, com 26 anos, solitário, impedido de atrair as garotas com as suas festinhas ( o pai cortou-lhe metade da mesada), ele se encontra sob forte depressão, sob risco de atentar contra a própria vida. Seus festivos e barulhentos "amigos" deixaram de visitá-lo, salvo uns poucos, menos estéticos, solidários na rejeição estética.
-N.S.:, de 24 anos, foi salva do suicídio(após uma tentativa), graças a presteza do atendimento psicoterápico. Está muito abatida e magra. Nem de longe lembra a beleza física que tanto atraía a moçada, há alguns anos. Aproveitou-se (contou ela) de seu contorno epidérmico por apenas 10 anos. Nunca imaginou que o tempo iria lhe passar tão depressa. Julgava-se bonita para sempre. Aos 14 anos era considerada a garota mais bonita de sua cidade. Era desejada por todos (ou quase todos) homens dali. Era muita "convencida", diziam muitos. Começou a sair, ora com um e ora com outro; procurando na variedade erótica precoce, o prazer efêmero das ilusões coloridas da sua imaturidade mental. Na escola, desfilava lascivamente, pelos corredores e pátio, vendo e sentindo os olhares "gulosos" dos seus colegas, de toda a idade. Isto era o máximo que desejava, "inflando" o seu Inconsciente narcisista dominante. Estava sempre cercada pelos "caras" mais ricos e mais "bonitos" e com eles estava sempre envolvidas nos encontros furtivos,em barzinhos(onde aprendeu os "bons costumes" de fumar,bebericar e outros menos saudáveis), festinhas ,etc. Seus pais se mudaram para um grande centro e N.S., mudou de palco e de...platéia. Continuou a receber elogios e favores duvidosos de admiradores que espreitavam e cobiçavam as deliciosas curvas e arremates cuidadosos do seu, sempre, exposto corpo. Ela se deliciava em saber-se desejada por tantos e tantas. Um séquito de homens a acompanhava para onde fosse; obviamente, interessado apenas em sexo (iguais aos machos dos animais inferiores, que acompanham e brigam pela fêmea, quando no cio). Noites sem dormir, barzinhos, botecos, bebidas, churrascos semanais, sexo variado e promíscuo, etc.; foram marcando o corpo e a sua mente. Um dia, por insistência dos seus colegas e "amigos", para não desapontá-lo e não ser chamada de "quadrada", N.S. fumou o seu primeiro "baseado". Daí foi um "pulo" para a dependência de drogas variadas. Então, rapidamente, foi perdendo a sua atração, a sua saúde e a sua única força atrativa e seu único valor: a beleza física! Fora a Estética, o que mais tinha ela a oferecer? Esgotou-se o seu manancial erótico e se viu solitária, engravidada, rejeitada e destruturada no físico e na mente. Quase todos os seus admiradores, fãs e "comensais" se afastaram por ela não ter mais belos traseiros, dianteiros, pernas, coxas e miúdos; tal como são exibidas aos fregueses, as diversas partes bovinas nos balcões dos açougues. Segundo nos confessou: "os homens acabaram com a sua beleza e saúde"! Quando procurou a terapia, N.S. estava muito deprimida e sem ânimo para viver; assim como muitas outras, sem conteúdo interior, vítimas da imaturidade mental e da discriminação estética; algozes de si mesmas.
Conversando com famílias do Interior, ouviam-se, com freqüência, relatos sobre "moças bonitas" que deixaram seus lares e cidadezinhas para se prostituírem nos grandes Centros; condicionadas e ludibriadas pelos exemplos negativos das novelas e comerciais da televisão que enaltecem e idolatram os atributos físicos e externos das pessoas. Quantas pessoas capacitadas, principalmente femininas, são rejeitadas para determinadas funções e empregos, unicamente por serem consideradas "feias"? Quantos outros são bem aceitos, bajulados, cortejados e indicados para empregos, apenas por seus dotes físicos exteriores! Muitos até incompetentes e incapacitados para esses empregos; mas, como são fisicamente "bonitos" e atraentes são colocados no lugar de quem tem competência,honestidade e capacidade para exercerem as mesmas funções; mas, não é"bonita" por fora!
As Raízes do Mal
A formação vem do berço, diz o ditado popular. Com efeito; a criança é condicionada pelos adultos que a rodeam. E esses primeiros adultos e modelos; são os pais. Estes são os seus mais importantes exemplos, principalmente a mãe, com relação à filha e o pai, com respeito ao filho. Aí residem as principais causas de todo comportamento futuro da criança, do adulto e do futuro cidadão maduro ou imaturo; consciente ou inconsciente; negativo ou positivo; animal ou Ser Humano; útil ou nocivo à Humanidade. No que toca ao exibicionismo estético e a sua idolatria; temos que, quando uma mãe veste a sua filha pequena, de forma a expor o seu corpo, esta mãe está projetando na criança os seus desejos exibicionistas, narcisistas e eróticos. Ela está usando a filha para aquilo que gostaria de fazer; mas, que se o fizesse, encontraria resistência e crítica de outras pessoas. Essa mesma mãe andando nas ruas com a sua filha de saia curta ou justa, por exemplo, canaliza para si (de forma inconsciente ou mesmo sabendo) os olhares lascivos e desejosos dos homens , que a filha possa atrair. Vejam o quanto um distúrbio mental se liga a outro! Imaginem, quantos doentes, desajustados e maníacos sexuais estão soltos no meio da multidão e daqueles que estão expiando o corpo da filha desta mãe! Multiplique este fato pelas vezes que as mulheres fazem isso com as suas crianças com o número de indivíduos inconscientizados e desestruturados no mundo inteiro! Aí, vemos um dos fatores comportamentais que levam à prostituição, à idolatria do corpo, à miséria material e mental que tanto assola a humanidade. Na maioria das vezes as mães que procedem assim com as suas filhas; são mães imaturas, sem o conhecimento das bases do comportamento negativo e pouco ou nada sabem das motivações que as levam a agir dessa forma doentia. Uma criança assim formada ( e são milhões e milhões) será um adulto imaturo e, conseqüentemente, inseguro,tanto quanto os seus pais. Dá para se avaliar a quantidade de pais e filhos imaturos e mentalmente desestruturados na nossa sociedade e no mundo.
O que se deve esperar deles? Se o indivíduo, principalmente a mulher, possui os atributos físicos desejados; se o seu corpo for atraente para os homens e vice-versa, condicionados que estão para verem somente o lado externo do outro,; tornar-se-á um exibicionista até que entrem em decadência esses mesmos atributos físicos que lhes dava boniteza e servia de "isca" para atrair indivíduos imaturos e volúveis. Quando a degradação física vier, seja pela idade, por doença, pelo uso de drogas e vícios ou por algum acidente ( que pode nos acontecer a qualquer momento da vida), a pessoa "bonita" sofrerá a rejeição daqueles que antes a desejavam e, que agora, irão em busca (à "caça") de novos corpos, mais novos e bonitos, a fim de satisfazerem as suas lascívias e fantasias sexistas . Quando aquela criança, exemplificada acima, tornar-se adulta não apresentar seu exterior físico de acordo com o padrão de beleza tipificado, exigido e condicionado pela sociedade; ela será rejeitada e corre o risco de ser depreciada de maneira material, social e moral; além dos transtornos psíquicos que poderão atormentá-la por toda a vida; como nos dois exemplos clínicos citados acima. Ela, mesmo destituída dessas "belezas" físicas, poderá suplantar a "deficiência" com o enriquecimento interior,fortalecendo a sua mente Consciente(o Consciente Cérebro-Mental), através do Conhecimento,da cultura ,dos Estudos e do Saber.
Uma pessoa internamente Bela é mais interessante, útil, Formosa e promissora; que, uma centena de beldades unicamente estéticas e cheias de curvas, retas e triângulos eqüiláteros ou obtusos! As pessoas "pouco dotadas" fisicamente são comparadas e confrontadas com aquelas esteticamente "bem-dotadas". São os valores internos,mentais,humanísticos e espirituais que advogamos, cuja constituição dará a segurança necessária para se sentir útil e desejado, não pela efêmera e ilusória embalagem epidérmica; mas, sim, pelo conteúdo rico e duradouro da solidez mental e espiritual; um autêntico Ser Humano. Lembremo-nos que, não raro a beleza física e a permissividade sexual (que difere da liberdade sexual) estão ligadas ao crime, às drogas, às doenças físicas e mentais e à prostituição do corpo,da mente e do espírito. Comumente vemos nos noticiários criminosos famosos com "carrões", iates e mansões luxuosas, cercados por mulheres bonitas, distribuindo largos sorrisos de uma pseuda felicidade que de um momento para o outro poderão ser substituídos por lágrimas e choro, quando forem desprezadas (quando não sofrem o pior) e substituídas por outras mais novas e bonitas. É notório que a beleza externa é seduzida,facilmente, pelo dinheiro e pela fama. Agora, analisemos outros prejuízos e perigos que causados pela beleza física. Pensemos na frustração que sente uma pessoa que vê na rua, no cinema,na televisão,nas revistas,internet e vídeos pornô-eróticos. Essa pessoa sendo pobre, que tenha alguma deficiência física ou mental, que seja "feio"; ou, que seja um excluído social, como mendigos, marginais, tarados, foragidos, etc. Como reagirão tão carentes pessoas ao verem centenas de mulheres desfilando e se exibindo, com seus corpos desnudos,exuberantes,lascivos e provocadores ? Seguramente, em sua mente consciente e/ou inconsciente formar-se-á uma imensa frustração por saber que uma mulher bonita e atraente não vai querer,normalmente, se envolver com uma pessoa que ela percebe não poder lhe proporcionar riqueza,poder e fama. Assim, na cabeça daquele pobre e desesperançado admirador da "beldade", um turbilhão de impulsos nervosos o levarão a tomar duas atitudes: resignação ou agressão. Para se resignar diante de tanta descarga eletroquímica, impulsionadoras de comportamento animalesco-sexual; é necessário que aquele cérebro-mente esteja bastante forte, com um consciente vigoroso para conter e dispersar tanta energia do seu Inconsciente. O que é pouco provável em uma pessoa sem conhecimento, depauperado, revoltado, frustrado e faminto. O que mais deve ocorrer é o ataque à vítima bonita e desnudada, principalmente quando as encontram sozinhas e à noite; como faz qualquer fera faminta. Daí, tantos ataques sexuais. Décadas atrás, o psicólogo americano Eckhard Hess comprovou que as pupilas de um homem se dilatam muito ao verem mulheres nuas e que as pupilas femininas pouco se dilatam ao verem homens nus. Tal fato já havia sido notado, há vários séculos, pelos comerciantes chineses que observavam as pupilas dos seus fregueses para saberem do seu interesse pelas suas "mercadorias".
É provável que muitos homens, com suas pupilas muito dilatadas, estejam "vendo" e tratando as mulheres "bonitas" e sedutoras como "mercadoria" e "objetos" que após o seu uso e desgaste, rejeitam-nas em troca de outras mais "bonitinhas", deixando muitas delas deprimidas e "desgastadas" pelo "mau uso" que delas fazem eles. Devem, pois, as mulheres, aprimorarem as suas mentes para saber distinguir os homens imaturos dos conscientes e responsáveis. Outro problema que merece a nossa análise é quando se expõe o corpo em mostruário público; ele passa a ser visto e avaliado como uma mercadoria que se pode comprar trocar e vender. Exibindo-se desta maneira, as mulheres terão grandes dificuldades em se impor, além de objetos de uso e descarte. . Quando alguém valoriza em demasia a sua casca, não pode exigir que os outros reconheçam e dêem valor ao cerne, ao seu conteúdo; como querem muitos e muitas. Ao terminar este Trabalho, não poderíamos deixar de enfatizar que o nosso propósito foi o de esclarecer a opinião pública (voltado mais para a segurança,saúde e bem-estar feminino), sobre eventos inconscientes,capazes de provocar transtornos mentais e fisiológicos. Focalizamos mais a beleza física porque esta, sem o devido respaldo da maturidade mental, torna-se responsável por grande número de conflitos, notadamente entre as mulheres, alvo preferido pelo condicionamento dos interessados na obtenção de lucros e no prazer sexual dos neuróticos sexistas. Certa vez, atendemos a uma jovem mulher que aos 15 anos tinha perdido a beleza exterior e se encontrava em deplorável estado psicossomático, em decorrência do doentio erotismo precoce, vítima da própria idolatria estética ( dela e dos outros). Focalizamos mais o sexo feminino, neste Trabalho, por causa dos séculos de submissão a que foi submetido, causando-lhe dificuldades ao acesso à cultura científica; razão pela qual, somente agora é que elas estão tendo mais destaque (com muita competência) no mundo científico. Dessa forma, o conhecimento sobre o seu universo mental lhe foi subestimado, restando-lhes, apenas, o cultivo de suas formas externas; do seu lado material subserviente aos homens imaturos de todos os tempos. É lamentável que até hoje, muitas, ainda, se encontram neste deplorável estágio mental. Assim, ficaram vulneráveis frente às vicissitudes da idade, dos defeitos físicos, da genética não-embelezadora e das desfigurações estéticas. Não tivemos a intenção de criticar ou julgar quem quer que seja; pois não somos juízes,puritanos ou salvadores. Focalizamos como terapeuta as causas e efeitos do tema aqui abordado. È claro que nem todas as mulheres encontram-se voltadas, unicamente, para as suas peles. Cremos que muitas "Tereza de Calcutá" passam despercebidas por nós. Seus valores estão além..., muito além da epiderme, onde os olhos vesgos do nosso tempo não alcançam.
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Nota: todos os dados pessoais, citados nos exemplos clínicos acima, foram trocados e modificados em respeito às suas dignidades.
Obs.: Este Trabalho, com algumas atualizações pelo autor, foi publicado no Jornal "O Estado de Minas",em 12 de janeiro de 1986, sob o patrocínio da Jornalista e Editora Anna Marina Siqueira.
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Autor: CARLEIAL. Bernardino Mendonça;
Perfil do Autor:
CARLEIAL. Bernardino Mendonça;
Psicólogo-Clínico pela Universidade Católica de Minas Gerais;
Estudante de Direito da Faculdade de Direito Estácio de Sá-BH
Escritor e Pesquisador nas áreas Jurídicas e Psicobiológicas.
domingo, 8 de maio de 2011
" A COSTELA DE ADÃO "
“ A COSTELA DE ADÃO “
“Mandou, pois, o Senhor Deus um profundo sono a Adão,
e quando ele estava dormindo, tirou Deus uma das suas
costelas e pôs carne em seu lugar. E da costela que tinha
tirado de Adão, formou o Senhor Deus uma Mulher.” (Gê-
nesis:2,vv.21-22).
Que me perdoe o Senhor Deus ou os primeiros tradutores das Sagradas Escrituras; tenho comigo a impressão, talvez sacrílega, que se deu o contrário: foi da costela de Eva que o Criador tirou Adão. Por vários motivos que neste Artigo procuraremos demonstrar. Durante décadas temos observado e analisado o comportamento humano sob os aspectos psicológico e biológico, procurando entender as motivações internas que levam ao comportamento exteriorizado, quer positivo e/ou negativo. Na verdade, corpo e mente se fundem e não devem ser estudados e analisados separadamente, como se fazia e, ainda hoje, alguns fazem. Assim, sob o enfoque da Psicobiologia, oferecemos à Mulher este resumido Estudo sobre a “Costela de Adão”. Ou melhor, ofertamos às Mulheres-Mães, neste mês, quando se celebra o “Dia das Mães” e o consagramos a mais Bela e Perfeita de todas as mães: A Santíssima Virgem Maria.
Homenageamos primordialmente as mães que tiveram e tenham como modelo a Mãe do Senhor. Imaginemos o quão perfeita e primorosa foi a educação do Menino Jesus, no seio da Sagrada Família! Podemos vislumbrar os modelos de pais que foram José e Maria, quando aqui estiveram, criando, educando e cuidando de Jesus! Pensemos no exemplo de Mulher, Esposa e Mãe que foi Nossa Senhora para o Esposo e Filho Divino! Ela que amamentou, fez dar os primeiros passos e educou o nosso Salvador! Pois é para as mães como ela que, agora, homenageamos. Comparemos a educação, zelo e formação que a Celeste Mãe deu ao seu Filho, com a formação e educação que a maioria das mães de hoje estão dando aos seus filhos! Ainda, de acordo com as “Sagradas Escrituras”, o homem foi feito à imagem de Deus. É difícil acreditar que nos dias atuais, em qualquer lugar do Planeta, alguma família esteja criando,formando e educando filhos semelhantes à imagem de Deus ! É certo que, pelo menos em algumas pouquíssimas famílias, mães estejam seguindo o exemplo da Mãe de Deus, que tão bem modelou Jesus com o seu exemplo sagrado. Sabemos que existem dessas raríssimas exceções familiares porque ainda estão entre nós alguns membros das famílias de Madre Tereza de Calcutá, de Irmã Dulce, do Papa João Paulo ll e de alguns poucos exemplos da verdadeira educação familiar. É para elas, essas preciosas e escassas mães, que oferto, também, este Trabalho.
Todavia, a dedicatória e homenagem que presto, estão dirigidas a todas as mães, com especial apreço àquelas mães maduras que souberam modelar filhos honestos, patriotas, cultos, competentes, humanistas e cristãos. Mães trabalhadoras, dedicadas, femininas, humildes, pobres ou não que, com os seus exemplos e esforços, nos deram Homens autênticos e úteis à Humanidade. Mães do passado, que ao invés de matarem no ventre os seus filhos, optaram por salvá-los, mesmo quando avisadas por parteiros e médicos que somente um deles poderia ser salvo: Ela ou o Filho! Algumas dessas valorosas Mulheres morreram por eles! Hoje, muitas matam os filhos e por eles são mortas também, por um punhado de moedas para comprarem drogas. Louvamos as mães que sofrendo ao lado de maridos insanos, permaneceram e permanecem firmes na defesa do lar, da família e da própria Nação, que não as merece! Rendemos tributo às esquecidas Mães dos nossos soldados (pracinhas) que entregaram os seus amados filhos (às vezes filhos únicos), para lutarem pela Pátria, em solo estrangeiro, na Segunda Grande Guerra Mundial; de onde muitos deles jamais voltaram aos braços e abraços maternos! Não podemos deixar de homenagear as centenas de mães solitárias, esquecidas e humildes dos policiais, bombeiros e outros profissionais vivos ou que tombaram na guerra diária contra as forças do Mal, protegendo uma Sociedade, enferma, desestruturada, insana e hipócrita que valoriza,enriquece e idolatra os nulos e os vazios de cérebro, mente e corações.
Penso que somente estas mães e suas famílias, são merecedores do sacrifício de seus filhos e não isto, que chamamos de Sociedade. São os filhos dessas Mães a quem recorremos, quando estamos pálidos, a tremer de medo diante dos inúmeros marginais e desequilibrados que nos ameaçam diariamente! Depois de passado o perigo, nem podemos agradecer-lhes por nossa vida salva, porque não as conhecemos e, o que é mais grave, nem queremos conhecê-las! Além de hipócritas, somos também desumanos e mal-agradecidos! Pois bem; são para essas gloriosas mães que presto sinceras homenagens em nome dos gratos e dos ingratos cidadãos que lhes devem a segurança. Mães que não encontramos muitos exemplos em nossos conturbados dias, em que a maioria absoluta está entorpecida pelo modismo, pelo exibicionismo físico de seus corpos, pelo afastamento de Deus e pela deterioração física e mental causada por décadas de condicionamento da televisão, através das novelas degradantes, do cinema, do teatro e por todo o lixo moral,psicológico e espiritual destilados por alguns dos nossos meios de comunicação que se infiltram em nossos lares, sem a nossa autorização.
As mulheres viveram, por séculos, sob o jugo de homens mentalmente desequilibrados. Desequilibrados porque não é concebível que uma pessoa mentalmente sadia, necessite dominar outrem. Quem quer que exerça dominação sobre outra pessoa, demonstra sintoma de carência; carência essa que procura ser compensada através do “poder” agressivo ou violento. O domínio é sempre exercido com agressividade, violência ou maneiras sutis de sedução e condicionamento. Podemos dizer que a emancipação feminina se iniciou no Século XVIII, com os primeiros movimentos de contestação contra a dominação masculina. Desde aquela época, na Inglaterra, a Mulher vem se destacando em todas as áreas da atividade social, sobressaindo-se em funções até então reservadas aos homens. Nas Ciências, nas Artes, na Literatura e nos esportes, as mulheres têm atuado com competência e seriedade, muitas delas em trabalhos pesados e forçados, além da prática em lutas agressivas como o Box, futebol e outras de embates físicos e corporais (nestes, que se cuidem os homens!). Se atentarmos para a prática feminina na atualidade social, verificamos que as atividades mais simples, como dirigir veículos, por exemplo; nota-se que a Mulher no volante tem dado bons exemplos aos homens, pois não há dúvida que a Mulher-motorista tem provocado menos acidentes que eles.
No País desgovernado, irresponsável e violento como o nosso, líder na criminalidade no trânsito e fora dele; é um alívio verificarmos que as mulheres estão, cada vez mais, assumindo a direção dos veículos, nas nossas cidades. Em meio da violência bestial de homens-imaturos motorizados (principalmente na era moykana), é tranqüilizante quando vemos que o carro que está ao nosso lado ou o que está na nossa traseira é dirigido por uma Mulher; pois, saberemos que não iremos ouvir buzinadas, “freadas” e/ou “arrancadas” bruscas,violentas e burras de exibicionistas imaturos e perigosos, recém-saídos das fraldas. Por certo ela irá respeitar os semáforos, fará a gentileza de deixar que os pedestres retardatários atravessarem a frente de seu carro, num gesto de benevolência, educação e respeito ao próximo que somente a mulher-motorista e alguns homens educados, inteligentes e maduros sabem fazer. Além disso, quando é uma mulher que está ao volante do carro ao nosso lado, dificilmente nos forçará a ouvir aquela barulheira infernal, de milhares de decibéis, que saem das “bocas” dos muitos alto-falantes daqueles motoristas infanto-juvenis.
Mais tranqüilidade nos dá no trânsito é quando vemos uma Mulher-Mãe dirigindo. O seu cuidado é redobrado, mesmo que esteja a levar os filhos à escola, ao hospital, à creche, à ginástica, ao tratamento de um filho doente! Mesmo assim, ela não se apressará ao ponto de desrespeitar as normas do trânsito e de civilidade ao volante. Mesmo estando atrasada ou preocupada em alguma atividade particular, a mulher-motorista (com algumas exceções) tem mais paciência e respeito que qualquer homem-imaturo-morista. Comparar uma mulher dirigindo a um moykano-insano no volante; é uma verdadeira heresia e um atentado aos bons costumes. Além disso, verifica-se a índole pacifista e sadia da Mulher nas suas raras participações em crimes como os de estupro, desvios de verbas, assaltos, atentados e outros delitos cruéis e violentos, cuja presença feminina se dá mais como vítimas que autoras. É claro que, se as mulheres-imaturas-moykanas continuarem a imitar os comportamentos negativos dos homens imaturos e insanos ( o que está acontecendo a “passos-largos”); irão elas vencê-los, também nessa competição desastrosa para elas e para todos nós!
Acredito que o comportamento positivo das mulheres no trânsito se explica porque elas não querem que aconteça com os outros o que pode acontecer com os seus entes queridos. Ao contrário da maioria dos motoristas-imaturos que pensam unicamente em si e no próprio umbigo; além de olharem para os umbigos alheios, em pleno trânsito, causando muitos desastres.
Daí, verificarmos poucos acidentes graves provocados pela mulher no trânsito; trânsito esse que provoca cerca de 350 mil acidentes por ano no Brasil, com mais de 50 mil mortos e outros milhares de paralíticos, órfãos, viúvos, lares desfeitos e enfermos que causam bilhões de reais em prejuízos aos cofres públicos com o atendimento a essas vítimas da irresponsabilidade generalizada e reinante. Além da pacificadora, tranqüilizadora e competente presença da Mulher nas nossas várias atividades diárias, louvamos e aplaudimos a sua índole pacífica( talvez genética) e o seu amor maternal, não somente por seu filhos; mas, também, pelos filhos das outras mulheres. Pode-se notar o semblante angelical de toda e qualquer Mulher ao se tornar Mãe. Na face de cada uma delas estão estampados os traços inefáveis do rosto virginal da Virgem Maria. A Mulher-Mãe deve ser sublimada por todos, não somente no segundo domingo de maio; mas, em todos os dias, meses e anos de nossa vida e por todos os séculos e séculos...Amém !
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Belo Horizonte, Dia das Mães, maio de 2011.
CARLEIAL. Bernardino Mendonça.
Psicólogo-Clínico pela Universidade Católica de Minas Gerais;
Estudante de Direito da Universidade Estácio de Sá;
Escritor e pesquisador nas áreas da Psicobiologia e do Direito.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
" O MEDO DA SOLIDÃO "
"O MEDO DA SOLIDÃO "
Umas das muitas características negativas do nosso tempo é o temor exagerado da solidão. O medo de ficar-se só e o pavor da rejeição. Nunca as pessoas gastaram e se desgastaram tanto, na ânsia de buscarem companhia física. Mesmo com todo esse empenho e gastos materiais e afetivos, nunca os seres humanos se sentiram tão só, vazios e desamparados. Festas, reuniões, associações, excursões, passeios e diversas outras formas de lazer e acontecimentos sociais são programados e praticados com freqüência, a fim de se afugentar dos corações e das mentes, o espectro da solidão.
Milhares de pessoas se acotovelam em ambientes festivos, cinemas, teatros, ruas, calçadas, praças, barzinhos, botecos, restaurantes, jogos, televisão, novelas, carnaval, além de outros locais recomendáveis ou não; onde buscam escapar de seus vazios existenciais, na ilusão da bebida, drogas e no falso amparo e aplausos dos outros. Outras tantas se sujeitam e se submetem às uniões e acasalamentos negativos e sofridos, somente para não ficar sozinhas, darem satisfação aos demais e demonstrarem que são capazes de atrair alguém. O temor da reprovação alheia é uma constante na atualidade. Essas uniões por interesse ou necessidade são muito negativas, pois logo sobrevêm os atritos e o reconhecimento da superficialidade conjugal, com enormes prejuízos psicobiosocial para os envolvidos e seus descendentes, cujo futuro estará comprometido, com a desestruturação do lar. Muitas pessoas são atendidas por psicólogos e médicos, cujos casamentos ou acasalamentos se efetuaram porque essas pessoas se sentiram “velhas”, “rejeitadas”, “incompetentes”, por estarem sendo criticadas por não terem ainda se casadas, sentindo-se solitárias e incompetentes para a conquista de um real relacionamento amoroso, etc.
Geralmente, nesses casais, as mulheres são a parte mais prejudicada, pois se submetem a vexames e, não raro, à ameaças e à agressões físicas de seus companheiros. O curioso é que apesar dos maus tratos a que são submetidas nesses relacionamentos doentios, muitas delas não se animam a tentarem uma nova forma de acasalamento; as exceções ficam por conta das que tem bom nível cultural e financeiro. Muitas alegam já terem perdido muito tempo na vida e agora não se disporiam a procurar novo parceiro. Vale ressaltar que em muitos casos sofrem carência e dependência financeira, justamente porque não se prepararam, intelectualmente para alcançarem melhores condições econômicas e sociais. Não desenvolveram os seus intelectos e não lapidaram suas inteligências, ou por ignorância dos seus pais, que não lhes valorizaram o “saber” ou por não terem tido condições financeiras para adquirirem o conhecimento ou, geralmente, terem dado mais atenção e cuidados ao exterior de seus corpos que às suas mentes.
Desta forma, sem conhecimento e sem cultura, ficam dependentes de subempregos e com poucas chances de se tornarem independentes. E, assim, serão escravas de seus companheiros, de seus patrões e de suas paixões, com pouca coragem de deixá-los, mesmo subjugadas e sofrendo, por se sentirem incapazes de sobreviverem com as suas escassas condições financeiras. É claro que estamos nos referindo a pessoas de poucas posses e baixa escolaridade; embora haja exceções para ambas as classes sociais; pessoas ricas e cultas, sujeitas e submetidas a relacionamentos negativos e doentios, por diversos motivos como idade, dependência sexual, dependência à beleza física, medo da solidão, estados psicopatológicos, defeitos físicos, etc. Poderíamos citar muitos exemplos de pessoas em situação de penúria física, moral e mental, com graves conseqüências para si, para a família e para o social. O número de solitários e de suicidas aumenta consideravelmente e a depressão tornou-se um fenômeno freqüente e universal. A angústia se apodera dos seres humanos, na proporção da multiplicidade e diversidade de suas tentativas de serem felizes, principalmente com as outras pessoas. Diversas formas artificiais de felicidade foram criadas a fim de afugentar o fantasma da solidão e do abandono (ou da rejeição). O álcool, o sexo, cães, gatos, o consumismo desenfreado e o uso de incontáveis fórmulas químicas de drogas para colorirem artificialmente as mentes imaturas e vazias, notadamente os de menos idade.
O consumismo exagerado de bens materiais é uma falsa e doentia tentativa de preenchimento desse vazio existencial que hoje atinge a maior parte da população mundial. Os homens (todos os humanos) investem nos outros a esperança de eles os fazerem felizes. Acontece que devido a grande ansiedade pelos resultados desse investimento, leva-os a uma forte expectativa de recebê-la do próximo, gerando exigências desmedidas que geralmente o outro não consegue atender. Dependendo de muitos fatores, inclusive da idade, cada experiência negativa (e frustrante), esgotam-se os seus mananciais de “doações”, desejando e esperando somente o retorno desse investimento; quer a níveis consciente e/ou inconsciente. É claro que a felicidade tão almejada tem muita relação com a pessoa do sexo oposto. Esta é a programação natural, ditada e traçada pelas forças instintivas biológicas; não fosse assim, não teríamos sequer prosperado como Humanos. O “crescer e multiplicar-se” não é só um ditame divino; é o destino genético de todos os animais e vegetais. Entretanto, a fonte maior da felicidade encontra-se dentro de cada pessoa, na riqueza e diversidade da sua vida mental; na criatividade e utilidade de seus atos positivos a si, e aos demais seres. A dificuldade está na razão de, quase todos buscarem fora essa felicidade, como se ela fosse alguma coisa extra; algo como uma dádiva do destino; ou, ainda, uma oferenda dos deuses.
A felicidade, que não é mais que o viver adequado do indivíduo no seu meio, é fruto de seu mundo interior, de sua formação, educação, bom senso, maturidade e alguns poucos “rasgos” de sorte. Há homens que, sublimando os poderosos instintos naturais, conseguem a felicidade através da espiritualidade, das artes, da ciência e da religião. O que é raro e difícil de acontecer em nossos dias, devido aos sedutores e atraentes apelos do consumismo, da futilidade e do “pornossexismo” ensinado, divulgado e condicionado pela televisão, internet, filmes e diversos outros veículos que condicionam todos, desde criancinhas até aos mais velhos, à promiscuidade libertina, descarada, escancarada e desenfreada que não encontram limites ou resistência em qualquer autoridade ou em quem quer que seja. As pessoas mental e espiritualmente evoluídas parecem não se importarem ou sofrerem com o isolamento e, ao contrário, muitas vezes até o procuram. O está só é um fato inevitável e inerente à condição humana. A experiência existencial é um fenômeno inexplicável, individual, única, intestemunhável e, sobre tudo, não-solidário. Ninguém é capaz de sentir, concretamente, a dor do próximo, por mais próximo que ele nos seja ou esteja. O máximo que podemos fazer é avaliar a angústia e o sofrimento alheios. Hipotecar solidariedade é o máximo que podemos e devemos fazer. Cada Ser Humano é um mundo à parte; que não se compartilha com ninguém. Nascemos só e, só, morreremos. Não tem nenhuma alternativa ou desculpa. Esta é a maior de todas as provações e frustrações. Nenhum Ser humano vem ao mundo, mentalmente acompanhado; nem mesmo os gêmeos univitelinos. Não existe comunhão mental, a não ser como expressão romântica e literária.
O universo da Mente é infinitamente vasto, complexo e, até agora, pouco explicado e entendido. A vivência de cada Ser é única, indivisível, intransferível e impartilhável. A ontogênese nos ensina que, desde a sua origem até o final de sua existência o ser humano é mentalmente só e sozinho caminhará. Este é o destino do homem. Mesmo quando gera muitos descendentes, um casal sente que não os criou para si; mas, para o Mundo. E, este fato está cada vez mais desumano, com os filhos abandonando os pais, seduzidos pela miríade de atrações do mundo fantasioso do sexo, das drogas, da riqueza fácil e da beleza exterior fugaz, propagadas pelos filmes, pela televisão, cinema, revistas e outros condicionadores das mentes infantis e dos imaturos de qualquer idade, raça, classe social, cor, seita e religião. Os filhos seguirão os seus próprios caminhos e os pais estarão novamente sozinhos, como no princípio. É perfeitamente genético e biológico que os pais queiram, inconscientemente, manter os seus filhos em torno de si, a fim de tê-los em sua companhia até o final de suas vidas. Isto é aceitável e faz muito sentido, considerando os aspectos psicológicos, genéticos e biológicos. Mas, este é outro assunto que no momento foge da pretensão deste Trabalho. Porém, apesar da solidão psicológica e desamparo biológico que nos esperam no inevitável final da existência; temos meios para minimizar esse estigma e dilema existencial. O segredo está no enriquecimento interior, com o cultivo da sabedoria criadora que é o único espantalho das vicissitudes da progressão etária. Albert Einstein, em uma de suas últimas entrevistas, afirmou que era feliz porque não precisava de ninguém. O grande cientista buscava o isolamento que lhe proporcionava paz, genialidade e criação. Einstein, por si próprio se completava; dependia pouco dos demais, devido ao seu vasto enriquecimento interno que lhe proporcionou um vigoroso consciente mental, capaz de controlar e neutralizar os impulsos primários e animalescos do seu Inconsciente. Este controle é raro em nossos dias quando a maioria dos humanos é condicionada e levada a se comportar imitando os atos perniciosos e negativos de bilhões de imaturos, doentes e degenerados do mundo inteiro, cujos exemplos nocivos nos são mostrados e condicionados pelos meios de comunicação, principalmente pela televisão e seus “descendentes” e “ascendentes”, como os vídeos, os filmes, revistas, alguns tablóides, internet e certas peças teatrais.
Ao se sentir sábio e criativo, o indivíduo torna-se seguro e não teme o “encontro consigo mesmo” nos inúmeros e inevitáveis momentos de solidão e desamparo que a vida nos reserva. Quando a pessoa é vazia, carente de conhecimento e de cultura, não dispõe do poder criativo que uma mente repleta de conhecimento pode proporcionar-lhe. Ela sente necessidade freqüente do amparo alheio, é uma pessoa dependente. Esta dependência provoca diversos comportamentos que buscam assegurar a sua estrutura e a sua estabilidade psicofísica. Isto, é muito difícil de se obter, considerando que a segurança interna é fruto de um processo mental que se relaciona com o conteúdo da mente, num dinamismo intenso desde a vida intra-uterina até a morte do indivíduo. Quando esta dinâmica mental está empobrecida, principalmente por carência de conhecimento (este, é o alimento da mente), a pessoa assim carente não terá um comportamento adequado à sua própria sobrevivência; não será feliz e prejudicará, também, os semelhantes, o meio ambiente e toda sociedade. Neste estágio mental, o vazio existencial se estabelece, forçando a pessoa a valorizar mais as coisas externas como o corpo, os adornos, o sexismo, o exibicionismo corpóreo e material, o insaciável consumismo, as fugas alucinógenas e toda espécie de subterfúgios neuróticos e, até psicóticos. Neste ponto, como é costume nosso, citaremos exemplos clínicos de casos que demonstram, na prática, a realidade do que afirmamos, com o fim de esclarecer àqueles que costumam culpar o “destino”, a “má-sorte” , o “sistema”, o “Governo” e os “outros”; por suas mazelas existenciais.
-Há tempos, uma jovem mulher de 29 anos, procurou o tratamento psicoterápico com o seguinte histórico de vida:
Filha de uma família de classe média, desde mocinha utilizou a sua beleza exterior para conquistar e variar de parceiros, com os quais teve muitos prazeres e …decepções. Foram vãos os apelos, súplicas e esforços de seus pais para que estudasse e se dedicasse ao cultivo de sua inteligência, espiritualidade e riqueza interior. Seu interesse limitou-se ao sexo, às futilidades físicas exteriores, consumismo de cosméticos, acompanhamento de novelas e outros lixos mostrados na maioria dos programas televisivos. Variava de namorados a fim de exibir o seu poder de sedução. Carros e motos barulhentos e exibicionistas eram a sua rotina, em passeios, churrascos, festinhas, barzinhos, botecos, balados e outros “programas” com os seus amigos e admiradores antropófagos. Aos 18 anos já tinha “passado pelas mãos” de vários desses “divertidos”, “despreocupados” e “festivos” “caras legais”, como costumava chamá-los. O último desses “gatos”, após abandoná-la, saciado, deixou-lhe muitos “arranhões” e um filho indesejado. A família, temendo as conseqüências de um provável aborto, aceitou o fato, com muitas brigas e críticas constantes por seu comportamento. Continuou com a mesma forma de vida, se divertindo como antes, deixando o filho entregue aos cuidados e despesas dos pais. Tempos depois, começou a ser rejeitada pelos homens, porque o seu corpo já dava sinais de decadência na epiderme, nas suas “curvas”, no seu exterior e no organismo. A família continuava a reclamar-lhe os encargos da criação do filho. Ela, improdutiva e incompetente para prover a sua própria subsistência; sentindo-se não mais atraente e desejada pelos “homens” do seu meio e percebendo a perspectiva da solidão que se avizinhava, aceitou a companhia e a coabitação de um homem de nível mental e social inferior ao seu, para dar satisfação à família e aos outros, bem como lhe proporcionar companhia, apoio afetivo e estabilidade emocional.
Pouco tempo durou o seu sonho de ter uma companhia e não se sentir solitária. O companheiro passou a ter ciúme exagerado e a rejeitar o filho que não era seu, lembrando-lhe, constantemente, que ela já tinha sido “muito usada” por outros; que ela já havia “andado” com homens ricos e que não quiseram “nada” com ela, etc. Agredia-lhe com freqüência e não admitia qualquer interferência ou ajuda da família dela, apesar das dificuldades financeiras e emocionais que atravessavam. Ele se sentia inferiorizado diante da boa situação financeira da sua família, principalmente com relação a um irmão dela que era engenheiro. Este casal permanece com intensos sofrimentos físicos e mentais que desestruturam as suas pobres existências. Mesmo assim, ela continua com o companheiro, acreditando que não encontrará outro homem que a queira, no estado de decadência estética, física e mental em que se encontra.
Neste exemplo, que se equipara a milhares de outros semelhantes que sabemos e outros tantos que desconhecemos. Nele, podemos tirar duas importantes lições de vida. Uma delas é a pobreza cultural que levou à decadência mental e física dessa mulher, impossibilitando-a de fazer escolhas positivas e úteis para alcançar a verdadeira Homeostase; ou seja, o equilíbrio básico,natural e necessário a uma vida digna e edificante para si e para os demais. Assim, desequilibrada, sente-se incapaz de atitudes positivas e de novas procuras, com receio de novos fracassos. Desta forma se submete ao sofrimento, à desestruturação física e mental (e de seus familiares), permanecendo condicionada a uma parceria negativa e perigosa. Outro ensinamento que este caso nos mostra é que seu parceiro, apesar das diferenças sociais e financeiras entre eles, suas mentes têm algo em comum: a falta de conhecimento, cultura e saber. Se ele tivesse cultivado a sua mente, embelezando o seu interior com o conhecimento, instrução e cultura; estaria em melhores condições para conseguir outra profissão que fosse mais segura, gratificante e lucrativa; possibilitando uma vida mais agradável e segura para si, para ela e para os filhos. Segundo informações prestadas pela família do seu companheiro, ele havia recebido incentivo e razoável condição financeira para estudar e progredir intelectualmente. Mas, ele nunca demonstrou interesse em aprimorar o seu intelecto, preferindo (assim como ela) os programas onde a rotina e tema eram sexo, bebida, farra e outras ilusões frustrantes e passageiras. A necessidade de aprimoramento mental, através do estudo, do saber e do conhecimento é de importância vital para a sobrevivência em uma sociedade onde a hipocrisia é generalizada, embora todos neguem isso.
Perguntem aos que exercem profissões ou trabalhos que exigem mais os músculos e a destreza física, como pedreiros e ajudantes, garis, motoristas, lixeiros e limpadores de esgotos e muitos outros que mal recebem cumprimentos daqueles que eles servem em serviços essenciais à saúde, à segurança e ao nosso bem-estar. Quanta solidão não deve sentir esses importantes agentes do bem-estar social, cumprindo as suas missões sem o devido reconhecimento e acolhimento popular. Agora os comparem com o respeito, subserviência e admiração que a maioria tem para com médicos, juízes, engenheiros, deputados, etc. É fácil avaliar-se o grau de hipocrisia, injustiça e desumanidade de muitos que se dizem humanistas, democratas, bondosos e defensores dos direitos humanos. Vê-se, pois, o grande valor do conhecimento, da cultura, do saber e do enriquecimento mental. Exemplo notório disso é o que se passa com os policiais que, apesar de a eles recorrermos nos nossos momentos de insegurança e perigo; nem sequer são cumprimentados quando os encontramos nas ruas, expondo as suas próprias vidas por nós e recebendo ínfimos salários. Esta é a nossa invertida e hipócrita sociedade que admira,bajula e idolatra o inútil e negativo e rejeita,desconhece e desvaloriza o positivo e útil. Vamos dar outro exemplo que demonstra os transtornos causados por uniões motivadas pelo medo da solidão.
-Um homem de 50 anos, que apesar de gozar de uma boa situação financeira, era pobre de informações culturais. Tal pessoa “comprou” uma esposa a fim de não mais ficar sozinho e “cansado” de aventuras sexuais passageiras. O casamento foi efêmero porque as personalidades do casal eram diversas, principalmente porque a mulher, sendo bem mais nova, ainda queria “aproveitar” a vida; conforme afirmara. Enquanto ele estava “cansado” de aventuras; ela queria mais “aventuras”. Da mesma forma que o primeiro exemplo acima, este homem sofre ( e faz sofrer) no seu relacionamento conjugal, mas teme “partir para outra”, receando não dispor mais de tempo para uma nova busca e, assim, acomoda-se a uma situação negativa e maléfica, com medo de vir a ficar só. Por certo as suas condições mentais não lhe asseguram a tranqüilidade para enfrentar o seu vazio existencial, caso venha a ficar sem uma companhia física. É preciso lembrar que nunca se está sozinho quando se tem um “EU” estruturado, rico de conhecimento e criativo. Não é necessário que se “seja um Einstein”; todos têm essa capacidade lactente, basta que cultivemos mais o nosso “interior” (Consciente + Inconsciente), valorizando-o tanto quanto o fazemos com o nosso “exterior”. As pessoas que são esteticamente “bonitas” (fachada exterior) têm muita dificuldade para cuidarem de seus conteúdos mentais (interior); pois, elogiadas e bajuladas pelos outros, não tem tempo para o aprimoramento intelectual, já que este demanda cuidados e despesas com a manutenção dessa “beleza” externa, antes que ela se acabe com a idade, acidentes,doenças etc. Destituídas dessa “beleza” exterior, a tendência é de que essas “beldades” se deprimam e se perturbem de forma psicobiológica, na ausência de admiradores, bajuladores e outros oportunistas sexuais.
São muitos os exemplos de desestruturação mental e física frente à solidão ou da expectativa de se vir a ficar só. Escreveríamos muitas páginas se fôssemos citar os casos clínicos que ouvimos e lidamos relativos ao medo de encarar o afastamento das pessoas; ou seja, o receio de se sentir rejeitado, em qualquer idade. Ironicamente, esse temor é muito encontrado naqueles que têm “muito tempo pela frente”, como as pessoas novasem idade. Há pouco tempo, dizia-me uma dessas de 18 anos, que estava cansada desta vida e que vivia solitária, apesar dos muitos encontros com os amigos e colegas de turma. Mesmo entre os mais idosos, ainda que não tenham tido tempo; não foram motivados ou não tiveram interesse para enriquecerem o interior psicológico, encontram condições mentais para lidarem com a solidão natural dessa fase. A não ser que suas vidas tenham sido bastante inúteis ou negativas. Como já citamos antes, os caminhos reais e seguros para proporcionarem uma estrutura mental capaz de saber enfrentar co naturalidade e vigor a solidão presente ou futura (esta, é inevitável a todos humanos); são os caminhos do Saber, da Cultura e do Conhecimento. As vias do conhecimento, da aprendizagem e da sabedoria são as que nos levam à maturidade mental e à inteligência, que todas as pessoas normais têm, mas poucas a aprimoram e a cultivam. Esses caminhos que nos dão a estabilidade emocional, a paz e a felicidade, são os mais negligenciados em nossos dias.
Atualmente, cada vez mais se mostra e se valoriza a aparência física e a superficialidade das coisas; ao mesmo tempo em que se demonstra, negligencia-se e se desvaloriza os atributos essenciais da existência, que são a inteligência, a riqueza espiritual, mental e psicológica. Se observarmos analiticamente os milhares de rostos que cruzam, por nós, diariamente, nas ruas, praças, avenidas, nas salas de aula, nos locais de trabalho, etc., percebe-se o vazio existencial; a preferência e a atração pelas coisas tolas,efêmeras,volúveis,materiais e superficiais. A essência da vida, que são a Mente e o Espírito foi há muito, rejeitada, escorraçada e até odiada por quase todos. A riqueza e beleza do conteúdo mental e da maturidade espiritual foram e são alcançadas por uma minoria de Homens como o já citado Einstein, Ghandi, Madre Tereza, Irmã Dulce, Freud, Sabin, Fleming e outros poucos da atualidade, que, embora humildes e esquecidos souberam e sabem dignificar a nossa Espécie, com o gênio,trabalho,dedicação e modéstia. Todos eles tiveram ou têm um cérebro anatomicamente igual ao de todos nós. Possuíram ou possuem uma mente rica de conhecimentos, humanismo e saber, que tanto bem nos fizeram e fazem. Mesmo sem o gigantismo intelectual, algumas desses citados acima, se tornaram ricos, interiormente, graças ao dever cumprido como pais, cidadãos e como Pessoa.
Quando o indivíduo não aprimora o seu intelecto por meio do conhecimento, do estudo, da observação da natureza e da pesquisa; permanece bruto, incompetente, imaturo e inseguro; o que é um risco para ele e para todos que com ele convive. A dependência, a alienação e a insegurança, tão comuns nos dias atuais; são os sintomas principais que atormentam a existência de bilhões de pessoas no mundo. Nelas se estabelece o vazio existencial, por pressentirem a própria nulidade de suas vidas, causando frustração que é a causa da agressividade e violência constantes e crescentes em todas as sociedades atuais. Vale relembrar que a frustração é causada pelo desejo de ter o que não tenho e, pelo o que eu gostaria de ser e não sou. Quando pobre, interiormente, o indivíduo não tem criatividade, necessitando ou dependente da ajuda dos outros para se conduzirem pela vida. Nessas circunstâncias a pessoa foge do encontro consigo mesmo, evitando ao máximo os momentos de solidão. São estes momentos que induzem a pessoa à meditação, que é o voltar-se para dentro de si. Alguns, por sua nulidade, temem tanto o futuro que chegam a negar ou diminuir a sua idade, tentando enganar a si mesmos. Ora, se a pessoa se encontra vazia, sem conteúdo e alienada ( o que acontece com a grande maioria hoje), cedo ou tarde perceberá a inutilidade e banalidade de sua existência, o que é uma verdadeira “traição” à essência da vida, cuja criação lhe dotou de um órgão maravilhoso,supremo,ímpar,único e transcendente que é o cérebro. Com uma capacidade quase infinita de gravar acontecimentos, de estocar e manipular dados suficientes para capacitar qualquer pessoa a ter uma vida plena, feliz em comunhão com os outros e com o planeta. A capacidade do cérebro é tão grande que já se postulou ser ele capaz de reter mais informações que todas as bibliotecas do mundo. Como o órgão gerador da mente, ele controla todas as atividades vitais, dentro e fora do organismo.
De fato, todos os acontecimentos do mundo estão sob o controle do cérebro, com exceção dos eventos da natureza. Quando ele está carente de informações a sua produção mental se torna pobre e deficiente, tornando o seu portador vazio, existencialmente, independente de ele ter riqueza material, poder ou beleza física. Daí, o grande receio da solidão, do isolamento e da rejeição, sentidos pela maioria das pessoas, principalmente entre os mais novos e mais velhos em idade, quando se encontram mental e espiritualmente vazias. Qualquer perda de amizade ou de rejeição amorosa, logo é sentida como uma catástrofe que os leva ao sofrimento, ansiedade e à depressão. A pessoa sente angústia, ansiedade, somatização e grande desejo de logo procurar outra amizade, companhia e parceiro, a fim de não pensar no próprio “Eu”; isto é, foge de si mesmo com receio de “encarar” a própria nulidade existencial. Essa pressa de sair da solidão é devida, também, à necessidade de dar satisfação aos outros, de mostrar ao mundo que é capaz de atrair outro; mesmo que esse outro não possua nenhum atributo positivo interior; pode ser até uma “mula quadrada”; desde que tenha dinheiro ou boniteza externa. Há algum tempo, nos foi mostrado um caso clínico que relaciona o temor da solidão com o sofrimento e a desestruturação.
Uma moça nova em idade e considerada bonita, vinda do Interior, não via problema em ficar sozinha, sem namorado ou isolado dos demais. Ela não se preocupava em buscar, ansiosamente, amizades masculinas a fim de se exibir perante os outros. Como disse, gostava de ficar sozinha em sua casa, lendo,estudando e cuidando da casa. Com pouco tempo de permanência na Capital, passou a ser criticada e pressionada por seus colegas de trabalho, de estudo e por alguns parentes; para arranjar um namorado, companhia, principalmente masculina. A pressão foi aumentando e as críticas se avolumando ao ponto de insinuarem que ela “não gostava de homem”. Passou a mentir e fingir que tinha um namorado somente para dar satisfação aos outros. Com o tempo e para fugir da grande pressão e das críticas dos conhecidos, parentes e “amigos”, não resistiu e se entregou às barulhentas, ensurdecedoras e esfumaçadas “baladas” das noites moykanas. Hoje, aquela moça “bonita” que veio do interior para estudar e melhorar de vida, está casada com um dependente de drogas, que de vez em quando e de quando em vez lhe agride, vivendo, basicamente do parco salário dela. Deprimida, psicossomatizada e bastante debilitada, sem a mesma boniteza física de antes, não sente ânimo para empreender nova caminhada em busca da felicidade. O estranho é que todos aqueles que a pressionaram para as “boas” companhias nas “baladas” noturnas; sumiram, deixando-a na pior: a solidão conjugal. Seria oportuno lembrar outro problema que comumente surge com as pessoas que se deprimem vivenciando a solidão; ou, na perspectiva de virem a ficar desacompanhadas. Pessoas que ficam na “fossa” com facilidade, que precisam sempre estar em companhia de outrem, enfrentam um grave problema que é o da psicossomatização.
A atuação da mente, principalmente através do Inconsciente cerebral, se efetua pelo sistema nervoso “autônomo”, proporcionando o aparecimento de inúmeras enfermidades mentais e físicas. O sistema endócrino atua com muita rapidez por todo o organismo sob os impulsos da mente. Raramente encontramos uma pessoa com um histórico de depressão ou qualquer outro distúrbio mental severo ou crônico, que não apresente também um “leque” de queixas somáticas e hipocondríacas. Uma existência saudável, tranqüila e feliz, tem como pré-requisito uma vida interior rica e sábia. Uma mente madura, capaz de adequar-se às vicissitudes que inexoravelmente nos virão, no decorrer da existência de cada um. É bom lembrarmos que nos dias atuais os fatores negativos e nocivos tendem a se acentuarem; enquanto que os acontecimentos positivos ficam mais escassos. A tendência é cada vez mais nos defrontarmos com obstáculos que…com facilidades. Ninguém pode garantir que o nosso viver seja mais feliz no futuro; aliás, nem sabemos que teremos algum futuro. A extrema competição que os homens conhecem e pior verão em futuro próximo, gerará feroz e animalesca agressividade que não conhecerá limite. Não estamos afirmando, neste Trabalho, que somente as pessoas cultas, sábias ou “doutas”, têm chances de melhor se adequarem à vida; embora, de fato, estas tenham mais facilidades para tal. São sábias e cultas, também, aquelas pessoas que embora não tenham ou tiveram vida acadêmica e literária, possuem a sabedoria da observação, simplicidade, humanismo, criatividade e trabalho profícuo e honesto. São algumas daquelas que habitam os lugarejos distantes do Interior; os da “roça”, que na singeleza de suas aparências, representam uma força autêntica, viva e produtiva da Nação.
Elas são exemplos do “encontro” salutar e corajoso com a “velhice” e a solidão. Essas pessoas não temem o isolamento, mesmo na idade avançada e nem tampouco necessitam de drogas alucinógenas para fugir dos “fantasmas” que assombram as mentes dos vazios, nulos e imaturos de qualquer idade. Eles criam e produzem, por isso não se atormentam diante do inevitável encontro consigo mesmo. De fato, conhecemos muitos homens (quando falo “homem”, me refiro aos dois sexos) da “roça”, trabalhadores rurais que se encontram sozinhos devido a separação,viuvez ou pela saída dos filhos de casa. Observando e conversando com eles, verificamos que não temem o encontro com a solidão, mesmo em idade avançada. Não se vê entre pessoas simples a negação ou simulação da idade; eles têm até orgulho de suas existências. Esta tentativa de enganar o tempo é muito comum entre pessoas frívolas e imaturas que estremecem de pavor ao perceberem a própria decadência física e mental. O motivo de as pessoas maduras e sábias não temerem a passagem do tempo e a solidão é o de ter consciência de terem cumprido o seu dever para com Deus e com os homens; sabem que fizeram o melhor para si, para os seus e para os seus semelhantes. Essas pessoas simples possuem a sabedoria da vivência, da natureza e a retidão de caráter. Mas, infelizmente, a maior parte dos seus descendentes não terá a mesma sorte de seus pais, que souberam “amadurecer” com sabedoria e tranqüilidade. A televisão, também, já entrou em todos os lares da “roça”, desestruturando a família rural, com os inúmeros exemplos negativos de sexo irresponsável e promiscuo, consumismo, adultério, corrupção, exibicionismo desenfreado, desvios sexuais, drogas e muitos outros modelos da deterioração humana. É, principalmente, através das novelas, onde os heróis são corruptos e degenerados, quando o Mal prevalece sobre o Bem; levando-os a crerem que o crime compensa e o trabalho e honestidade são desonra e atributos do passado.
Para finalizar, não poderíamos deixar de citar e homenagear um grande exemplo de vida que condiz com a essência deste Trabalho: Helen Keller. Esta mulher, de personalidade ímpar, nos mostrou com o seu modelo vivencial, como está nula e vazia a maioria das pessoas de hoje. Esta grande figura humana, cega, surda e muda desde os seus primeiros anos de vida, veio a se tornar uma das maiores personalidades do mundo. Ficou célebre por seus livros e conferências por quase todos os países. Viveu sozinha com a sua fiel amiga Anne Sullivan (outra grande mulher), até aos 88 anos de idade. Quando esta sua amiga morreu, em 1953, Helen Keller ainda viveu por muitos anos, inteiramente sozinha! Aliás, sozinha não! Teve a melhor das companhias: ela mesma. Já em idade muito avançada, costumava dizer: “espero feliz a chegada do outro mundo, onde todas as minhas limitações cairão”.
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Este Trabalho foi escrito e publicadoem Belo Horizonte , em fevereiro de 1986. Posteriormente veio a ser atualizado, em parte, para melhor condizer com a presente realidade. O autor muito deve e agradece o trabalho e colaboração da Srta. REJANE FURTADO, de São Sebastião do Paraíso - MG. REJANE, cujo lema de vida é “Tornando seu sonho realidade”, nos ouviu com paciência e atenção, ajudando-nos em nossas pesquisas e contribuindo com importantes sugestões na atualização deste escrito, além de nos ter prestado valiosa assistência técnica na digitação do mesmo.
Belo Horizonte, 14 de fevereiro de 1986;
São Sebastião do Paraíso, outono de 2011.
Carleial. Bernardino Mendonça.
Psicólogo-Clínico pela Universidade Católica de Minas Gerais;
Estudante de Direito da Universidade Estácio de Sá;
Escritor e Pesquisador nas áreas da Psicobiologia e do Direito.
Umas das muitas características negativas do nosso tempo é o temor exagerado da solidão. O medo de ficar-se só e o pavor da rejeição. Nunca as pessoas gastaram e se desgastaram tanto, na ânsia de buscarem companhia física. Mesmo com todo esse empenho e gastos materiais e afetivos, nunca os seres humanos se sentiram tão só, vazios e desamparados. Festas, reuniões, associações, excursões, passeios e diversas outras formas de lazer e acontecimentos sociais são programados e praticados com freqüência, a fim de se afugentar dos corações e das mentes, o espectro da solidão.
Milhares de pessoas se acotovelam em ambientes festivos, cinemas, teatros, ruas, calçadas, praças, barzinhos, botecos, restaurantes, jogos, televisão, novelas, carnaval, além de outros locais recomendáveis ou não; onde buscam escapar de seus vazios existenciais, na ilusão da bebida, drogas e no falso amparo e aplausos dos outros. Outras tantas se sujeitam e se submetem às uniões e acasalamentos negativos e sofridos, somente para não ficar sozinhas, darem satisfação aos demais e demonstrarem que são capazes de atrair alguém. O temor da reprovação alheia é uma constante na atualidade. Essas uniões por interesse ou necessidade são muito negativas, pois logo sobrevêm os atritos e o reconhecimento da superficialidade conjugal, com enormes prejuízos psicobiosocial para os envolvidos e seus descendentes, cujo futuro estará comprometido, com a desestruturação do lar. Muitas pessoas são atendidas por psicólogos e médicos, cujos casamentos ou acasalamentos se efetuaram porque essas pessoas se sentiram “velhas”, “rejeitadas”, “incompetentes”, por estarem sendo criticadas por não terem ainda se casadas, sentindo-se solitárias e incompetentes para a conquista de um real relacionamento amoroso, etc.
Geralmente, nesses casais, as mulheres são a parte mais prejudicada, pois se submetem a vexames e, não raro, à ameaças e à agressões físicas de seus companheiros. O curioso é que apesar dos maus tratos a que são submetidas nesses relacionamentos doentios, muitas delas não se animam a tentarem uma nova forma de acasalamento; as exceções ficam por conta das que tem bom nível cultural e financeiro. Muitas alegam já terem perdido muito tempo na vida e agora não se disporiam a procurar novo parceiro. Vale ressaltar que em muitos casos sofrem carência e dependência financeira, justamente porque não se prepararam, intelectualmente para alcançarem melhores condições econômicas e sociais. Não desenvolveram os seus intelectos e não lapidaram suas inteligências, ou por ignorância dos seus pais, que não lhes valorizaram o “saber” ou por não terem tido condições financeiras para adquirirem o conhecimento ou, geralmente, terem dado mais atenção e cuidados ao exterior de seus corpos que às suas mentes.
Desta forma, sem conhecimento e sem cultura, ficam dependentes de subempregos e com poucas chances de se tornarem independentes. E, assim, serão escravas de seus companheiros, de seus patrões e de suas paixões, com pouca coragem de deixá-los, mesmo subjugadas e sofrendo, por se sentirem incapazes de sobreviverem com as suas escassas condições financeiras. É claro que estamos nos referindo a pessoas de poucas posses e baixa escolaridade; embora haja exceções para ambas as classes sociais; pessoas ricas e cultas, sujeitas e submetidas a relacionamentos negativos e doentios, por diversos motivos como idade, dependência sexual, dependência à beleza física, medo da solidão, estados psicopatológicos, defeitos físicos, etc. Poderíamos citar muitos exemplos de pessoas em situação de penúria física, moral e mental, com graves conseqüências para si, para a família e para o social. O número de solitários e de suicidas aumenta consideravelmente e a depressão tornou-se um fenômeno freqüente e universal. A angústia se apodera dos seres humanos, na proporção da multiplicidade e diversidade de suas tentativas de serem felizes, principalmente com as outras pessoas. Diversas formas artificiais de felicidade foram criadas a fim de afugentar o fantasma da solidão e do abandono (ou da rejeição). O álcool, o sexo, cães, gatos, o consumismo desenfreado e o uso de incontáveis fórmulas químicas de drogas para colorirem artificialmente as mentes imaturas e vazias, notadamente os de menos idade.
O consumismo exagerado de bens materiais é uma falsa e doentia tentativa de preenchimento desse vazio existencial que hoje atinge a maior parte da população mundial. Os homens (todos os humanos) investem nos outros a esperança de eles os fazerem felizes. Acontece que devido a grande ansiedade pelos resultados desse investimento, leva-os a uma forte expectativa de recebê-la do próximo, gerando exigências desmedidas que geralmente o outro não consegue atender. Dependendo de muitos fatores, inclusive da idade, cada experiência negativa (e frustrante), esgotam-se os seus mananciais de “doações”, desejando e esperando somente o retorno desse investimento; quer a níveis consciente e/ou inconsciente. É claro que a felicidade tão almejada tem muita relação com a pessoa do sexo oposto. Esta é a programação natural, ditada e traçada pelas forças instintivas biológicas; não fosse assim, não teríamos sequer prosperado como Humanos. O “crescer e multiplicar-se” não é só um ditame divino; é o destino genético de todos os animais e vegetais. Entretanto, a fonte maior da felicidade encontra-se dentro de cada pessoa, na riqueza e diversidade da sua vida mental; na criatividade e utilidade de seus atos positivos a si, e aos demais seres. A dificuldade está na razão de, quase todos buscarem fora essa felicidade, como se ela fosse alguma coisa extra; algo como uma dádiva do destino; ou, ainda, uma oferenda dos deuses.
A felicidade, que não é mais que o viver adequado do indivíduo no seu meio, é fruto de seu mundo interior, de sua formação, educação, bom senso, maturidade e alguns poucos “rasgos” de sorte. Há homens que, sublimando os poderosos instintos naturais, conseguem a felicidade através da espiritualidade, das artes, da ciência e da religião. O que é raro e difícil de acontecer em nossos dias, devido aos sedutores e atraentes apelos do consumismo, da futilidade e do “pornossexismo” ensinado, divulgado e condicionado pela televisão, internet, filmes e diversos outros veículos que condicionam todos, desde criancinhas até aos mais velhos, à promiscuidade libertina, descarada, escancarada e desenfreada que não encontram limites ou resistência em qualquer autoridade ou em quem quer que seja. As pessoas mental e espiritualmente evoluídas parecem não se importarem ou sofrerem com o isolamento e, ao contrário, muitas vezes até o procuram. O está só é um fato inevitável e inerente à condição humana. A experiência existencial é um fenômeno inexplicável, individual, única, intestemunhável e, sobre tudo, não-solidário. Ninguém é capaz de sentir, concretamente, a dor do próximo, por mais próximo que ele nos seja ou esteja. O máximo que podemos fazer é avaliar a angústia e o sofrimento alheios. Hipotecar solidariedade é o máximo que podemos e devemos fazer. Cada Ser Humano é um mundo à parte; que não se compartilha com ninguém. Nascemos só e, só, morreremos. Não tem nenhuma alternativa ou desculpa. Esta é a maior de todas as provações e frustrações. Nenhum Ser humano vem ao mundo, mentalmente acompanhado; nem mesmo os gêmeos univitelinos. Não existe comunhão mental, a não ser como expressão romântica e literária.
O universo da Mente é infinitamente vasto, complexo e, até agora, pouco explicado e entendido. A vivência de cada Ser é única, indivisível, intransferível e impartilhável. A ontogênese nos ensina que, desde a sua origem até o final de sua existência o ser humano é mentalmente só e sozinho caminhará. Este é o destino do homem. Mesmo quando gera muitos descendentes, um casal sente que não os criou para si; mas, para o Mundo. E, este fato está cada vez mais desumano, com os filhos abandonando os pais, seduzidos pela miríade de atrações do mundo fantasioso do sexo, das drogas, da riqueza fácil e da beleza exterior fugaz, propagadas pelos filmes, pela televisão, cinema, revistas e outros condicionadores das mentes infantis e dos imaturos de qualquer idade, raça, classe social, cor, seita e religião. Os filhos seguirão os seus próprios caminhos e os pais estarão novamente sozinhos, como no princípio. É perfeitamente genético e biológico que os pais queiram, inconscientemente, manter os seus filhos em torno de si, a fim de tê-los em sua companhia até o final de suas vidas. Isto é aceitável e faz muito sentido, considerando os aspectos psicológicos, genéticos e biológicos. Mas, este é outro assunto que no momento foge da pretensão deste Trabalho. Porém, apesar da solidão psicológica e desamparo biológico que nos esperam no inevitável final da existência; temos meios para minimizar esse estigma e dilema existencial. O segredo está no enriquecimento interior, com o cultivo da sabedoria criadora que é o único espantalho das vicissitudes da progressão etária. Albert Einstein, em uma de suas últimas entrevistas, afirmou que era feliz porque não precisava de ninguém. O grande cientista buscava o isolamento que lhe proporcionava paz, genialidade e criação. Einstein, por si próprio se completava; dependia pouco dos demais, devido ao seu vasto enriquecimento interno que lhe proporcionou um vigoroso consciente mental, capaz de controlar e neutralizar os impulsos primários e animalescos do seu Inconsciente. Este controle é raro em nossos dias quando a maioria dos humanos é condicionada e levada a se comportar imitando os atos perniciosos e negativos de bilhões de imaturos, doentes e degenerados do mundo inteiro, cujos exemplos nocivos nos são mostrados e condicionados pelos meios de comunicação, principalmente pela televisão e seus “descendentes” e “ascendentes”, como os vídeos, os filmes, revistas, alguns tablóides, internet e certas peças teatrais.
Ao se sentir sábio e criativo, o indivíduo torna-se seguro e não teme o “encontro consigo mesmo” nos inúmeros e inevitáveis momentos de solidão e desamparo que a vida nos reserva. Quando a pessoa é vazia, carente de conhecimento e de cultura, não dispõe do poder criativo que uma mente repleta de conhecimento pode proporcionar-lhe. Ela sente necessidade freqüente do amparo alheio, é uma pessoa dependente. Esta dependência provoca diversos comportamentos que buscam assegurar a sua estrutura e a sua estabilidade psicofísica. Isto, é muito difícil de se obter, considerando que a segurança interna é fruto de um processo mental que se relaciona com o conteúdo da mente, num dinamismo intenso desde a vida intra-uterina até a morte do indivíduo. Quando esta dinâmica mental está empobrecida, principalmente por carência de conhecimento (este, é o alimento da mente), a pessoa assim carente não terá um comportamento adequado à sua própria sobrevivência; não será feliz e prejudicará, também, os semelhantes, o meio ambiente e toda sociedade. Neste estágio mental, o vazio existencial se estabelece, forçando a pessoa a valorizar mais as coisas externas como o corpo, os adornos, o sexismo, o exibicionismo corpóreo e material, o insaciável consumismo, as fugas alucinógenas e toda espécie de subterfúgios neuróticos e, até psicóticos. Neste ponto, como é costume nosso, citaremos exemplos clínicos de casos que demonstram, na prática, a realidade do que afirmamos, com o fim de esclarecer àqueles que costumam culpar o “destino”, a “má-sorte” , o “sistema”, o “Governo” e os “outros”; por suas mazelas existenciais.
-Há tempos, uma jovem mulher de 29 anos, procurou o tratamento psicoterápico com o seguinte histórico de vida:
Filha de uma família de classe média, desde mocinha utilizou a sua beleza exterior para conquistar e variar de parceiros, com os quais teve muitos prazeres e …decepções. Foram vãos os apelos, súplicas e esforços de seus pais para que estudasse e se dedicasse ao cultivo de sua inteligência, espiritualidade e riqueza interior. Seu interesse limitou-se ao sexo, às futilidades físicas exteriores, consumismo de cosméticos, acompanhamento de novelas e outros lixos mostrados na maioria dos programas televisivos. Variava de namorados a fim de exibir o seu poder de sedução. Carros e motos barulhentos e exibicionistas eram a sua rotina, em passeios, churrascos, festinhas, barzinhos, botecos, balados e outros “programas” com os seus amigos e admiradores antropófagos. Aos 18 anos já tinha “passado pelas mãos” de vários desses “divertidos”, “despreocupados” e “festivos” “caras legais”, como costumava chamá-los. O último desses “gatos”, após abandoná-la, saciado, deixou-lhe muitos “arranhões” e um filho indesejado. A família, temendo as conseqüências de um provável aborto, aceitou o fato, com muitas brigas e críticas constantes por seu comportamento. Continuou com a mesma forma de vida, se divertindo como antes, deixando o filho entregue aos cuidados e despesas dos pais. Tempos depois, começou a ser rejeitada pelos homens, porque o seu corpo já dava sinais de decadência na epiderme, nas suas “curvas”, no seu exterior e no organismo. A família continuava a reclamar-lhe os encargos da criação do filho. Ela, improdutiva e incompetente para prover a sua própria subsistência; sentindo-se não mais atraente e desejada pelos “homens” do seu meio e percebendo a perspectiva da solidão que se avizinhava, aceitou a companhia e a coabitação de um homem de nível mental e social inferior ao seu, para dar satisfação à família e aos outros, bem como lhe proporcionar companhia, apoio afetivo e estabilidade emocional.
Pouco tempo durou o seu sonho de ter uma companhia e não se sentir solitária. O companheiro passou a ter ciúme exagerado e a rejeitar o filho que não era seu, lembrando-lhe, constantemente, que ela já tinha sido “muito usada” por outros; que ela já havia “andado” com homens ricos e que não quiseram “nada” com ela, etc. Agredia-lhe com freqüência e não admitia qualquer interferência ou ajuda da família dela, apesar das dificuldades financeiras e emocionais que atravessavam. Ele se sentia inferiorizado diante da boa situação financeira da sua família, principalmente com relação a um irmão dela que era engenheiro. Este casal permanece com intensos sofrimentos físicos e mentais que desestruturam as suas pobres existências. Mesmo assim, ela continua com o companheiro, acreditando que não encontrará outro homem que a queira, no estado de decadência estética, física e mental em que se encontra.
Neste exemplo, que se equipara a milhares de outros semelhantes que sabemos e outros tantos que desconhecemos. Nele, podemos tirar duas importantes lições de vida. Uma delas é a pobreza cultural que levou à decadência mental e física dessa mulher, impossibilitando-a de fazer escolhas positivas e úteis para alcançar a verdadeira Homeostase; ou seja, o equilíbrio básico,natural e necessário a uma vida digna e edificante para si e para os demais. Assim, desequilibrada, sente-se incapaz de atitudes positivas e de novas procuras, com receio de novos fracassos. Desta forma se submete ao sofrimento, à desestruturação física e mental (e de seus familiares), permanecendo condicionada a uma parceria negativa e perigosa. Outro ensinamento que este caso nos mostra é que seu parceiro, apesar das diferenças sociais e financeiras entre eles, suas mentes têm algo em comum: a falta de conhecimento, cultura e saber. Se ele tivesse cultivado a sua mente, embelezando o seu interior com o conhecimento, instrução e cultura; estaria em melhores condições para conseguir outra profissão que fosse mais segura, gratificante e lucrativa; possibilitando uma vida mais agradável e segura para si, para ela e para os filhos. Segundo informações prestadas pela família do seu companheiro, ele havia recebido incentivo e razoável condição financeira para estudar e progredir intelectualmente. Mas, ele nunca demonstrou interesse em aprimorar o seu intelecto, preferindo (assim como ela) os programas onde a rotina e tema eram sexo, bebida, farra e outras ilusões frustrantes e passageiras. A necessidade de aprimoramento mental, através do estudo, do saber e do conhecimento é de importância vital para a sobrevivência em uma sociedade onde a hipocrisia é generalizada, embora todos neguem isso.
Perguntem aos que exercem profissões ou trabalhos que exigem mais os músculos e a destreza física, como pedreiros e ajudantes, garis, motoristas, lixeiros e limpadores de esgotos e muitos outros que mal recebem cumprimentos daqueles que eles servem em serviços essenciais à saúde, à segurança e ao nosso bem-estar. Quanta solidão não deve sentir esses importantes agentes do bem-estar social, cumprindo as suas missões sem o devido reconhecimento e acolhimento popular. Agora os comparem com o respeito, subserviência e admiração que a maioria tem para com médicos, juízes, engenheiros, deputados, etc. É fácil avaliar-se o grau de hipocrisia, injustiça e desumanidade de muitos que se dizem humanistas, democratas, bondosos e defensores dos direitos humanos. Vê-se, pois, o grande valor do conhecimento, da cultura, do saber e do enriquecimento mental. Exemplo notório disso é o que se passa com os policiais que, apesar de a eles recorrermos nos nossos momentos de insegurança e perigo; nem sequer são cumprimentados quando os encontramos nas ruas, expondo as suas próprias vidas por nós e recebendo ínfimos salários. Esta é a nossa invertida e hipócrita sociedade que admira,bajula e idolatra o inútil e negativo e rejeita,desconhece e desvaloriza o positivo e útil. Vamos dar outro exemplo que demonstra os transtornos causados por uniões motivadas pelo medo da solidão.
-Um homem de 50 anos, que apesar de gozar de uma boa situação financeira, era pobre de informações culturais. Tal pessoa “comprou” uma esposa a fim de não mais ficar sozinho e “cansado” de aventuras sexuais passageiras. O casamento foi efêmero porque as personalidades do casal eram diversas, principalmente porque a mulher, sendo bem mais nova, ainda queria “aproveitar” a vida; conforme afirmara. Enquanto ele estava “cansado” de aventuras; ela queria mais “aventuras”. Da mesma forma que o primeiro exemplo acima, este homem sofre ( e faz sofrer) no seu relacionamento conjugal, mas teme “partir para outra”, receando não dispor mais de tempo para uma nova busca e, assim, acomoda-se a uma situação negativa e maléfica, com medo de vir a ficar só. Por certo as suas condições mentais não lhe asseguram a tranqüilidade para enfrentar o seu vazio existencial, caso venha a ficar sem uma companhia física. É preciso lembrar que nunca se está sozinho quando se tem um “EU” estruturado, rico de conhecimento e criativo. Não é necessário que se “seja um Einstein”; todos têm essa capacidade lactente, basta que cultivemos mais o nosso “interior” (Consciente + Inconsciente), valorizando-o tanto quanto o fazemos com o nosso “exterior”. As pessoas que são esteticamente “bonitas” (fachada exterior) têm muita dificuldade para cuidarem de seus conteúdos mentais (interior); pois, elogiadas e bajuladas pelos outros, não tem tempo para o aprimoramento intelectual, já que este demanda cuidados e despesas com a manutenção dessa “beleza” externa, antes que ela se acabe com a idade, acidentes,doenças etc. Destituídas dessa “beleza” exterior, a tendência é de que essas “beldades” se deprimam e se perturbem de forma psicobiológica, na ausência de admiradores, bajuladores e outros oportunistas sexuais.
São muitos os exemplos de desestruturação mental e física frente à solidão ou da expectativa de se vir a ficar só. Escreveríamos muitas páginas se fôssemos citar os casos clínicos que ouvimos e lidamos relativos ao medo de encarar o afastamento das pessoas; ou seja, o receio de se sentir rejeitado, em qualquer idade. Ironicamente, esse temor é muito encontrado naqueles que têm “muito tempo pela frente”, como as pessoas novas
Atualmente, cada vez mais se mostra e se valoriza a aparência física e a superficialidade das coisas; ao mesmo tempo em que se demonstra, negligencia-se e se desvaloriza os atributos essenciais da existência, que são a inteligência, a riqueza espiritual, mental e psicológica. Se observarmos analiticamente os milhares de rostos que cruzam, por nós, diariamente, nas ruas, praças, avenidas, nas salas de aula, nos locais de trabalho, etc., percebe-se o vazio existencial; a preferência e a atração pelas coisas tolas,efêmeras,volúveis,materiais e superficiais. A essência da vida, que são a Mente e o Espírito foi há muito, rejeitada, escorraçada e até odiada por quase todos. A riqueza e beleza do conteúdo mental e da maturidade espiritual foram e são alcançadas por uma minoria de Homens como o já citado Einstein, Ghandi, Madre Tereza, Irmã Dulce, Freud, Sabin, Fleming e outros poucos da atualidade, que, embora humildes e esquecidos souberam e sabem dignificar a nossa Espécie, com o gênio,trabalho,dedicação e modéstia. Todos eles tiveram ou têm um cérebro anatomicamente igual ao de todos nós. Possuíram ou possuem uma mente rica de conhecimentos, humanismo e saber, que tanto bem nos fizeram e fazem. Mesmo sem o gigantismo intelectual, algumas desses citados acima, se tornaram ricos, interiormente, graças ao dever cumprido como pais, cidadãos e como Pessoa.
Quando o indivíduo não aprimora o seu intelecto por meio do conhecimento, do estudo, da observação da natureza e da pesquisa; permanece bruto, incompetente, imaturo e inseguro; o que é um risco para ele e para todos que com ele convive. A dependência, a alienação e a insegurança, tão comuns nos dias atuais; são os sintomas principais que atormentam a existência de bilhões de pessoas no mundo. Nelas se estabelece o vazio existencial, por pressentirem a própria nulidade de suas vidas, causando frustração que é a causa da agressividade e violência constantes e crescentes em todas as sociedades atuais. Vale relembrar que a frustração é causada pelo desejo de ter o que não tenho e, pelo o que eu gostaria de ser e não sou. Quando pobre, interiormente, o indivíduo não tem criatividade, necessitando ou dependente da ajuda dos outros para se conduzirem pela vida. Nessas circunstâncias a pessoa foge do encontro consigo mesmo, evitando ao máximo os momentos de solidão. São estes momentos que induzem a pessoa à meditação, que é o voltar-se para dentro de si. Alguns, por sua nulidade, temem tanto o futuro que chegam a negar ou diminuir a sua idade, tentando enganar a si mesmos. Ora, se a pessoa se encontra vazia, sem conteúdo e alienada ( o que acontece com a grande maioria hoje), cedo ou tarde perceberá a inutilidade e banalidade de sua existência, o que é uma verdadeira “traição” à essência da vida, cuja criação lhe dotou de um órgão maravilhoso,supremo,ímpar,único e transcendente que é o cérebro. Com uma capacidade quase infinita de gravar acontecimentos, de estocar e manipular dados suficientes para capacitar qualquer pessoa a ter uma vida plena, feliz em comunhão com os outros e com o planeta. A capacidade do cérebro é tão grande que já se postulou ser ele capaz de reter mais informações que todas as bibliotecas do mundo. Como o órgão gerador da mente, ele controla todas as atividades vitais, dentro e fora do organismo.
De fato, todos os acontecimentos do mundo estão sob o controle do cérebro, com exceção dos eventos da natureza. Quando ele está carente de informações a sua produção mental se torna pobre e deficiente, tornando o seu portador vazio, existencialmente, independente de ele ter riqueza material, poder ou beleza física. Daí, o grande receio da solidão, do isolamento e da rejeição, sentidos pela maioria das pessoas, principalmente entre os mais novos e mais velhos em idade, quando se encontram mental e espiritualmente vazias. Qualquer perda de amizade ou de rejeição amorosa, logo é sentida como uma catástrofe que os leva ao sofrimento, ansiedade e à depressão. A pessoa sente angústia, ansiedade, somatização e grande desejo de logo procurar outra amizade, companhia e parceiro, a fim de não pensar no próprio “Eu”; isto é, foge de si mesmo com receio de “encarar” a própria nulidade existencial. Essa pressa de sair da solidão é devida, também, à necessidade de dar satisfação aos outros, de mostrar ao mundo que é capaz de atrair outro; mesmo que esse outro não possua nenhum atributo positivo interior; pode ser até uma “mula quadrada”; desde que tenha dinheiro ou boniteza externa. Há algum tempo, nos foi mostrado um caso clínico que relaciona o temor da solidão com o sofrimento e a desestruturação.
Uma moça nova em idade e considerada bonita, vinda do Interior, não via problema em ficar sozinha, sem namorado ou isolado dos demais. Ela não se preocupava em buscar, ansiosamente, amizades masculinas a fim de se exibir perante os outros. Como disse, gostava de ficar sozinha em sua casa, lendo,estudando e cuidando da casa. Com pouco tempo de permanência na Capital, passou a ser criticada e pressionada por seus colegas de trabalho, de estudo e por alguns parentes; para arranjar um namorado, companhia, principalmente masculina. A pressão foi aumentando e as críticas se avolumando ao ponto de insinuarem que ela “não gostava de homem”. Passou a mentir e fingir que tinha um namorado somente para dar satisfação aos outros. Com o tempo e para fugir da grande pressão e das críticas dos conhecidos, parentes e “amigos”, não resistiu e se entregou às barulhentas, ensurdecedoras e esfumaçadas “baladas” das noites moykanas. Hoje, aquela moça “bonita” que veio do interior para estudar e melhorar de vida, está casada com um dependente de drogas, que de vez em quando e de quando em vez lhe agride, vivendo, basicamente do parco salário dela. Deprimida, psicossomatizada e bastante debilitada, sem a mesma boniteza física de antes, não sente ânimo para empreender nova caminhada em busca da felicidade. O estranho é que todos aqueles que a pressionaram para as “boas” companhias nas “baladas” noturnas; sumiram, deixando-a na pior: a solidão conjugal. Seria oportuno lembrar outro problema que comumente surge com as pessoas que se deprimem vivenciando a solidão; ou, na perspectiva de virem a ficar desacompanhadas. Pessoas que ficam na “fossa” com facilidade, que precisam sempre estar em companhia de outrem, enfrentam um grave problema que é o da psicossomatização.
A atuação da mente, principalmente através do Inconsciente cerebral, se efetua pelo sistema nervoso “autônomo”, proporcionando o aparecimento de inúmeras enfermidades mentais e físicas. O sistema endócrino atua com muita rapidez por todo o organismo sob os impulsos da mente. Raramente encontramos uma pessoa com um histórico de depressão ou qualquer outro distúrbio mental severo ou crônico, que não apresente também um “leque” de queixas somáticas e hipocondríacas. Uma existência saudável, tranqüila e feliz, tem como pré-requisito uma vida interior rica e sábia. Uma mente madura, capaz de adequar-se às vicissitudes que inexoravelmente nos virão, no decorrer da existência de cada um. É bom lembrarmos que nos dias atuais os fatores negativos e nocivos tendem a se acentuarem; enquanto que os acontecimentos positivos ficam mais escassos. A tendência é cada vez mais nos defrontarmos com obstáculos que…com facilidades. Ninguém pode garantir que o nosso viver seja mais feliz no futuro; aliás, nem sabemos que teremos algum futuro. A extrema competição que os homens conhecem e pior verão em futuro próximo, gerará feroz e animalesca agressividade que não conhecerá limite. Não estamos afirmando, neste Trabalho, que somente as pessoas cultas, sábias ou “doutas”, têm chances de melhor se adequarem à vida; embora, de fato, estas tenham mais facilidades para tal. São sábias e cultas, também, aquelas pessoas que embora não tenham ou tiveram vida acadêmica e literária, possuem a sabedoria da observação, simplicidade, humanismo, criatividade e trabalho profícuo e honesto. São algumas daquelas que habitam os lugarejos distantes do Interior; os da “roça”, que na singeleza de suas aparências, representam uma força autêntica, viva e produtiva da Nação.
Elas são exemplos do “encontro” salutar e corajoso com a “velhice” e a solidão. Essas pessoas não temem o isolamento, mesmo na idade avançada e nem tampouco necessitam de drogas alucinógenas para fugir dos “fantasmas” que assombram as mentes dos vazios, nulos e imaturos de qualquer idade. Eles criam e produzem, por isso não se atormentam diante do inevitável encontro consigo mesmo. De fato, conhecemos muitos homens (quando falo “homem”, me refiro aos dois sexos) da “roça”, trabalhadores rurais que se encontram sozinhos devido a separação,viuvez ou pela saída dos filhos de casa. Observando e conversando com eles, verificamos que não temem o encontro com a solidão, mesmo em idade avançada. Não se vê entre pessoas simples a negação ou simulação da idade; eles têm até orgulho de suas existências. Esta tentativa de enganar o tempo é muito comum entre pessoas frívolas e imaturas que estremecem de pavor ao perceberem a própria decadência física e mental. O motivo de as pessoas maduras e sábias não temerem a passagem do tempo e a solidão é o de ter consciência de terem cumprido o seu dever para com Deus e com os homens; sabem que fizeram o melhor para si, para os seus e para os seus semelhantes. Essas pessoas simples possuem a sabedoria da vivência, da natureza e a retidão de caráter. Mas, infelizmente, a maior parte dos seus descendentes não terá a mesma sorte de seus pais, que souberam “amadurecer” com sabedoria e tranqüilidade. A televisão, também, já entrou em todos os lares da “roça”, desestruturando a família rural, com os inúmeros exemplos negativos de sexo irresponsável e promiscuo, consumismo, adultério, corrupção, exibicionismo desenfreado, desvios sexuais, drogas e muitos outros modelos da deterioração humana. É, principalmente, através das novelas, onde os heróis são corruptos e degenerados, quando o Mal prevalece sobre o Bem; levando-os a crerem que o crime compensa e o trabalho e honestidade são desonra e atributos do passado.
Para finalizar, não poderíamos deixar de citar e homenagear um grande exemplo de vida que condiz com a essência deste Trabalho: Helen Keller. Esta mulher, de personalidade ímpar, nos mostrou com o seu modelo vivencial, como está nula e vazia a maioria das pessoas de hoje. Esta grande figura humana, cega, surda e muda desde os seus primeiros anos de vida, veio a se tornar uma das maiores personalidades do mundo. Ficou célebre por seus livros e conferências por quase todos os países. Viveu sozinha com a sua fiel amiga Anne Sullivan (outra grande mulher), até aos 88 anos de idade. Quando esta sua amiga morreu, em 1953, Helen Keller ainda viveu por muitos anos, inteiramente sozinha! Aliás, sozinha não! Teve a melhor das companhias: ela mesma. Já em idade muito avançada, costumava dizer: “espero feliz a chegada do outro mundo, onde todas as minhas limitações cairão”.
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Este Trabalho foi escrito e publicado
Belo Horizonte, 14 de fevereiro de 1986;
São Sebastião do Paraíso, outono de 2011.
Carleial. Bernardino Mendonça.
Psicólogo-Clínico pela Universidade Católica de Minas Gerais;
Estudante de Direito da Universidade Estácio de Sá;
Escritor e Pesquisador nas áreas da Psicobiologia e do Direito.
sábado, 26 de março de 2011
" PAIS, NÃO CHOREIS POR VOSSOS FILHOS "
PAIS, NÃO CHOREIS POR VOSSOS FILHOS “
Há pouco mais de 2.000 anos, o Verdadeiro Homem afirmou algo semelhante ao ver mulheres chorando, quando O viram com uma Cruz nos ombros, a caminho do calvário.
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Grande número de pessoas quando recorrem ao tratamento psicoterápico, fazem-no em busca da cura de seus filhos mentalmente enfermos. Como o organismo funciona como um todo; podemos dizer que eles estão psico e fisicamente enfermos. Quando um ou mais membros de uma família se desequilibra, quase sempre a família toda está enferma e o lar desestruturado, pelo comportamento doentio de todos ou quase todos, em decorrência da má educação e maus exemplos dados aos seus filhos pelos pais permissivos.
Os profissionais da saúde, principalmente os Psicólogos e Psiquiatras clínicos, em sua maioria, já se acostumaram com as constantes reclamações dos muitos casais que procuram a terapia, relatando as suas vicissitudes mentais, físicas, morais e financeiras, geradas pelo comportamento negativo de seus filhos e deles próprios.
De modo geral, as queixas e reclamações não variam muito quanto à forma e conteúdo; variam muito os queixosos e reclamantes. Normalmente os relatos desses desafortunados pais estão repletos de sofrimento e prejuízos. O leque de sintomas apresentados por seus filhos é amplo e resume-se em uso de drogas, ensimesmismo, egoísmo, promiscuidade sexual, erotismo precoce, rebeldia, desinteresse pelos estudos, agressividade contra os pais e família (geralmente com os amigos e colegas são muito bonzinhos), crises depressivas, furtos, idolatria por carros, motos e pelo corpo, ociosidade, vandalismo, irresponsabilidade geral e outros sintomas neuróticos ou psicóticos.
Não é somente na clínica e no ambiente reservado do consultório que se ouve tais confissões; mas, também, entre pessoas, casais amigos e, até mesmo de pessoas desconhecidas quando estamos presentes em reuniões sociais e quaisquer outros locais de encontro. Onde quer que estejamos, mesmo em reuniões informais ou em encontros fortuitos, quando somos apresentados como psicólogos; logo um rosário de lamentações e queixas nos é desfiado pelos pais, parentes e amigos de pessoas desestruturadas, geralmente na puberdade e adolescência.
Mesmo acostumados a ouvirmos e vermos as mais variadas mazelas psicossomáticas, nós, terapeutas, ficamos penalizados e preocupados com o sofrimento do crescente número de pais que procuram a orientação e tratamento psicoterápicos. Algumas vezes os relatos que escutamos e os quadros clínicos que assistimos são de estarrecer, pela degradação familiar que se nos apresentam. Na sessão terapêutica, protegidos pela ética, juramento e discrição do terapeuta; os pais demonstram a própria decrepitude da espécie humana, narrando-nos sobre o comportamento de seus filhos, entre choros, apatia e desespero.
Decididamente, ser mãe não é mais padecer no Paraíso, como disse o poeta; mas, sim, sofrer no inferno, para muitos pais atuais, como alguém já afirmou. Na grande maioria das vezes, os genitores são os grandes responsáveis pela deterioração psíquica e física de seus filhos, bem como, da própria. Devemos frisar que são os responsáveis, porém, nunca culpados. Não lhes cabe culpa porque ninguém em sã consciência deseja a desestruturação de seus filhos e, muito menos, a própria falência familiar. Eles são vítimas, assim como seus filhos, de processos cerebrais e mentais inconscientes e alheios a sua vontade, na maioria das vezes.
Esses processos mentais inconscientes, são característicos dos estados psicopatológicos, tão comuns nos nossos dias. Isto é um fato, pois como dissemos acima, é inconcebível que alguém sofra,destrua a própria vida, dos seus familiares e dos seus semelhantes mais caros, como os pais; por puro prazer ou premeditação. A decrepitude das pessoas mais novas em idade é mais conhecida nos consultórios e hospitais psiquiátricos. Ali, vê-se e ouve-se casos dramáticos em que se sobressai a decadência não só dos filhos e pais, como também, de toda a sociedade contemporânea. As famílias estão produzindo, em massa, um grande número de filhos deteriorados que, por sua vez, serão geradores de mais e mais indivíduos enfermos mentalmente. Não é de se espantar, pois, que estejamos assistindo, impotentes e omissos, o crescimento geométrico da violência em todas as áreas do comportamento humano. E, é muito duvidoso que ainda tenhamos condições de sustar ou, pelo menos, minimizar a agressividade e violência do homem contra o seu semelhante e o seu meio ambiente.
Os males que acometem os homens são gerados por eles mesmos, notadamente em sua formação, a partir do ventre materno. A falência da família geradora de Homens íntegros, moral e psiquicamente falando; tornou-se um triste e notado acontecimento mundial. Os últimos espécimes verdadeiros do “Homo sapiens sapiens” encontram-se em agonia, nos estertores da morte; deixando-nos em seu lugar o “Homo asinus”. Da evolução natural da espécie, quando se esperava um aprimoramento da capacidade mental; deu-nos o contrário: uma involução mental, uma grande evolução na estatura física e nas cabeleiras da nossa numerosa, festiva, descompromissada, alienada e crescente moçada, notadamente na grande e mundial tribo dos moykanos.
Raramente encontramos humanos dignos de confiança em nossos dias. Tornou-se até comum o uso do ditado: “confiar desconfiando”,referindo-se ao relacionamento entre as pessoas (isto, já em 1986,quando o básico deste Trabalho foi escrito e publicado). Não se deve estranhar que haja tanta violência, pois, quando os filhos dos homens não são mais confiáveis; não podemos esperar dias melhores para a humanidade. Por que o homem atual se degenerou? Por quais razões a maioria das pessoas novas em idade encontra-se em franca decadência mental, concorrendo para o sofrimento de seus pais que, algumas vezes, só encontram a paz através da morte? Pais sofridos, penalizados por seus filhos que perambulam pelos consultórios terapêuticos, repetindo suas estórias de dor, sofrimento e decadência, em busca de um tratamento restaurador, nem sempre encontrado. Seus filhos, na maioria púberes e adolescentes, deixam entrever em suas fisionomias, fala e gestos; a própria decadência mental e moral em que se encontram. Alienados, vazios, improdutivos e agrupados em “tribos”, tanto mais agressivas quanto mais cobardes. Bem diferentes dos bravos e verdadeiros Moykanos, das longínquas planícies Norte-americanas.
Eles concorrem para a deterioração da sociedade, com enormes prejuízos materiais, morais e mentais. Basta que se observe o comportamento, no dia-a-dia, da nossa festiva mocidade, para se ter uma idéia do que nos espera em futuro bem próximo. A fim de avaliarmos esse futuro, lembremo-nos o que o Jornal “O Estado de São Paulo”, em reportagem de 1985, denunciou a “diversão” de muitos “jovens”,materialmente ricos, que se compraziam em atear fogo em miseráveis mendigos que dormiam nas calçadas , nas noites paulistanas. Outro “passatempo” desses doentes é o de atacar pessoas idosas a fim de maltratá-las e surrupiar-lhes os poucos pertences; embora esses anormais “jovens” (futuro do nosso País) não sejam materialmente carentes.
Se o Brasil não é sério (como afirmou o grande estadista e guerreiro francês Charles De Gaulle); menos séria é a nossa festiva “juventude” que se encontra, cada vez mais, descompromissada com os reais valores humanos, com o futuro e com a própria finalidade da criação e existência do Homem (Credo! Pareço até louco, falando nestas coisas de moral, futuro, humanismo e da nossa aguerrida moçada moykana). Para que não pensem que estamos exagerando sobre aqueles que nos sucederão no destino do planeta, basta visitar os locais onde costumam acampar os nossos valorosos descendentes: colégios (principalmente os públicos),cursinhos,barzinhos,escolas,faculdades,festinhas,boates,etc. Vejam como pisam nos canteiros,quebram os galhos mais baixos das árvores,atingem as lâmpadas,danificam as placas de sinalização,riscam as cadeiras das salas de aula,não dão descarga nos seus dejetos quando usam os banheiros(principalmente os públicos),rasgam os assentos dos ônibus, dos elevadores, escrevem palavrões (principalmente denegrindo a mulher), causam grande barulho com as suas algazarras e barulho com seus carros e motos em alta velocidade; jogam pontas de cigarro,papéis,copos e garrafas na rua; desrespeitam, com atos e palavras os demais(principalmente os pobres,humildes e idosos), pisam nos canteiros e pouco se ligam à rosas e ao verde que os cercam; julgam-se dono do mundo, imunes a tudo e imortais.
Voltados unicamente para o gozo material e erótico (só pensam naquilo) do “aqui-e-agora”; não se prestam a outros cultivos senão o da própria epiderme, não indo além de um palmo do nariz e do próprio umbigo. Que se dane eu, você e o resto do mundo! Assim, com tamanho e crescente descalabro comportamental, comprometeram e comprometem a manutenção da própria e infeliz espécie dos humanos. Bem razão tem alguns cientistas que nos garantiram que o futuro é das baratas e das ratazanas! Vamos ter baratas e ratos com fartura!
Como os filhotes desta geração de pais liberais e moderninhos vivem a expensas de seus ricos papais (é bom lembrarmos que nos países menos desenvolvidos a riqueza,quase sempre, vem por meios ilícitos), eles nem impostos pagam, a fim de minimizarem os prejuízos que causam aos contribuintes que, com o suor de nossos rostos, pagamos os tributos sociais,cada vez mais numerosos e pesados, para mantermos a criação e manutenção dos bens públicos que são utilizados e destruídos por muitos vândalos novinhos em idade . Lembremo-nos que eles, ébrios, barulhentos e eufóricos, tocam fogo em índios,mendigos,telefones públicos e no que encontrem pela frente, nas saídas das boates, forrós,jogos,barzinhos e similares. As Empresas Públicas que tem equipamentos de uso públicos (telefones, sanitários, etc.) e de transporte coletivo que servem às linhas mais utilizadas por estudantes, podem comprovar o comportamento desvairado dessa nova geração, com os seus imensos gastos com a manutenção e renovação das coisas particulares e públicas, danificadas e destruídas por eles. Também, os motoristas, cobradores e proprietários de lotações desses usuários imaturos, são testemunhas de suas algazarras e desrespeito que fazem nesses transportes, além de riscarem e danificarem, por pura demência, as poltronas e outros equipamentos dos veículos que lhes servem.
Quais as origens desse descalabro comportamental? São muitos os fatores desestruturantes que incidem sobre os filhos do homem, dito “moderno”, que favorecem a sua demência e decadência atual e futura. Dentre eles, citaremos os mais importantes; isto é, os mais negativos para a sua formação mental e somática:
-A personalidade dos pais;
-Os meios de comunicação e,
-A Escola.
A imaturidade da Pessoa cria vetores altamente negativos para si, para os demais e para o meio ambiente. Pais imaturos são verdadeiramente catastróficos para si, para as suas famílias e para o todo social. A imaturidade cega-os quanto à capacidade de analisar os fatores causais, dificultando a diferenciação entre valores negativos e positivos na formação adequada e positiva de seus filhos. Tal imaturidade mental impede de enriquecerem as suas vidas interiores, tornando-os alienados e, conseqüentemente, irresponsáveis e inconseqüentes quanto ao seu futuro e o porvir dos seus filhos que deveriam ser cidadãos honestos, cultos e garantidores de um futuro promissor (são justamente o contrário). Pais imaturos e alienados geram e soltam para o mundo, filhos imaturos, alienados e desestruturados que irão praticar toda espécie de delitos que presenciamos, diariamente, através da Mídia. Crimes esses que vão desde o roubo de pirulitos de criancinhas, do assassinato cruel de seus pais para surrupiarem alguns trocados a fim de comprarem drogas; até ao esquartejamento de suas namoradas, quando por elas se sentem rejeitados. Geralmente os pais que sofrem e fazem os outros sofrerem com o comportamento negativo de seus filhos, são pais imaturos, incultos e alheios aos autênticos valores humanos. Estes, quase sempre estão voltados para a frivolidade, ganância material, vaidade e destituídos de riqueza interior e mental. Como não se dedicam afetivamente a seus filhos, procuram compensar as suas deficiências espirituais (psicológicas e mentais),procuram compensar, de forma inconsciente, as suas deficiências espirituais e psicológicas, com oferendas e presentes materiais, como carros,motos,viagens, a não intromissão em suas vidas desregradas, através de comportamentos de submissão para com eles, cedendo aos seus caprichos e chantagens emocionais, a fim de tê-los consigo e não perderem a sua estima.
Um exemplo da prática clínica, explicará melhor esses comportamentos patológicos:
-Um pai que vivia muito ocupado com os seus negócios, pouco tempo dedicava à formação e educação de seu filho, de 16 anos de idade. O jovem exigiu do pai uma moto. Este tentou argumentar a respeito dos perigos que aquele veículo oferecia e que temia pela sua segurança. O filho ficou insistindo com ele, alegando que os seus colegas já haviam ganhado de seus pais carros e motos. O pai relutou em ceder à exigência do filho, mas notando que ele ficara agressivo e “distante” dele, cedeu à sua chantagem e deu-lhe a moto. Algum tempo depois, ao se exibir para uma platéia de infanto-juvenis, em alta velocidade, caiu da moto e se tornou mais um deficiente físico. Logicamente, seus pais se atrofiaram junto com ele.
Outro exemplo real de desestruturação familiar resultante da personalidade imatura dos pais vem de outro caso clínico de nosso conhecimento:
-Um casal procurou o tratamento psicológico para a sua filha de 16 anos, queixando-se de grande sofrimento. De fato; a estória que narrou sobre a sua atual vivência, chocou até mesmo o terapeuta, acostumado com relatos dessa natureza. A filha do casal havia sido criada praticamente pela babá, tendo em vista que seus pais estiveram muito ausentes de casa, preocupados e atarefados com os seus negócios, com festas, passeios e acontecimentos sociais mundanos e frívolos. A babá, a fim de não ter muito trabalho com a criança, deixava-a, constantemente, diante da televisão, que ficava ligada o dia inteiro. Em companhia da criança, a empregada assistia às novelas condicionadoras de comportamentos nocivos e negativos, sem que os pais se importassem ou percebessem.
A filha, apesar de ter uma “montanha” de brinquedos, chorava muito e era triste, de acordo com a lembrança da sua mãe. Aos 12 anos ela passou a sair em companhia de coleguinhas para locais ignorados pelos pais. Aos 14 anos se envolveu com drogas, agredindo freqüentemente os seus pais, principalmente a sua mãe. A mocinha não sabe se expressar sem o uso de repetitivos chavões monossilábicos da gíria indigesta que já nos dá indícios do seu conteúdo mental. Não vai mais ao colégio, alegando “num tem nada a vê”; desafia, constantemente seus pais,dorme vez ou outra fora de casa e não raro, chega obnubilada por bebida ou droga. É sexualmente promíscua, tendo se envolvido, intimamente, com o motorista do pai e com alguns outros indivíduos conhecidos ou não.
Somente após de apresentar esse rol de sintomas é que os seus pais “acordaram” para ela. “Essa menina não vale nada!” Disse o pai; “ela nunca prestou!”, disse a mãe, com lágrimas nos olhos. Eles estão mais preocupados com as suas imagens junto aos conhecidos e o seu meio social, que, com a própria filha. Solicitaram ao terapeuta que tratasse da filha sem o envolvimento deles na terapia, pois julgavam que a problemática (grave) da filha nada tem a ver com as suas personalidades e seus comportamentos familiares. É claro que tal tratamento (sem a inclusão dos pais) estará fadado ao fracasso, pois qualquer psicólogo conhece os devastadores processos inconscientes familiares que interferem na educação e formação da personalidade infantil, principalmente em casos semelhantes. Logicamente, com a recusa desses pais em participar da terapia, a maior parte dos profissionais da área se recusará em fazer a terapia, tendo em vista que seria pouco promissor o sucesso do tratamento além dos gastos financeiros dos envolvidos.
Outro comportamento comum entre os pais que concorrem para a degradação de seus filhos, da família e do social; é a excessiva proteção que dão a eles, tornando-os dependentes e incompetentes para a vida futura. Sobre isso, mais um exemplo do nosso cotidiano clínico, reforçará o que estamos tratando neste Trabalho:
-Há algum tempo, uma senhora uma “santa mãe” que se dedicava somente aos seus filhos e à devoção religiosa, veio se consultar a respeito do trabalho que seus filhos estavam lhe dando, apesar de toda a atenção e dedicação que lhes dera. Não deixou que eles “crescessem” e aprendessem a pensar por si próprios. Ela pensava e agia por eles. Esses cuidados e proteção desmedidos provocaram constantes atritos familiares, provocando comportamentos anti-sociais em três dos quatro filhos. Essa mãe sofre muito com esses filhos desestruturados, apresentando ela, também, graves transtornos psicossomáticos que abalam a sua saúde.
O pai, omisso, já sofreu agressões físicas de um dos filhos, nos muitos conflitos dentro do lar. Além disso, era grande o número de transtornos morais e materiais, decorrentes das falhas de ambos, na formação e educação de seus filhos. O quadro mais comum de patologia que encontramos no tratamento de pessoas novas em idade é o referente à promiscuidade, seja a sexual,costumes, moral, social, moda, linguagem, etc., resultantes dos péssimos exemplos comportamentais dos pais, familiares, companheiros e amigos; além do condicionamento imposto por muitos veículos de comunicação, notadamente a televisão, revistas, Internet e outros tão comuns em nossos dias; que nos “entopem”, dia e noite, com os piores exemplos da degradação humana; verdadeiro lixo mental que é absorvido por todos, de forma consciente e inconsciente, principalmente pelas pessoas imaturas e incultas de todas as idades. A promiscuidade sexual, principalmente entre púberes e adolescentes que não tiveram uma formação cultural, cristã e humanística; é a principal causadora dos imensos transtornos, patologias e conflitos pessoais, familiares e sociais que assistimos diariamente.
A erotização precoce é, principalmente, decorrente da intensa campanha do erotismo, sexismo e sensualismo mercenário que nos atinge, diariamente, pelos muitos meios de comunicação, principalmente pela televisão e Internet (como já escrevemos acima); bem como através de muitas Revistas, Jornais e Livros. Em todos eles, parecem-nos que tentam (e conseguiram) erotizar precocemente os infantes, com a finalidade não só comercial (modismo, cosméticos, etc.); como também, para criarem um ambiente social erótico (já criado) propício a uma oferta sexual maior e abundante para satisfazer a lascívia e o apetite erótico de indivíduos ninfomaníacos e inúmeros outros tipos de desviados sexuais. Seria importante pesquisarmos as razões de os homens estarem, quase sempre, por trás da produção de livros, revistas, moda, filmes, vídeos, novelas e peças teatrais de conteúdo erótico e sexista.
É evidente que será bastante agradável para uma grande maioria dos homens, que as menininhas bonitinhas se erotizem precocemente, tornando-se “ninfetas”,nome já tornado,pela mídia,muito bonito e gracioso, quando na verdade não passa de sinônimo de pedofilia!E, assim, elas serão “presas” sexualmente fáceis e ao alcance de muitos “lobos-maus” que sempre rondam esses “Chapeuzinhos-vermelhos” , nos “caminhos da floresta”, mesmo sem se importarem em levar os bolinhos para os lobos, ao invés de os levarem para as suas vovozinhas. Muitos desses oportunistas sexuais pretendem que a oferta sexual seja maior que a procura, concorrendo para o aumento da prostituição infantil, juvenil, adulta, etc. tão acentuada em quase todos os recantos do planeta; sem falarmos das demais mazelas anexas, como: promiscuidade, exploração, miséria moral e a proliferação e expansão de diversas patologias mentais e físicas.
A erotização precoce, cujo estímulo e ensinamentos estão contidos em quase todas as programações da televisão, como nas novelas, filmes, propagandas comerciais; bem como em revistas,teatro,vídeos,livros e, pior ainda, via Internet, onde a permissividade é totalmente liberada para tudo e para todos. Estes, são os estímulos principais que condicionaram e condicionam,há décadas, são os principais responsáveis e causadores da decadência física e mental dos imaturos de toda idade, principalmente entre os púberes, adolescentes, adultos e dementes de toda idade e patologias.
Essa degradação que atinge mais as mulheres, muitas vezes levando à depressão e ao suicídio. Tomando como exemplo uma mulher imatura (poderia ser um homem), ocorre que ela, a fim de atender aos impulsos eróticos que lhe foram condicionados por dezenas de anos de visão pornográfica,sensualista e sexista, propagadas fortemente pelos meios de comunicação acima; passa ela a variar muito de parceiros que só querem descarregar seu prazer passageiro e a sua energia orgástica usando o corpo da parceira; e, vice-versa. Não lhes importa o estado emocional e de espírito dela. Com o Tempo o desgaste de seu corpo se evidencia e ela não encontrará mais parceiros sexuais de sua preferência com a mesma facilidade de antes, quando tinha o corpo esbelto e atraente,principalmente porque o tipo de homens com os quais se relacionam; quase sempre são vazios, superficiais e imaturos também. Eles estão querendo agora aventuras novas com outras parceiras mais jovens e apetitosas (é o que não falta nesse mercado canibalesco), fruto da facilidade em encontrarem ofertas cada vez mais voluptuosas e baratas, em decorrência da campanha de erotização precoce, que já comentamos acima, pelos meios de comunicação e da literatura chula e medíocre. Quais os pais “bonzinhos” e “modernistas” que se preocupam com o que os seus filhinhos estão vendo, lendo e com quem saem e para onde eles vão?
Tempos depois, essas pessoas, erotizadas e insaciáveis, quando despojadas da atração de seus corpos, sentindo-se nulas por suas existências vazias e improdutivas; descobrindo que foram joguetes nas mãos de muitos homens; são elas “tragadas” pela depressão (pior, quando praticam abortos) e sentimento de culpa; são vítimas de graves doenças mentais e, não raro pensam no seu auto-extermínio. E, nestes casos (hoje, bastante comum), a família também se deteriora pelo enorme sofrimento dos pais, diante das conseqüências morais, sociais, materiais e financeiras que, inevitavelmente, acompanham a decadência dos filhos. O papel da televisão na desorganização mental, social e econômica da família está muito patente; porem é pouco estudada e analisada; por isso a sua ação danosa a toda sociedade, passa despercebida. Pelo contrário, a TV é idolatrada e se tornou no “pão-de-cada-dia” para quase todos os habitantes do planeta. Mas, para um analista e estudioso da mente e dos costumes; ela tem sido, por excelência o terrível meio facilitador e incentivador do condicionamento do erotismo patológico; da agressividade; da violência; da anti-cultura e de todas as mazelas morais,espirituais,mentais,materiais e comportamentais que faz agonizar toda sociedade mundial. Apesar de reconhecermos a sua excelente função de aglutinar o maior número de pessoas e aspirações mais nobres, no menor espaço de tempo. Todavia, sua programação negativa e nociva é bem mais freqüente e superior que o Bem que faz. O pior é o que vemos e ainda veremos mais, com a implantação universal da Internet, propagando a bilhões de pessoas de toda idade, cor, sexo, condição social e patologias diversas, toda a miséria mental, moral de uma humanidade que se autodestrói, enterrando-se no próprio lixo que produz. Voltando à televisão, ela vem se caracterizando pela exposição de modelos altamente negativos e prejudiciais à formação da personalidade infantil; afetando e comprometendo o comportamento futuro de toda Sociedade Mundial. As suas novelas, a publicidade comercial e filmes expostos, diariamente, são verdadeiras escolas de vandalismo, agressividade, violência, erotismo vulgar, palavrões, gírias, desvios sexuais, competição interpessoal, adultério, vícios e muitos outros tipos de degradação pessoal, familiar e social.
Somente os ingênuos, os incompetentes e os interesseiros não reconhecem o quanto as crianças são modeladas pelos exemplos mostrados na televisão, principalmente nas novelas. Há, também, os que inocentam a TV, porque dependem dela para sobreviverem; tais como atores, atrizes, proprietários de Emissoras, diretores, patrocinadores, produtores de programas, escritores de novelas, fabricantes de cigarro, bebidas, etc. São também defensores da TV, os interessados em se auto promover para fins eleitoreiros, comerciais e narcisistas e alguns outros, para se mostrarem “bonzinhos”, “moderninhos” e “tolerantes” para gozarem da simpatia, aplausos e favores das camadas mais novas da população. Além desses, os que trabalham com a publicidade que, para tirarem os seus sustentos, “aprimoram”, cada vez mais o erotismo mercenário e a agressividade entre as pessoas, e até contra o meio ambiente. Estes, também defendem a TV, para as suas conveniências particulares. Há, ainda, alguns “experts” do comportamento que dependem da TV a fim de ganharem notoriedade e clientela(ou votos); eles não vêem qualquer mal nos programas televisionados, chegando a dizerem que a agressividade mostrada na “telinha”(agora já é telona !) serve para “desabafar” e como catarse infantil! Se isto fosse verdade, as crianças de hoje estariam cada vez mais sadias mentalmente e os terapeutas infantis estariam jogados às traças e fritando bolinhos e fazendo bombons para venderem nas portas das escolas. É justamente o contrário; nunca se viu tantas crianças, púberes e adolescentes com tanta agressividade, tensos, problemáticos e portadores de tantas psico e sociopatias. Vide muros, fachadas, casas, prédios, telefones e lixeiras públicas pixadas e destruídas por eles! Vejam a idade dos mais perversos assaltantes e criminosos que nos atacam e nos matam! Procurem saber quem mais agridem os idosos e os pais! Perguntem a idade dos maiores provocadores de acidentes de carro!
Qual a pessoa nova em idade que vai se interessar em trabalhar,estudar,produzir,contribuir para o social, ser honesto,justo,íntegro e humanista, diante de imagens novelescas que, insistentemente, mostram e condicionam a ser ocioso,vadio,trapaceiro (com o nome florido de “esperto”), maníaco sexual,frívolo,desonesto,agressivo.permissivo,competitivo,desleal,malandro,alienado cultural e social? Até os sexualmente mais ajustados são influenciados pelos constantes modelos simpáticos, agradáveis e vitoriosos de desviados sexuais que se tornaram freqüentes e implantaram moda nos programas e dramalhões novelescos diários.
Seria oportuno e importante questionarmos o porquê de as emissoras de rádio e TV; bem como os produtores de programas, principalmente os de novelas, não utilizam esses importantes veículos de comunicação para transmitirem os bons exemplos de comportamento digno, de uma linguagem correta, de cultura, de cidadania e de respeito social? Programas realmente honestos e educativos deveriam primar por uma linguagem certa e elegante de personagens honestas, cultas e dignificantes, para servirem de modelos aos bilhões de telespectadores e ouvintes de toda idade; principalmente para aqueles cujos cérebros ainda não estão em condições de se auto dirigirem, quer por imaturidade biológica, mental ou psicológica.
E, por estarem dando péssimos exemplos, há décadas, a bilhões de pessoas de todas as idades, sexo, raça e nacionalidade; são eles os causadores da agonia das virtudes e da falência dos bons costumes. Bem razão tinha Rui, quando disse que haveríamos de sentir vergonha da honestidade. De tanto vermos triunfar os nulos, desviados e desonestos; acostumamos-nos com a nulidade, com os desvios e com a desonra. A televisão invade os nossos lares, impondo os mais variados estímulos negativos. Muitas vezes em casas de quem não tem a mínima condição de julgar o que é danoso ou sadio para si e para os seus filhos e, nem sempre podem desligar os seus televisores, por pressão e chantagem dos outros telespectadores.
Não é de se espantar que haja uma excessiva proliferação de doenças mentais que torna mais perigosa e difícil o nosso viver nas ruas, lares, instituições, igrejas, agremiações e até nas mais simples reuniões ou encontro de conhecidos, vemos surgirem confrontos e conflitos oriundo da imaturidade e agressividade latentes no Inconsciente de cada um. A violência desenfreada que de toda sorte nos atinge, principalmente no trânsito; nos atentados contra a dignidade; na desonestidade e decadência moral dos que cuidam (ou descuidam) das coisas públicas; nos descalabros sociais mais variados e diversos; na marginalização e mortalidade precoce de crianças, idosos e demais esquecidos e rejeitados pela vaidade, egoísmo e desonestidade de quase todos nós.
A ESCOLA COMO FATOR DE DESESTRUTURAÇÃO
A escola, de algumas décadas para cá, tem sido, também, fator de geração de desvios comportamentais nas pessoas mais novas em idade. Por paradoxal que seja, grande parte dos educandários que no passado primava na formação de grandes personalidades; celeiro de cidadãos íntegros e sábios; hoje, assim como a família, perdeu sua função primordial. Em todos os níveis, principalmente nas Escolas públicas e superiores, caíram os níveis de estudo e mental de docentes e discentes. Mas, isto já era de se esperar, com as famílias em franca decadência educacional e moral. Mui tos professores, quer por incompetência, comodismo ou para agradarem os “jovens”, permitem que os alunes cheguem aos diplomas sem um mínimo de preparo intelectual e moral para desempenharem suas importantes missões na sociedade. Professores, diretores e proprietários de muitos estabelecimentos de ensino temem punir ou reprovar os alunos indisciplinados ou incompetentes que, muitos deles só conseguem “passar de ano” mediante expedientes escusos como “cola”, “cópias de trabalhos alheios”, doação de créditos,etc. Raramente encontra-se alunos realmente dedicados aos seus estudos e socialmente responsáveis. Toda facilidade é proposta a fim de não reprová-los, também por exigência e pressão dos pais que não toleram a “frustração” de verem seus filhos atrasados. Preferem vê-los “passarem de ano” sem a devida maturidade e competência; que se danem os pobres e futuros clientes,pacientes,etc., desses profissionais incompetentes.
Outro grande mal que certas Escolas vêm causando às pessoas novas em idade; é quanto a adoção de livros para trabalhos. Já é comum a indicação de livros pelos professores com a finalidade de pesquisa pelos alunos, onde a tônica desses compêndios é a violência, a agressividade e a promiscuidade sexual, moral e física dos seus personagens. Alguns são escritos por autores ateus que são anticristãos, fomentando a descrença e o afastando de Deus os seus imaturos leitores. Nas escolas de antes, as leituras indicadas eram do mais alto nível moral, intelectual e cívico; onde se ensinava o português correto, o respeito e amor pela Pátria, pelos pais, pela sociedade e pelos semelhantes, principalmente para com as mulheres, idosos e crianças. Todos os que tiveram a felicidade e sorte de terem vividos e sido educados naquela época de cultura, respeito e honradez; devem se orgulhar de ter vibrado com os nossos heróis das estórias lidas e ouvidas sobre a guerra do Paraguai e a mundial, com a valentia e heroísmos dos nossos soldados e pracinhas. Regozijamos com os nossos grandes políticos, cultos, sérios e honestos; com os nossos cientistas que sabiam vencer as doenças que assolavam o mundo e nos ameaçavam de morte. Honravam-nos os nossos grandes poetas, escritores, compositores, cantores e maestros que nos encantavam e encantavam o mundo pela cultura, elegância, beleza, riqueza gramatical e pela grande inteligência que todos tinham.
Qualquer estudante primária, naquela época, conhecia e se encantava com os frutos do saber desses grandes mestres das artes, literatura e da ciência. Hoje, foram substituídos por pseudo escritores, cujas características principais são a linguagem chula e vulgar, com forte conteúdo de violência, agressividade e erotismo vulgar. A linguagem dessa “literatura” representa a própria decadência de quem escreve,lê e de todos nós. Recentemente, em um encontro de pais, tivemos a oportunidade de ler dois desses livretos que são adotados por alguns Educandários de estudantes pré-adolescentes, de 11 à 14 anos de idade. Os dois livros em questão foram-me apresentados por pais mais conscientizados, preocupados com os resultados de tais tipos de leitura na personalidade de seus filhos que receberam de seus professores a incumbência de fazerem e apresentarem trabalhos sobre os conteúdos dos mesmos.
Apesar de me encontrar familiarizado com a decadência mental dos humanos atuais, fiquei pasmo com o conteúdo daqueles livros. Eles falam de crimes, estupros, masoquismo, sadismo, roubos, pornografia e violência de toda espécie. Tudo isso, numa linguagem chula e de baixo nível cultural e mental. Os tais livros são excelentes modeladores e condicionantes da marginalidade infantil e adulta. Creio que até os desviados mentais adultos têm algo a aprender em livros como esses que muitas escolas adotam, sob a falsa alegação que as crianças devem tomar conhecimento da realidade que as cerca, desde cedo. Porque se deve falar precocemente de morte e de sexo somente porque um dia saberão dessas coisas? Isso é um engano, pois no momento oportuno em que os seus cérebros e suas mentes estiverem amadurecidos, saberão lidar. Literaturas como essa, são poderosas aliadas da TV, da Internet e de outros patrocinadores da desestruturação mental da sociedade, pois ensinam a matar roubar, estuprar; bem como, viver à margem e contra a lei e normas sociais. Nessas estórias, os heróis são marginais mirins que se misturam sexualmente com prostitutas, enfrentando,desafiando e vencendo os adultos, as autoridades e os representantes da lei. Esses pequenos delinqüentes, filhos rejeitados e deserdados de uma sociedade enferma, carente de sentimentos e de princípios morais, viram heróis e modelos para os nossos e todos os outros filhos dessa mesma sociedade doente.
Além de marginais pobres que os exemplos de condutas negativas provocam, muitos filhos de classes sociais, materialmente ricas (mas espírito e mentalmente miseráveis seguem à risca esses modelos deteriorados em seus comportamentos em casa (para o desespero familiar) e na sociedade (para o nosso desespero). Já temos prova dos resultados de tal modelagem e exemplos deteriorados. Vemos e sentimos na pele o comportamento destrutivo de muitos que chamamos de ”jovens” , nas ruas , nos lugares onde freqüentam e em quaisquer locais do planeta. O comportamento anti-social e delinqüente deles é idêntico em qualquer parte do mundo porque a Mídia e a Internet globalizou tudo; até os maus instintos. Até novelas são aconselhadas aos alunos,por tais tipos de professores, para fazerem trabalhos escolares. Novelas essas em que os palavrões,gírias,sexismo, agressões aos mais idosos e aos pais; são comuns em seus enredos. A Língua Portuguesa é negligenciada, agredida e vilipendiada ao ponto de se caçoar,xingar, rejeitar e rejeitar-se aqueles que gostam de estudar e de respeitar os semelhantes,principalmente os que obedecem aos pais e ás leis. Ainda falando da literatura abjeta que estão dispondo à leitura pelos nossos filhos, tivemos a oportunidade de ler mais alguns desses livros, quando se vê exemplos de crianças que são ameaçadas pelos colegas mais malandros só porque não querem “matar” aulas e não aceitam a marginalidade. Os próprios autores desses tipo de literatura e de algumas novelas; assim como os professores, responsáveis pelo ensino e autoridades educacionais, não sabem que estão gerando os seus próprios agressores e algozes de amanhã. Em outros desses livros, o herói é o bandido e a vítima é o bonzinho,correto e honesto.
Os pais são os maiores responsáveis, pois com a sua omissão e alienação, porquanto não se interessam em saber sobre o que os seus filhos estão lendo e fazendo; permitem sem questionarem, esse tipo de “literatura” de baixo nível. Quando nas reuniões de pais que as Escolas promovem, alguns pais mais conscientizados e mentalmente sadios se rebelam contra essa nociva prática didática; os outros pais e os professores tentam desmoralizá-los com aqueles chavões de sempre, como: “quadrados”,”antiquados”,”castradores”,”ultrapassados” e outras tolices mais. Fazem isso por ingenuidade, medo da maioria e para se mostrarem “moderninhos” e “pra-frente” e, assim, terem a simpatia dos filhos,professores e dos outros pais desestruturados. O que essas pessoas “moderninhas” tentam fazer é “nivelar por baixo”; isto é,usam uma técnica conhecida de compensação, que é a de tentar rebaixar aqueles que se mostram superiores na cultura e na mente. É a mesma prática que leva um viciado, por exemplo, a incentivar ao seu vício, o companheiro que não é viciado. Este comportamento tem a finalidade de obter solidariedade e companhia na decadência do desestruturado viciado. Quem não fala corretamente a língua, sente raiva inconsciente de quem se expressa de forma correta. Quem é desonesto, sente rancor de quem é honesto. Quem tem filhos desviados, sente-se incomodado com os filhos normais de outrem. Quem está por “baixo”, pode agredir quem ele vê estar por “cima”, etc. É bom que se repita que os processos causadores desses sentimentos e comportamentos negativos, são, quase sempre, inconscientes para a pessoa, com a finalidade preservá-la de uma deterioração mental mais grave, caso tomasse conhecimento de todo o vazio e desespero da própria inferioridade, quer seja mental,material ou física.
Atualmente, o grande filão comercial e apetitoso é o sexo e as suas variações eróticas. Quase todos,principalmente os imaturos,moykanos, só pensam nisso. É a busca desesperada por instantes gozosos, como se fossem morrer amanhã; pouco importa as conseqüências, os outros ou o dia de amanhã; nada além de um palmo de prazer diante do nariz; ou do umbigo, como queiram. A propaganda maciça e global transformou o impulso sexual que é normal, natural e biológico, em comércio lucrativo que deve ser perseguido por todos, como a meta e ideal principal da vida. As graves conseqüências desse sexismo (anomalia e desvio sexual) são claramente vistas no nosso dia-a-dia e na prática clínica. A atividade sexual só é natural, normal e sadia quando é praticada por pessoas madura conscientes, amorosas e responsáveis. Caso contrário, as conseqüências dessa precocidade e desvario serão terríveis, como estamos presenciando nas seqüelas doentias e sociais de imaturos precocemente erotizados pelo comércio, indústria, TV, internet e diversos outros agiotas do sexismo.
E, como já tanto lembramos, os pais são os maiores responsáveis porque não sabem ou não têm condições psíquicas ou se omitem diante da avalanche de bilhões de estímulos mentais nocivos que incidem sobre os nossos filhos (e, a todos nós), dos quais deveríamos ser responsáveis, como produtores biológicos de cidadãos. Diante de toda essa enxurrada de modelos perniciosos que recaem sobre nós, principalmente sobre as pessoas na fase de auto-afirmação e imaturidade mental, como crianças e adolescentes; não nos admiremos se dentro em breve tivermos as ruas abarrotadas de marginais “classe A”, gerados pelas ditas “classes” média e alta; que irão nos ameaçar,roubar e nos matar, apenas pelo “sabor de aventura”, como anunciam certos comerciais utilizados para condicionar e estimular as suas vendas para os imaturos de toda espécie e idade. Já sabemos que danificar os bens públicos, como quebrar telefones, lâmpadas, riscar assentos de ônibus, elevadores, pichar paredes e monumentos, destruir plantas, pisar em jardins, etc., têm esse “sabor” doentio para muitos filhos de pobres e de ricos desestruturados. A diferença desses marginais “classe A” para os de “classe C” ou “D”; é que os pobres são frutos da miséria material e social. Enquanto que os primeiros são filhos da decadência mental, moral e espiritual dos que condicionam as mentes imaturas dos mais novos em idade e dos deteriorados de toda idade. Dos pais omissos, imaturos e fúteis. Dos que escrevem e editam livros, revistas, peças teatrais, filmam e divulgam os maus costumes e induzem ao comportamento criminoso. Escritores, professores, pais, pedagogos e alguns psicólogos que defendem tais métodos, afirmando que eles representam a realidade e dela as crianças devem tomar conhecimento. Concordo que o lixo da promiscuidade reinante é a realidade; a cruel realidade de uma sociedade degradada e perversa que assassina criancinhas, em seus nascedouros, a fim de se esconder e de fugir de si mesmo. Concordo que os adultos tomem conhecimento dos seus próprios desvarios físicos e mentais; entretanto, não podemos concordar que sejam as crianças os primeiros a visitarem os porões da sociedade, porque a mente infantil ,por sua imaturidade psíquica e biológica não tem condições de entender sem imitar. Ainda mais, não se tem o direito de violar o mundo encantado das fantasias coloridas da infância, com sentimentos, imagens e idéias degradantes de adultos pervertidos e moralmente decadentes.
Pais: não choreis por vossos filhos, mas antes... choreis por vós mesmos e por todos nós.
Belo Horizonte, outono de 1986;
São Paulo, verão de 2011.
Carleial. Bernardino Mendonça.
Psicólogo-Clínico pela Universidade Católica de Minas Gerais;
Estudante de Direito da Universidade Estácio de Sá;
Escritor e Pesquisador nas áreas da Psicobiologia e do Direito.
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